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5 PERCURSO METODOLÓGICO

5.1 Objeto da Pesquisa

Este estudo apresentou como objeto de pesquisa o Processo de produção de informação acessível realizada no Laboratório de Acessibilidade da Biblioteca Central Zila Mamede, na UFRN. A produção de material informacional acessível é atualmente visualizada como o “serviço-central” do LA. Instituído em 2011, o LA tem a missão de propiciar o acesso informacional aos discentes com Necessidades Educacionais Específicas, em particular àqueles com deficiência visual (cegueira e baixa visão) e transtornos de aprendizagem (dislexia e Transtorno de déficit de atenção – TDAH) que impossibilitem a estes a leitura de material informacional impresso.

O convívio com pessoas com deficiência tornou-se uma realidade em nosso país. Porém, estigmas em relação a essas sempre foram construídos culturalmente na sociedade e as suas trajetórias marcadas pela luta do direito à cidadania e inclusão social. Para tanto, as Instituições de Ensino Superior (IES), segundo Melo et al. (2014, p. 44), “trazem consigo a responsabilidade de garantir ações para o acesso, a permanência e a conclusão de curso com sucesso de estudantes com necessidades educacionais especiais (NEE), a partir da política educacional vigente no Brasil”. Desse modo, as IES devem se adequar, por meio de adoção de políticas de inclusão, desde o processo seletivo de ingresso desses estudantes até o fornecimento do suporte necessário para a qualidade de sua vida acadêmica através de medidas de acessibilidade física e comunicacional, garantindo o direito de ir e vir dessas pessoas e o acesso à informação, favorecendo, dessa maneira, as atividades de ensino, pesquisa e extensão, propostas nessas instituições.

Segundo o Guia para a produção de conteúdos digitais acessíveis (UNIVERSIDADE DE AVEIRO, [201-?]) entende-se por conteúdo acessível todo o tipo de material que pode ser lido e interpretado, com recurso a um leitor de tela. Esta tecnologia de apoio permite que os utilizadores com dificuldades visuais possam ter acesso aos conteúdos apresentados no

computador. Todavia, esse conceito encontra-se mais voltado ao conteúdo digital acessível, e vale lembrar que os conteúdos em formato acessível podem ser disponibilizados em diversos formatos, desde Braille12, digital (RTF, PDF, Html) e áudio.

No contexto de ensino-aprendizagem, o acesso à informação e ao conhecimento deve ser fornecido a todos os usuários, independentemente do formato onde este é transmitido. Então, para garantir uma acessibilidade a todos é necessário que durante o processo de produção se tenha conhecimento das barreiras e necessidades específicas de cada usuário, assim como as tecnologias de apoio que estes utilizadores têm ao seu dispor. (UNIVERSIDADE DE AVEIRO, [201-?]).

A produção da informação acessível no LA é realizada através da adaptação do material informacional didático fornecido ao discente, para um formato que o mesmo possa realizar a sua leitura. Esses materiais são fornecidos pelos docentes, em geral, em formato impresso (fotocópia ou o próprio livro) ou em formato digital (via e-mail ou pelo Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmica da UFRN – SIGAA) que não possibilita a sua leitura por softwares leitores de tela. Em seguinte, é realizada pelos profissionais bibliotecários do LA uma pesquisa do material no Repositório de Informação Acessível (RIA) e em instituições detentoras de bancos de dados de acervos acessíveis e que fornecem um apoio, ainda informal, de cooperação de acervos com o LA, tais como a Biblioteca Sonora da Universidade de Brasília (UnB) e o Laboratório de Acessibilidade da Universidade Federal de Fortaleza (UFC). Se o material informacional for localizado, ele é encaminhado diretamente para o discente. Caso contrário, a equipe do LA realiza uma editoração de todo o material através de softwares apropriados para essa finalidade, a descrição das imagens13 contidas nos textos e a conversão do formato anterior para um formato acessível de acordo com a necessidade do discente atendido (Figura 12).

12 “Braille: sistema de escrita e leitura composto por caracteres formados por arranjos de pontos em relevo empregado na comunicação de pessoas com deficiência visual ou acuidade visual reduzida”. (ALVES, 2014, p. 64).

13 A descrição das imagens é realizada tomando como base a Nota Técnica 21/2012, do Ministério da Educação.

Figura 12 – Fluxo atual do processo de produção de material informacional acessível no LA.

Destaca-se o papel das TICs e Tecnologias Assistivas (TAs) no suporte à atividade de produção da informação acessível. A diversidade de tecnologias utilizadas para este fim perpassam desde softwares destinados à adaptação de textos, scanners ledores até impressoras que imprimem em Braille ou auto-relevo com diferenciação de texturas. No LA, o software utilizado para a editoração é o ABBYY FineReader, cuja função é converter os documentos escaneados, PDFs e fotografias digitais para arquivos eletrônicos pesquisáveis e editáveis como Microsoft Word, Microsoft Excel, Microsoft PowerPoint, Rich Text Format, HTML, PDF/A, arquivo PDF pesquisável, CSV e arquivos de texto. O ABBYY FineReader é uma aplicação de “Reconhecimento Óptico de Caracteres” (OCR) desenvolvida pela empresa ABBYY (ABBYY, 2017). Outros softwares são utilizados no processo de adaptação, tais como o Braille Fácil, que funciona como um editor de textos em Braille, e o DSpeech, programa TTS (text-to-speech) que integra a funcionalidade de ASR (Automatic Speech

Recognition – reconhecimento automático da fala) e permite a leitura em voz alta de textos e

frases, como também permite salvar as gravações em .WAV, .MP3 ou arquivos OGG (TECHTUDO, 2010).

A produção de informação acessível no LA é amparada legalmente pela Lei do Direito Autoral vigente, a Lei nº 9.610/98, especificamente em seu Art. 46, inciso I, alínea d que trata das limitações aos direitos autores para exclusividade de uso por pessoas com deficiência visual (BRASIL, 1998). Ademais, pelo Decreto nº 5.296, de 02 de dezembro de 2004, que determina a garantia da acessibilidade e utilização de serviços e atendimentos (BRASIL, 2004) e pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência nº 13.145, de 06 de julho de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), em seu Art. 68 que determina que o poder público deve adotar mecanismos de incentivo à produção, à edição, à difusão, à distribuição e a comercialização de livros em formatos acessíveis, inclusive em publicações da administração pública ou financiadas com recursos públicos, com vistas a garantir à pessoa com deficiência o direito de acesso à leitura, à informação e à comunicação (BRASIL, 2015). Além disso, pelo Tratado de Marraquexe, assinado em 27 de julho de 2013 pelos 186 países membros da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), cuja disposição é facilitar o acesso às obras publicadas às pessoas cegas, com deficiência visual ou com outras dificuldades para ter acesso ao texto impresso.