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Parte II- Projetos desenvolvidos na Farmácia Serpa Pinto

Tema 3- Rastreio Cardiovascular

4. Rastreio Cardiovascular “Sabe qual o seu risco cardiovascular?”

4.1 Objetivos

Como já referido, o rastreio visou essencialmente saber o RCV total de cada utente pelo cálculo do SCORE (Systematic Coronary Risk Evaluation) para identificar qual o RCV de cada utente: RCV Baixo (<1%), RCV Moderado (≥1% e <5 %), RCV Alto (≥5% e <10%) ou um RCV Muito Alto (≥10%). Um objetivo essencial era alertar as pessoas para o significado do que é o RCV e o papel decisivo dos FR no cálculo do mesmo de modo instigar mudanças de comportamentos menos corretos. Para o cálculo RCV realizado no momento com o utente, recorri às tabelas SCORE e ao algoritmo clínico (Anexo 11) que se baseiam no CT, idade e PA e FR respetivamente. Estas tabelas utilizam uma escala de cores para demonstrar o maior ou menor risco de cada categoria, auxiliando assim a demonstração do risco ao utente.

O risco SCORE define-se como o RCV total que é expresso como o risco absoluto de morrer de uma doença cardiovascular num período específico de 10 anos [66]. Um objetivo adicional era avaliar a eficácia da farmacoterapia que o utente fazia e verificar se a fazia corretamente.

4.2 Materiais e métodos

O Rastreio Cardiovascular realizou-se nos dias 7 e 8 de março na FSP, entre as 9h00 e as 18h. Inicialmente seria apenas no dia 7, mas devido à boa resposta e interesse demonstrado pelos utentes, decidimos alargar até ao dia seguinte. Para a divulgação desta

ação efetuei um cartaz (Anexo 12), que foi exposto no espaço interior da farmácia e também uma publicação acerca do rastreio no Facebook da FSP (Anexo 13).

Durante o rastreio era feito um questionário inicial (Anexo 14) a todos os participantes de forma a poder avaliar as patologias existentes e os FR para as DCV. Deste modo conseguia inferir se o participante tinha alguma patologia das que abordava no rastreio, em especial HTA, hipercolesterolemia, diabetes melittus, e se existente a respetiva medicação, mas também eventos cardiovasculares como AVC, enfartes ou Ataque cardíaco. No questionário também avaliava os hábitos tabágicos, a história familiar com DCV e eventos cardiovasculares. De modo a seguir a lei da proteção de dados, apenas recolhi dados como a idade e o sexo.

Após o questionário realizavam-se as medições dos parâmetros a avaliar que foram: • Altura, peso e IMC;

• PA;

• Glicemia capilar; • CT.

De seguida foi calculado o risco SCORE a cada participante e realizado o AF adequado à situação de cada um, sendo explicado o significado do valor obtido. Os resultados das medições foram registados em cartão específico para que pudesse haver um acompanhamento persistente dos parâmetros de cada participante.

4.3 Resultados e discussão

Participaram no Rastreio Cardiovascular (Anexo 15) 40 pessoas, em que 11 (27,5%) eram do sexo masculino e 29 (72,5%) eram do sexo feminino. No anexo 16 constam os resultados do rastreio. A média de idades dos participantes foi de 61,77 anos, o que carateriza os utentes que mais frequentam a FSP, havendo ainda 6 participantes com idade inferior a 40 anos.

Acerca dos resultados do IMC, na tabela 1, pode-se verificar que metade dos inquiridos obteve um IMC correspondente ao excesso de peso (IMC > 25 kg/m2), o que só por si é um FR no desenvolvimento de DCV [87].

Tabela 1- Distribuição do IMC dos participantes do Rastreio Cardiovascular

Relativamente às medições da PA: 11 (27,5%) participantes apresentavam uma PA ótima; 7 (17,5%) participantes apresentavam uma PA normal; 6 (15%) participantes apresentavam PA normal-alta; 16 (40%) participantes, ou seja a maioria, apresentavam uma PA elevada, com PA > 140/90 mmHg. Ainda houve um participante com PA 183/98, que

IMC (kg/m2) Participantes

Abaixo de peso <18,5 0 (0%)

Peso normal 18,5-24,99 15 (37,5%)

Excesso de peso 25-29,99 21 (52,5%)

embora tivesse HTA diagnosticada, não tomava medicação para tal. Dos inquiridos, 18 (45%) tinham HTA diagnosticada e faziam medicação. Relativamente a eventos cardiovasculares, 1 (2,5%) participante tinha tido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no mês anterior ao rastreio e outro participante havia tido um enfarte há alguns anos.

Acerca do CT, 15 (37,5%) participantes obtiveram um CT > 190 mg/dL, que é considerado elevado e acima dos valores normais e 25 (62,5%) participantes obtiveram um CT < 190 mg/dL, sendo estes valores normais. Dos 40 participantes, 18 (45%) estavam diagnosticados com hipercolesterolemia e 3 destes não eram medicados para o efeito.

Na medição da glicemia, algumas medições foram efetuadas em jejum e outras em regime pós-pandrial utilizando diferentes valores de referência consoante a situação. Deste modo, dos participantes que estavam em jejum 11 (27,5%) apresentavam uma glicemia normal, portanto < 110 mg/dL, enquanto 7 (17,5%) apresentavam uma glicemia > 110 mg/dL sendo considerados valores acima dos normais. Destes que obtiveram glicemias acima dos valores de referência, 3 (7,5%) eram diabéticos diagnosticados e medicados com valores extremamente altos de 243, 283 e 252. Nestes casos abordei o participante para perceber se a medicação estaria a ser feita corretamente e como eram os hábitos alimentares, e aconselhei medir a glicemia nos dias seguintes para haver um seguimento e no caso de continuarem valores acima do normal, reencaminhar para o médico. Acerca dos participantes com medições pós-pandriais, 21 (52,5%) apresentavam glicemias < 140 mg/dL, cujos valores são normais, e 1 participante (2,5%) apresentava uma glicemia de 149 mg/dL que está ligeiramente acima dos valores de referência [88].

Aquando do questionário, 2 (5%) participantes eram fumadores e 38 (95%) eram não fumadores, dos quais 2 eram ex-fumadores já há mais de 20 anos.

Relativamente ao cálculo do RCV através do SCORE, 19 (47,5%) participantes apresentavam um RCV Baixo (<1%), 18 (45%) participantes apresentavam um RCV Moderado (≥1% e <5 %), 2 (5%) participantes tinham um RCV Alto (≥5% e <10%) e 1 (2,5%) participante apresentavam um RCV Muito Alto (≥10%) devido ao enfarte que tinha tido recentemente.

4.4. Conclusão

Durante a realização do rastreio consegui perceber que os utentes da farmácia demonstravam interesse para participar e conhecer o significado do RCV. A maioria eram utentes que frequentemente mediam no dia-a-dia os parâmetros avaliados no rastreio, mas por ter um aconselhamento mais personalizado e uma avaliação geral da saúde CV tinham maior proveito nesta situação. A todos os utentes foi dado o respetivo aconselhamento consoante os resultados obtidos, havendo sempre uma forte aposta na adesão à terapêutica que tanto falhava nos participantes, seja por efeitos adversos ou por esquecimento.

Posso considerar que o rastreio foi bem-sucedido embora tivesse a grande limitação de eu ser a única pessoa a efetuá-lo devido ao espaço restrito, e assim tornar-se um processo demorado, o que levou alguns utentes a desistirem da sua realização.

Considerações Finais

Terminados os seis meses de estágio profissionalizante na FSP, posso concluir que foi sem dúvida a experiência mais importante e enriquecedora da minha passagem pelo MICF. Foi no estágio que pude aplicar os conhecimentos científicos adquiridos na faculdade e transpô-los para a realidade profissional que se aproxima.

Durante o estágio, essencialmente no atendimento ao público, tive inúmeras situações em que foi necessário aconselhar e incentivar ao uso do medicamento de forma responsável e igualmente avaliar se as terapêuticas estariam a ser feitas de forma correta. Desta forma, revelou-se um verdadeiro desafio atender inúmeros utentes em que novas situações apareciam diariamente. Algo que me incomodou e chocou, embora já tivesse alguma consciência, foi a quantidade de pessoas que tomam benzodiazepinas, ansiolíticos e hipnóticos de forma regular e há vários anos. Todos os dias apareciam-me utentes com prescrições de algum tipo desses medicamentos e ao questionar o utente apercebia-me que a prescrição era logo a primeira linha de tratamento aquando de situações de ansiedade ou situações de falta de sono, em que nunca havia um primeiro contacto com métodos não farmacológicos e acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

Executei ainda três projetos com o intuito de alcançar a comunidade circundante e os utentes, nos quais me baseei no dia-a-dia na farmácia e no tipo de utentes que eram mais frequentes. Durante e após a realização dos projetos, obtive um sentimento de dever cumprido pois consegui atingir vários públicos alvo e de diferentes faixas etárias, conseguindo sempre incentivar o maior conhecimento e curiosidade acerca dos temas trabalhados.

Termino esta experiência com o sentimento de satisfação e que sem dúvida vai definir a farmacêutica que serei no futuro. Assim, dou como terminado os vários anos de curso que incluíram uma formação bastante completa e que sem dúvida me darão as bases para os próximos desafios.

“Os desafios são o que tornam a vida interessante e superá-los é o que dá sentido à vida” Joshua J. Marinho

Bibliografia

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[15] Decreto-Lei n.º 106-A/2010, de 1 de outubro. Adopta Medidas Mais Justas No Acesso Aos Medicamentos, Combate À Fraude E Ao Abuso Na Comparticipação de Medicamentos E

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[18] INFARMED: Medicamentos Manipulados. Disponível em: http://www.infarmed.pt [acedido a 4 de março de 2019]

[19] Ministério da Saúde, Decreto-Lei nº95/2004, de 22 de abril - Regula a prescrição e a preparação de medicamentos manipulados. Diário da República. p. 2439 - 2441.

[20] Ministério da Saúde, Portaria nº769/2004, de 1 de julho - Estabelece que o cálculo do preço de venda ao público dos medicamentos manipulados por parte das farmácias é efectuado com base no valor dos honorários da preparação, no valor das matérias-primas e no valor dos materiais de embalagem. Diário da República.

[21] Ministério da Saúde, Despacho n.º 18694/2010 - Estabelece as condições de comparticipação de medicamentos manipulados e aprova a respectiva lista. Diário da República. p. 61028 - 61029.

[22] Ministério da Saúde, Decreto-Lei n.º 20/2013, de 14 de fevereiro, artigo nº 115, 2013. [23] Ministério da Saúde, Decreto-Lei nº 134/2005, de 16 de agosto, 1ª Série, nº 156, 2013, pp. 4763-4765.

[24] INFARMED: MNSRM-EF. Disponível em: Disponível em: http://www.infarmed.pt [acedido a 4 de março 2019]

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[26] Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, Decreto-lei nº 314/2009, de 28 de outubro. Diário da República, 1ª série, nº 209.

[27] Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, Decreto-Lei nº 148/2008, de 29 de julho. Diário da República, 1ª Série, nº 145, pp. 5048-95.

[28] Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, Decreto-Lei n.º 216/2008, de 11 de novembro, Diário da República, 1.ª série, n.º 219. Alimentos dietéticos destinados a fins medicinais específicos.

[29] Infarmed (2017). Suplementos Alimentares: o que são e como notificar reações adversas. Boletim de Farmacovigilância, Volume 21, Número 3.

[30] INFARMED: Cosméticos. Disponível em:

[31] Infarmed - Gabinete Jurídico e Contencioso (2009) Decreto-Lei n.º 145/2009, de 17 de junho. Estabelece as regras a que devem obedecer a investigação, o fabrico, a comercialização, a entrada em serviço, a vigilância e a publicidade dos dispositivos médicos e respectivos acessórios. Legislação Farmacêutica Compilada.

[32] Infarmed - Gabinete Jurídico e Contencioso (2018). Portaria n.º 97/2018, de 9 de abril. Define os serviços farmacêuticos que podem ser prestados pelas farmácias. Legislação Farmacêutica Compilada.

[33] Ministério da Saúde, Portaria nº1429/2007, de 2 de novembro - Define os serviços farmacêuticos que podem ser prestados pelas farmácias. Diário da República.

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[75] Prémio Bial 2014: Mais de 300 mil euros para investigação médica. Disponível em: https://www.bial.com/pt/fundacao_bial.11/noticias.122/premio_bial_2014_mais_de_300_mil_ euros_para_investigacao_medica.a496.html. [acedido a 30 de março de 2019]

[76] Polonia, J., Martins, L., Pinto, F., & Nazare, J. (2014). Prevalence, awareness, treatment and control of hypertension and salt intake in Portugal: changes over a decade. The PHYSA study. Journal of hypertension, 32(6), 1211-1221.

[77] Norma 020/2011 George H. Hipertensão Arterial: definição e classificação. Direção-Geral da Saúde. 2013:1-6.

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[82] Marques, F. B. (2001). Fármacos inibidores da redutase da HMGCoA. Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, 17(2), 141-8.

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[84] INFARMED. Resumo das Características do Medicamento – Ezetimiba Alter [acedido a 30 de março de 2019]

[85] INFARMED. Resumo das Características do Medicamento – Pravafenix [acedido a 30 de março de 2019]

[86] INFARMED. Resumo das Características do Medicamento – Inegy [acedido a 30 de março de 2019]

[87] DGS: Orientação 017/2013- Avaliação Antropométrica no Adulto Disponível em: http://www.alimentacaosaudavel.dgs.pt/profissionais/normas-e-orientacoes-tecnicas-

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[88] Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal: Valores de referência. Disponível em: https://www.apdp.pt/diabetes/a-pessoa-com-diabetes/valores-de-referencia [acedido a 30 de março de 2019]

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[90] Tabela SCORE. Disponível em:

http://metis.med.up.pt/index.php/Ficheiro:SCORE_chart.png [acedido a 10 de fevereiro de 2019]

Anexos Anexo 1- Espaço exterior da FSP

Figura 1- Espaço exterior da FSP Anexo 2- Espaço interior da FSP

Figura 3- Lineares, expositores, montras e vitrinas

Figura 5- Kardex® (armazenamento em prateleiras mecanicamente alternáveis)

Figura 7- Linear para as formas semissólidas (cremes, pomadas, emulsões)

Figura 9- Área de envio e receção de encomendas

Anexo 3- Lista de MM preparados ao longo do estágio e Fichas de preparação de MM -Cápsulas de Fludrocortisona 10mg;

-Cápsulas de Minoxidil 2,5 mg;

-Cápsulas de ivermectina (várias dosagens); -Cápsulas de Gabapentina 40 mg;

-Cápsulas de emagrecimento;

-Cápsulas de Carbonato de Cálcio 500 mg; -Suspensão Oral de Nitrofurantoína a 0,5%; -Suspensão oral de Espironolactona a 2,5 mg/mL; -Suspensão oral de Propranolol a 5 mg/mL; -Suspensão Oral de Trimetropim a 1%; -Suspensão Oral de Carvedilol a 1,5 mg/mL; -Suspensão Oral de Atenolol 12,5 mg/mL; -Suspensão Oral de Hidroclorotiazida 2mg/mL; -Suspensão Oral de Ácido acetilsalicílico 50mg/mL; -Solução de Xilol, éter e álcool;

-Solução de Ácido acético a 2%; -Solução de Minoxidil a 5%;

-Solução de Ácido lático, ácido salicílico e colódio elástico; -Enxofre a 5% em vaselina;

-Enxofre a 6% em vaselina; -Enxofre a 8% em vaselina; -Pomada de Permetrina a 4%; -Pomada de Permetrina a 5%;

-Quadriderme (clotrimazol, betametasona e gentamicina); -Creme de Ácido salicílico e ureia;

-Creme de Tretinoína;

-Creme de Hidroquinona, tretinoína e hidrocortisona em nourivan (base específica

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