7.1 A TERMINOLOGIA OBJETIVO/OBJETO
7.1.2 Objeto da terminologia
O léxico, segundo os dicionaristas Ferreira (1993) e Houaiss (2001), significa o “conjunto de vocábulos de um idioma; repertório total de palavras de uma língua”. O léxico de uma linguagem especializada deve refletir suas caraterísticas e apresentar propriedades de referência especial, apesar de conter elementos de referência geral que não parecem específicos de uma área ou áreas.
Como o número de elementos que forma o léxico de uma língua é infinito, alguns deles podem funcionar como uma palavra e como termo de linguagens distintas.
Aunque resulte difícil distinguir tales elementos en su realización esencial, de manera que el término ‘ruido’ y la palabra ‘ruido’ tienen la misma apariencia y el mismo sentido, puede resultar conveniente classificarlos como formas distintas... (SAGER, 1933, p. 43).
Observa-se, entretanto, que esse fato não se dá de forma aleatória. Quando surge, por exemplo, algo novo que exija um temo apropriado, determina-se o limite, a necessidade do termo, a configuração convencional do conhecimento, para então definir-se, através de consenso, sobre a especificação dos limites dos conceitos. As características que determinam
Tais aspectos definirão se um conceito tem uma ampla extensão ou uma extensão restrita, constituindo-se em um campo genérico ou especializado.
Estudiosos admitem que os conceitos devem ordenar-se segundo certos “esquemas” de classificação e apresentar-se em uma estrutura sistêmica. Para isso, eles seriam caracterizados mediante as relações estabelecidas com outros colidentes ou poderiam gerar novos conceitos, por meio de combinações.
Não existe apenas uma classificação aceita para os conceitos, o que não representa uma dificuldade para as recompilações terminológicas e nem problemas para os bancos de dados. Entretanto, parte do processo de formação dos conceitos está ligada à seleção de relações concretas entre as características conceituais.
Nos campos temáticos, observa-se, também, que os conceitos estão relacioandos por sua natureza ou pelas conexões da vida real dos objetos que representam:
Hoy en dia se admite que para las aplicaciones prácticas se puede estabelecer practicamente cualquier número y tipo de relación conceptual y declarada como requisito para una necesidad concreta; por ejemplo, un objeto puede relacionarse con su origen geográfico, su sustancia material, su método de producción, su uso y función, etc. (SAGER, 1993, p. 55).
Os elementos que caracterizam uma referência especial são os termos que formam a Terminologia, os que funcionam como referentes gerais são chamados de palavras que formam o vocabulário.
Ex. RATO
Referência geral: “ladrão que surrupia o que é dos outros”. Referência especializada: ‘roedor da família dos ...”.´
Também a fraseologia deve ser considerada. Ieda Maria Alves (2001, p. 28) esclarece que:
Na língua geral predomina a formação de unidades lexicais simples, constituídas com um único elemento, nos tecnoletos são mais constantes as formações sintagmáticas, compostas por dois ou mais elementos que integram uma unidade complexa e correspondem a um único conceito.
164-165): é constituído por um substantivo, de caráter genérico, especificado por um adjetivo determinante (cruzeiro real); substantivo determinado seguido de um sintagma preposicionado (taxas de juros); substantivo + adjetivo + sintagma preposicionado (taxas
reais de juros); sintagma preposicionado + adjetivo (taxa de juros nominal); substantivo +
adjetivo + adjetivo (repouso semanal remunerado); formação com nomes próprios, os epônimos (curva de Philips).
As formações sintagmáticas encontradas no corpus em estudo são representadas por diferentes estruturas: um substantivo mais adjetivo. Ex.: petição antecedente, juízo ordinário ou um sintagma preposicionado, ex.: cabeça de sua mulher; referido em fé, ou por um verbo mais um substantivo, ex.: ajustar contas, tocar de legitima.
Para Krieger (2004), os três objetos dessa área são: termo, fraseologia e definição. O termo seria o elemento constitutivo da produção do saber, cujas propriedades favorecem a univocidade da comunicação especializada. A unidade lexical define-se por sua dimensão conceitual, o seu conteúdo específico é a propriedade que o integra a um determinado campo.
O termo não é apenas uma unidade lingüística, como entendiam os clássicos, mas uma unidade de conhecimento (conforme a posição dos novos estudiosos) que não se distingue da palavra do ponto de vista do seu funcionamento. Entretanto, os contextos lingüísticos e pragmáticos contribuem para a definição de uma unidade lexical e explicam a presença de sinonímias e de variações nos repertórios terminológicos. A linguagem e o seu funcionamento são levados em conta, o que não foi considerado pelos primeiros estudiosos sobre o assunto.
[...] os termos não formam parte de um sistema independente das palavras, mas que conformam com elas o léxico do falante, mas ao mesmo tempo, pelo fato de serem multidimensionais, podem ser analisados de outras perspectivas e compartilham com outros signos de sistemas não lingüísticos o espaço da comunicação especializada.
Sendo o termo um componente da linguagem em funcionamento, não se pode negar a sua polissemia. As unidades lexicais quando participam de mais de uma terminologia, expressando diferentes significados em cada área do saber, provam essa qualidade dinâmica da língua que pode remeter tanto para uma área, como para outra.
A idéia de fraseologia, segundo Krieger (2004), seria uma interpretação semântica independente dos sentidos estritos dos constituintes da estrutura. As locuções nominais, locuções verbais, provérbios e frases feitas são entendidas como fraseologias.
A fraseologia interessa aos estudos terminológicos porque se trata de um elemento constitutivo das comunicações profissionais. Seria, portanto, uma estrutura representativa de diferentes áreas temáticas.
Ainda não há uma definição clara para a fraseologia, aproximando-se às vezes do sintagma terminológico, a exemplo de inventario de bens; as unidades fraseológicas também são concebidas como frases feitas, próprias de determinados âmbitos, como: revoguem-se as
disposições em contrário.
Segundo alguns especialistas, ela se caracteriza por apresentar uma configuração específica, situando-se entre o termo e a frase, mas nunca chegando à estrutura da frase.
Ao se propor uma definição, deve-se ter o cuidado de observar que, tanto o gênero próximo, quanto a diferença específica devem dar conta, juntos, do seu conteúdo, de tal maneira que se aplique apenas a um conjunto de entes. As definições devem privilegiar características essenciais do que está se definindo, com objetividade e clareza.
Parece ser um consenso entre muitos autores que a Terminologia tem caráter interdisciplinar, apresentando os seguintes objetivos, a partir da visão de M. Teresa Cabré (1999):
a) explicar as semelhanças entre o conhecimento geral e o especializado, sem dissociá-lo da competência do falante especialista;
b) explicar a interdisciplinaridade e multidimensionalidade das unidades terminológicas e dar conta da diversidade de visões que têm dela diferentes especialistas;
c) dar conta de como um conceito pode formar parte da estrutura conceitual de distintas disciplinas, conservando, tocando ou combinando suas características, explicando se é o mesmo conceito e como se produziu essa circulação conceitual;
d) oferecer critérios, tanto para descobrir unidades monossêmicas, como as polissêmicas ou polivalentes e definir os limites dessa variação.
As variações sociolingüísticas que as línguas apresentam, decorrentes da comunicação entre os falantes é algo complexo, constatando-se muitos obstáculos nesse processo, determinados pelos fatores lingüísticos e, no entanto, devem sempre ser considerados.
Segundo os dicionaristas, definir é explicar o significado de um símbolo expresso linguisticamente. As definições gerais, também chamadas de enciclopédicas, descrevem um símbolo ou um conceito, através de suas funções no campo temático em que aparecem.
Nas definições lexicográficas, o fim é explicar o significado de elementos léxicos de uma língua, estabelecendo relações entre eles e outros elementos. Servem ainda para estabelecer diferenças entre palavras homônimas e polissêmicas, além de explicar o uso de palavras menos freqüentes.
Las definiciones generales o enciclopédicas describen un concepto de manera comprensible desde un punto de vista general a través de sus funciones etc. en el campo temático respectivo en el que aparece. Las definiciones especializadas describen un concepto dentro de un campo temático especializado (SAGER, 1993, p. 68).