5 MATERIAIS E MÉTODOS 157
5.2 Objeto de Estudo 160
Escolheu-se como objeto de estudo os processos de elaboração dos planos diretores do Município de Bauru. Dá-se destaque para o Plano Diretor Participativo, realizado no período de maio de 2005 a junho de 2006, com equipe de técnicos do quadro de funcionários da prefeitura, auxiliados pelo Núcleo Gestor e composto por membros da sociedade civil, buscando ampla participação popular.
A autora fez parte da equipe, enquanto coordenadora, e, sendo funcionária da Prefeitura Municipal - Secretaria de Planejamento há mais de 25 anos, vivencia a grande
mudança na forma de planejamento, as dificuldades para viabilizar essa nova política, a resistência de técnicos e de políticos no compartilhamento de decisões e, em especial, a falta de conhecimento das técnicas adequadas para realização do processo de consulta, que é um dos objetos dessa pesquisa.
A seguir, será feita a caracterização do Município Bauru com breve histórico da formação e da expansão da cidade até o final da década de 60, quando é elaborado o primeiro plano diretor do município.
5.2.1 Características do Município de Bauru
O Município de Bauru está localizado na região central do Estado de São Paulo, distante 320 Km da capital. É servido por ampla rede rodoviária e ferroviária que interliga o litoral a diversas regiões do Estado e Mato Grosso do Sul. Possui aeroporto com capacidade para pouso de grandes aeronaves e dista 30 km da Hidrovia Tietê-Paraná. Essas condições são preponderantes no desenvolvimento econômico do Município e região.
Figura 6: Localização do Município de Bauru Fonte: http://www.bauru.sp.gov.br
A indústria é a principal fonte de arrecadação, porém, o comércio e a prestação de serviços são os maiores geradores de empregos, com destaque para o setor de saúde e de educação.
Na zona rural, apesar da predominância de pastagens para criação de bovinos de corte, apresenta agricultura diversificada, com grande potencial para fruticultura. Atualmente, já se sente a pressão da cana-de açúcar - cultura predominante nos municípios lindeiros.
O Município possui 674 km², sendo, aproximadamente, 150 km² limitados pelo perímetro urbano, com uma população, em 2007, de 347.601 habitantes, segundo estimativa do IBGE.
5.2.2 Formação e expansão da cidade
Segundo Ghirardello (1992), a formação do povoado de Bauru teve origem com a doação à Fábrica Matriz do Divino Espírito Santo, em 15 de novembro de 1884, por parte de Antônio Teixeira do Espírito Santo, de parte de sua Fazenda das Flores, dedicada aos santos de sua devoção, Divino Espírito Santo e São Sebastião, para a formação de um patrimônio com o nome de Bauru, subordinado à Vila de Espírito Santo da Fortaleza.
Em 1888, foi indicado um arruador, Vicente Ferreira de Farias, para elaborar o traçado das ruas. Tomando por base o caminho existente no sentido N-S (atual Araújo Leite), e no sentido L-O, o limite da área doada traça uma malha quadriculada de 88x88m, sem preocupação com a topografia, os pontos de interesse, os eixos principais, as avenidas ou a área para praça.
Em 1893, foi feita uma nova doação de gleba anexa à primeira, por Veríssimo Antônio Pereira, sendo o arruamento expandido até o novo limite.
Em 1896, houve a transferência da sede do Município para a Vila de Bauru, data em que se comemora sua emancipação.
Com o início das obras da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (ENOB), em 1906, e a chegada das ferrovias Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), em 1905, e Companhia Paulista de Estrada de Ferro (CPEF), em 1910, houve um grande crescimento da cidade, com a vinda dos engenheiros, dos técnicos e dos operários encarregados das obras de construção das ferrovias, mas também de um grande contingente de população atraída pelas novas indústrias que se instalavam em função da ferrovia e do incremento do comércio.
A ferrovia invadiu áreas que não indenizou, alterou o traçado original para valorizar a estação, interrompeu ruas e reforçou a barreira apresentada pelo rio Bauru e seus afluentes, pois chegou pelos fundos de vale.
O alto custo dos terrenos dentro do Patrimônio fez com que grande parte dos novos moradores procurassem terrenos fora do perímetro urbano, pois eram mais baratos devido à falta de melhoramentos e às dificuldades de acesso. Essas aglomerações deram origem aos novos bairros, traçados segundo a conveniência do loteador para maior aproveitamento da gleba.
O poder público assistiu passivamente a divisão aleatória do solo, sem nenhuma política de controle da expansão urbana. Os primeiros Códigos de Posturas foram extremamente liberais com relação ao parcelamento do solo, dispensando o loteador de qualquer obrigação, exigindo apenas a apresentação da planta para aprovação e regulamentação com relação à largura das ruas.
A partir dessa época, a cidade passou a ser chamada, com orgulho, de “Cidade sem Limites”, slogan incentivado pelo prefeito, que também era loteador.
Figura 8: Praça Portugal [195-]
Esse período foi caracterizado, então, pela falta de gestão. Não existia um corpo técnico controlando ou orientando o crescimento da cidade, mas apenas aprovando os projetos apresentados à prefeitura.
No final da década de 60, a população do município ultrapassou 130.000 habitantes. A cidade já enfrentava os problemas decorrentes da falta de controle da expansão urbana, com loteamentos implantados sem nenhuma infra-estrutura, uma vez que não havia regras municipais estabelecendo essa exigência.
Esses loteamentos, em muitos casos, não eram ocupados de imediato. Os lotes, em grande parte eram vendidos para investidores de outros municípios. As glebas, por vezes, eram tão distantes do núcleo central que se tornava impossível até mesmo a correta demarcação, pela inexistência de coordenadas ou outro referencial implantado pela Prefeitura. Do mesmo modo, a infra-estrutura resultava, evidentemente, mais cara devido à grande dista e ao pequeno número de beneficiários atendidos (BAURU, 1996, p. 3).
Vivia-se, nesse momento, em todo o país, uma euforia pela elaboração dos Planos Diretores como forma de resolver os problemas urbanos que vêm se agravando nos últimos anos.
Em 1968, foi aprovado o 1º Plano Diretor de Bauru, denominado Plano Geral de Organização Urbana, que marcou uma nova ordem (mais em função da criação do Escritório Técnico de Projeto e Planejamento do que pelas disposições do texto legal), cujas propostas não foram implementadas, conforme evidenciado no item 6.1.