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CAPÍTULO II PRINCÍPIOS DO DIREITO CONTRATUAL

2.4 Obrigatoriedade

Com escopo de melhor compreender o princípio da obrigatoriedade, torna-se interessante retomar as bases do Direito Romano que determina que o contrato tem força de lei entre as partes e qualquer contratante que não cumpra com as obrigações assumidas está sujeito à execução específica do contrato ou à resolução do contrato. Atribui-se à eficácia obrigatória do contrato, o fato de ter sido livremente estipulado ou aceito, o que quer dizer que as partes concordaram em impor restrições recíprocas à futura liberdade, e o fato de ter sido celebrado no próprio interesse, isto é, em razão das vantagens que irão auferir com ele.

No entanto, surge mais um argumento para a quebra objetiva do contrato nas bases da obrigatoriedade: se o contrato vincula as partes pelo fato de ter sido livremente por elas estipulado em benefício próprio, a obrigatoriedade se vê em xeque a partir do momento em que não mais se aufere vantagens ou benefícios deste contrato.

Assim, observa-se que o direito contemporâneo limitou, todavia, também a obrigatoriedade de realizar as prestações decorrentes dos contratos, interpretando tal obrigatoriedade rebus sic standibus, ou seja, enquanto as situações das partes não sofrerem modificações substanciais não cabe revisão ou reajustamento do contrato, mas caso haja tais transformações, uma revisão ou reajustamento do contrato se torna possível.102

102 Rosana Guida Krastins MARCELINO, Os princípios de Direito Privado e a liberdade In NERY,

2.5 Intangibilidade

O princípio da intangibilidade abaliza-se no fato de que o conteúdo do contrato não pode ser modificado em razão da necessidade de preservar o resultado do acordo de vontades e a estabilidade dos negócios jurídicos. Para isso, nem as partes, nem o Poder Judiciário, estariam autorizados, em princípio, a modificar o conteúdo de um contrato. De acordo com tal princípio, a intervenção judicial deveria resultar, como regra, na decretação da nulidade ou na resolução do contrato e não na modificação de seu conteúdo.

Todavia, Orlando Gomes afirma que a grande maioria da doutrina aceita a possibilidade da alteração dos contratos judicialmente – como exceção à regra da intangibilidade – nos casos em que ocorra fato imprevisível que modifique o estado de fato quando da celebração do contrato (teoria da imprevisão) e também quando o cumprimento do contrato se tornar demasiadamente oneroso para uma das partes, reservada esta hipótese para fatos supervenientes ocorridos nos contratos de consumo, porque social é todo o direito. Não obstante os conceitos como autonomia da vontade e negócio jurídico exijam proteção, a intangibilidade dos contratos é reduzida pelas chamadas normas imperativas, ou seja, a concepção predominante não é mais a da auto-regulação, do pacta sunt servanda, mas sim a do interesse social.103

2.6 Boa-Fé

Para compreender melhor as questões do princípio da boa-fé, são importantes as considerações de Miguel Reale, nas quais declara de modo inicial que as normas jurídicas estão fundadas na pluralidade de valores, tais como liberdade, igualdade, ordem e segurança. No entanto, a justiça é a condição primeira

103 Rosana Guida Krastins MARCELINO, Os princípios de Direito Privado e a liberdade In NERY,

de todos eles, ou seja, a justiça vale para que todos os valores valham, e para tanto a boa-fé faz-se necessária.104

A boa-fé objetiva constitui um princípio geral aplicável ao Direito. Pode-se defini-la como um princípio geral de Direito, segundo o qual todos devem comportar- se de acordo com um padrão ético de confiança e lealdade.105 Gera deveres secundários de conduta, que impõem às partes comportamentos necessários, ainda que não previstos expressamente nos contratos, que devem ser obedecidos a fim de permitir a realização das justas expectativas surgidas em razão da celebração e da execução da avença.

Como se vê, a boa-fé objetiva diz respeito à norma de conduta que determina como as partes devem agir. Todos os Códigos modernos trazem as diretrizes do seu conceito, e procuram dar ao juiz diretivas para que possa decidir.

Assim sendo, mesmo na ausência da regra legal ou previsão contratual específica, da boa-fé nascem os deveres, anexos, laterais ou instrumentais, dada a relação de confiança que o contrato fundamenta. Não se orientam diretamente ao cumprimento da prestação, mas sim ao processamento da relação obrigacional, isto é, a satisfação dos interesses globais que se encontram envolvidos. Pretendem a realização positiva do fim contratual e da proteção à pessoa e aos bens da outra parte contra os riscos de danos concomitantes.

Nos assuntos ligados à boa-fé analisam-se as condições em que o contrato foi firmado, o nível sociocultural dos contratantes, seu momento histórico e econômico, com escopo de interpretar a vontade contratual.

Deve-se crer que, em princípio, nenhum contratante celebra contrato sem a necessária boa-fé. Mas a má-fé inicial ou interlocutória deve ser punida. E em cada caso o juiz deverá definir quando e onde foi o desvio dos partícipes do contrato, e levará em conta a hermenêutica e interpretação.

As cláusulas gerais inseridas no novo Código Civil não expressam perfeita ideia do conteúdo, pois tem tipificação aberta e com conteúdo dirigido aos juízes. No

104 Miguel REALE,

A Boa no Código Civil. Disponível em:

http://www.miguelreale.com.br/artigos/boafe.htm, acesso em 23 de junho de 2010.

105 Ruy Rosado de AGUIAR, O poder judiciário e a concretização das cláusulas gerais: limites e

entanto, constituem-se em mecanismo técnico-jurídico para aferição da abusividade do negócio jurídico ou da interpretação da vontade.

Pretende-se preservar a função econômica para a qual o contrato foi concebido, resguardando-se a parte que tiver seus interesses subjugados aos de outra. O Código Civil de 2002 prevê a boa-fé objetiva em três grandes momentos. O primeiro momento é o do artigo 113, que tem função hermenêutico-interpretativa ao prescrever que “os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração”. A seguir, é a vez do artigo 187, com sua função do controle dos limites do exercício de um direito, que assim prevê: “também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”. Por fim, o terceiro momento é o mais importante para as obrigações, por apresentar função integradora dos negócios jurídicos no que diz respeito à conduta das partes, nos termos do artigo 422: “os contratantes são obrigados a guardar, assim, na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios da probidade e boa-fé”. 106

Não há dúvida que a noção de boa-fé objetiva, prevista pelo novo Código Civil, é a mesma que, em 1990, se pretendeu incorporar ao Código de Defesa do Consumidor – qual seja, a de uma cláusula geral de lealdade e colaboração para o alcance dos fins contratuais –, mas difere profundamente daquela visão protetiva da boa-fé que os Tribunais brasileiros aplicaram e continuam aplicando às relações de consumo. De fato, a noção de boa fé não tem ontologicamente este caráter protetivo. E em relações paritárias, como as que são tuteladas pelo Código Civil, não faz sentido atribuir uma função reequilibradora à boa-fé, pela simples razão de que, a princípio, não há, nestas relações desequilíbrio a proteger. Mais: aquela invocação indiscriminada da boa-fé objetiva como referência ética genérica, se era inofensiva nas relações de consumo, onde um sem-número de outros mecanismos a ela se somavam na indicação de uma solução favorável ao consumidor, torna-se altamente perigosa nas relações paritárias. Isto porque, não havendo, nestas relações, uma definição apriorística de que parte se deve proteger, torna-se necessário, para se chegar à solução adequada, preencher o conteúdo da boa-fé objetiva, não bastando

106 Daniel Penteado de CASTRO, Breves considerações acerca da boa-fé objetiva e revisão

contratual In PEREIRA JUNIOR, Antônio Jorge; JABOUR, Gilberto Haddad (coords.). Direito dos Contratos II, p. 74.

mais sua simples invocação vazia de qualquer consideração concreta. Ao contrário do que ocorre nas relações de consumo, nas relações paritárias a insistência nesta concepção excessivamente vaga e puramente moral da boa-fé objetiva traz o risco de sua absoluta falta de efetividade na solução dos conflitos de interesses.107

A despeito do o Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/79) não tratar expressamente da boa-fé objetiva, dispõe de inúmeros mecanismos destinados a coibir a má-fé processual, o que se aproxima mais da boa-fé subjetiva. Neste contexto, a boa-fé objetiva pode ser aplicada sob a ótica da comprovação da má-fé processual das partes, funcionando mais como um princípio axiológico que um a norma processual prevista em lei. A título de elucidação, o Código de Processo Civil, ao arrolar em seu artigo 14 os deveres das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo, prevê em seu parágrafo único a aplicação de multa de acordo com a gravidade da conduta e não superior a 20% (vinte por cento) do valor da causa à parte que comete ato atentatório à dignidade da jurisdição previsto no inciso V desse mesmo artigo.108

Ademais, a boa-fé objetiva é um padrão genérico objetivo, de comportamento, que exige do contratante uma atuação refletida, preocupada com a outra parte. Cuida-se de um princípio que impõe a cada uma observância de comportamento respeitoso com a outra parte, que seja leal, não abusivo, nem lesivo.

A boa-fé objetiva é atribuída, entre outras, à função de ser fonte de novos deveres especiais de conduta durante o vínculo contratual, denominados obrigações acessórias, e atuar como causa limitadora do exercício, antes lícito, hoje abusivo, dos direitos subjetivos. Chama atenção ainda, o fato de que o princípio da boa-fé, bem como o da função social do contrato e da equivalência contratual não decorrem do princípio da autonomia da vontade, como era com os princípios norteadores dos contratos no passado.109

107 Gustavo TEPEDINO e Anderson SCHREIBER, A Boa Fé Objetiva no Código de Defesa do

Consumidor e no Novo Código Civil (artigos 113, 187 e 422). In TEPEDINO, Gustavo. Obrigações: estudos na Perspectiva Civil Constitucional, p.34.

108 Conforme Daniel Penteado de CASTRO, Breves considerações acerca da boa-fé objetiva e

revisão contratual In PEREIRA JUNIOR, Antônio Jorge; JABOUR, Gilberto Haddad (coords.). Direito dos Contratos II, p. 67.

109 Conforme Sílvio Luis Ferreira da ROCHA, Princípios Contratuais. In NANNI, Giovanne Ettore.

Se no Direito Romano era prevista a interpretação literal do instrumento contratual, isentando a análise subjetiva de seu conteúdo e de suas consequências, a evolução do conceito do próprio instituto e, por que não afirmar, do Direito, conduziu a consciência de que a boa-fé é um dos princípios basilares da contratualidade.

É importante notar que, consoante Izner Hanna Garcia, o princípio da boa-fé está intimamente ligado ao princípio da supremacia da ordem pública e do bem comum, já que quando o artigo 113 do Código Civil110 reconhece como princípio básico o dever de agir com boa-fé, procura dar à sociedade e suas relações socioeconômicas uma convivência imbuída de lealdade e confiança.111

Nesse sentido, vale relembrar o conceito de idoneidade como pressuposto contratual. Assim, quando se fala em princípio da boa-fé, busca-se proteger a própria ordem jurídica em seu todo, assegurando à sociedade que todos devem contratar com boa-fé.

Pelo princípio da boa-fé imagina-se a necessidade de compreender ou interpretar o contrato segundo as regras da lealdade e confiança entre as partes contratantes, já que não se pode aceitar que um contratante tenha firmado o pacto com má-fé, visando tirar proveito injustamente à custa do prejuízo de outrem. Nesse aspecto resgata-se a lealdade recíproca presente em todo o Direito de raízes romanas.112

Desta forma, pode-se conceituar a boa-fé objetiva como um conceito ético de conduta, moldado nas ideias de proceder com correção, com dignidade e probidade, pautadas as atitudes nos princípios da honestidade, da boa intenção e no propósito de prejudicar ninguém.113

Torna-se importante distinguir entre a boa-fé objetiva e subjetiva, e para tanto cita-se a distinção realizada com grande propriedade por Daniel Penteado de Castro:

110“Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de

sua celebração.”.

111 Izner Hanna GARCIA, Revisão de Contratos no Novo Código Civil, p.30. 112 Ibidem, p.30.

113 Sílvio RODRIGUES, Direito Civil. Dos Contratos e das declarações unilaterais de vontade, vol. 3,

Denomina-se „objetiva‟ porque a sua finalidade é impor aos contratantes uma conduta de acordo com os ideais de honestidade e lealdade, independentemente do subjetivismo do agente; em outras palavras, as partes contratuais devem agir conforme um modelo de conduta social, sempre respeitando a confiança e o interesse do outro contratante. Já na boa fé subjetiva, o manifestante de vontade crê que sua conduta é correta, tendo em vista o grau de conhecimento que possui de um negócio. Para ele há um estado de consciência ou aspecto psicológico que deve ser considerado. 114 Assim sendo, a boa-fé objetiva analisa as condições em que o contrato foi firmado, seu momento histórico e econômico, bem como o nível sociocultural dos contratantes.

A antítese desta espécie, para Daniel Penteado de Castro “não é permitir a intenção de prejudicar, como na boa-fé subjetiva, mas a exteriorização de um comportamento ímprobo, egoísta ou reprovável, verificado sob a ótica da vida em harmonia dentro da comunidade”.115

Seria afronta ao princípio da boa-fé objetiva, portanto, um ato que viola um dever adjacente ao contrato, cuja análise não se encontra permeada somente na intenção das partes contratantes, como também nas condutas por elas perpetradas, antes, durante e após a execução do contrato.

2.7 Relatividade de Efeitos

O princípio da relatividade dos contratos surgiu entre os romanos em virtude do caráter estritamente pessoal da obrigação dentro da sistemática do direito que construíram primitivamente, a qual importava na sujeição pessoal do obligatus ao poder – manus – do credor. A pessoalidade da obrigação impedia que o contrato projetasse seus efeitos com relação a terceiros não participantes do mesmo no momento de sua formação.116

114 Daniel Penteado de CASTRO, Breves considerações acerca da boa-fé objetiva e revisão

contratual In PEREIRA JUNIOR, Antônio Jorge; JABOUR, Gilberto Haddad (coords.). Direito dos Contratos II, p. 99.

115 Ibidem, p. 100.

Sílvio de Salvo Venosa afirma que o contrato sobre bem que não pertence aos sujeitos não atinge terceiros.117 Deve-se ter em mente que a relatividade do contrato é ato de autonomia contratual, por meio do qual as partes têm a prerrogativa de regular seus próprios interesses

Importante frisar que as partes são centros de interesses compostos pelos sujeitos que integram o vínculo contratual, e terceiros são pessoas estranhas a essa relação jurídica que, no entanto, podem vir a sofrer as consequências do contrato ou auferir suas vantagens.

Justifica-se tal retorno às noções elementares da teoria geral dos contratos, na medida em que frequentemente se confundem os sucessores causa mortis – tanto a título universal quanto singular – e os sucessores inter vivos, a título particular, com os terceiros, o que na verdade constitui-se um equívoco, visto que ao assumirem a posição dos seus predecessores tornam-se partes nos contratos. Também nos contratos coletivos, quer nos oriundos das relações trabalhistas, quer nos relativos ao consumidor, por vezes se verifica certa incorreção técnica ao se definir, como terceiros, a coletividade de pessoas que será atingida por seus efeitos.

Os contratos denominados oponíveis admitem a oposição do terceiro quando o contrato alheio a sua pessoa, considerado como fato, causa-lhe prejuízo digno de proteção. O credor, por exemplo, pelo fato de ser sujeito ativo de uma relação jurídica obrigatória, da qual um dos contratantes é sujeito passivo, pode ter a esfera dos respectivos interesses afetada pelo contrato, o que normalmente ocorre quando o contrato diminui o patrimônio do devedor, que era a garantia do credor de que receberia o seu crédito. Nesse caso, presentes certos requisitos, o credor terá a possibilidade de pedir a ineficácia do contrato em relação a sua pessoa, na hipótese de fraude de execução, ou a invalidação do contrato, na hipótese de fraude contra credores.118

117 Sílvio de Salvo VENOSA, Direito Civil: Teoria geral das obrigações e teoria geral dos contratos,

Contratos em espécie e Responsabilidade Civil, p. 26.

118 Sílvio Luis Ferreira da ROCHA, Princípios Contratuais. In NANNI, Giovanne Ettore. Temas

2.8 Justiça Contratual

O princípio do equilíbrio contratual ou da justiça contratual tem por finalidade buscar com que o contrato seja realizado em uma ordenação objetivamente justa nas relações entre os contratantes, que supere e torne inócua a desigualdade fática das partes.119

É possível afirmar que o princípio da justiça contratual apresenta determinadas características, dentre as quais é possível citar:

(i) a equivalência objetiva entre prestação e contraprestação exigindo que ambas tenham valor sensivelmente correspondente. Encontram-se manifestações concretas sobre isto na exceção do contrato não cumprido; no abatimento do preço por vício da coisa e evicção; na proibição da perda das parcelas pagas (prevista no artigo 53120 da Lei nº. 8.078/90);

(ii) na justa distribuição de ônus e riscos do contrato (artigo 234121 e 494122 do Código Civil);

(iii) na proibição da lesão. No que diz respeito aos defeitos do negócio jurídico, Silvio Luís Ferreira da Rocha123 fala que o novo Código Civil disciplinou o instituto da lesão considerando anulável o negócio jurídico realizado por pessoa sob premente necessidade ou inexperiência que se

119 Sílvio Luis Ferreira da ROCHA, Princípios Contratuais. In NANNI, Giovanne Ettore. Temas

relevantes do Direito Civil Contemporâneo, p. 72.

120

“Art. 53. Nos contratos de compra e venda de móveis ou imóveis mediante pagamento em prestações, bem como nas alienações fiduciárias em garantia, consideram-se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda total das prestações pagas em benefício do credor que, em razão do inadimplemento, pleitear a resolução do contrato e a retomada do produto alienado.

§ 1° (Vetado).

§ 2º Nos contratos do sistema de consórcio de produtos duráveis, a compensação ou a restituição das parcelas quitadas, na forma deste artigo, terá descontada, além da vantagem econômica auferida com a fruição, os prejuízos que o desistente ou inadimplente causar ao grupo.

§ 3° Os contratos de que trata o caput deste artigo serão expressos em moeda corrente nacional.”.

121

“Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.”.

122

“Art. 494. Se a coisa for expedida para lugar diverso, por ordem do comprador, por sua conta correrão os riscos, uma vez entregue a quem haja de transportá-la, salvo se das instruções dele se afastar o vendedor.”.

123 Sílvio Luis Ferreira da ROCHA, Princípios Contratuais. In NANNI, Giovanne Ettore. Temas

obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação (artigo 157124 do Código Civil). Henrique da Silva Lima125 também fala sobre o instituto da lesão no Código Civil; e,

(iv) na proibição das cláusulas abusivas.

À procura de equilíbrio contratual, o direito destacará o papel da lei como limitadora e como verdadeira legitimadora da autonomia da vontade. A lei passará a proteger determinados interesses sociais, valorizando a confiança depositada no vínculo, as expectativas e a boa-fé das partes contratantes.126

Importante ressaltar que, para combater a violação ao princípio da justiça