• Nenhum resultado encontrado

3 INDEXAÇÃO E ANÁLISE DE ASSUNTO: O PROCESSO E AS

4.2 OBSERVAÇÃO COMO TÉCNICA COMPLEMENTAR DE COLETA DE

A Observação como técnica de coleta de dados permite ao pesquisador o contato próximo com o ambiente, no qual seu objeto de estudo encontra-se inserido. Utilizaremos Observação, com a letra “o” em maiúscula, para referir-se a palavra no sentido de procedimento científico e observação, como ato ou efeito de observar.

A partir do momento que o pesquisador se interessa pela investigação de um aspecto da realidade, a observação pode assumir uma forma metodológica, para que se busque o conhecimento científico do aspecto que se almeja conhecer (PÁDUA, 2000). Com isso, constata-se que a Observação na esfera científica não é um ato simples, sem base e meramente informal. Torna-se um elemento de fundamental importância, desde a coleta até a análise e interpretação dos dados.

O papel importante nos processos observacionais está no contexto da descoberta e consequentemente, de direcionar o investigador a um contato mais direto com a realidade, sendo esse considerado “[...] o ponto de partida da investigação social.” (MARCONI; LAKATOS, 2007, p.193).

A Observação é considerada método de investigação e “é, todavia, na fase de coleta de dados que o seu papel se torna mais evidente. A observação é sempre utilizada nessa etapa, conjugada a outras técnicas ou utilizada de forma exclusiva.” (GIL, 1999, p. 110).

Nessa investigação, adotou-se a Observação como técnica de coleta de dados em parceria com o Protocolo Verbal Individual, por se entender que é uma ferramenta de auxílio para revelar contato com situações reais, contribuindo de forma positiva para que a “[...] subjetividade, que permeia todo o processo de investigação social, tende a ser reduzida.” (GIL, 1999, p. 110).

Do ponto de vista científico, a Observação como técnica de pesquisa consiste na obtenção de informações através do uso dos sentidos, não apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que se pretende estudar (MARCONI; LAKATOS, 2007). Centra-se no ato do pesquisador notar pela observação, ou seja, olhar detidamente o sujeito e o ambiente de pesquisa, tornando possível captar a realidade do entorno.

Triviños (1987) esclarece que com a Observação é possível individualizar ou agrupar fenômenos em uma realidade para descobrir os aspectos profundos, captando a essência numa perspectiva específica e ampla, mas também de contradições, dinamismos de relações, entre outros.

Como técnica utilizada na investigação científica, a Observação pode variar e adotar diversas modalidades, de acordo com as circunstâncias. Marconi e Lakatos (2007), baseados no trabalho de Ander-Egg (1978), efetivam a Observação em quatro modalidades:

o segundo os meios utilizados: Observação Estruturada (Sistemática) e Observação Não

Estruturada (Assistemática);

o segundo a participação do observador: Observação Participante e Observação Não

Participante;

o segundo o número de observações: Observação Individual e Observação em Equipe; o segundo o lugar onde se realiza: Observação Efetuada na Vida Real (trabalho de

campo) e Observação Efetuada em Laboratório.

Gil (1999) divide a Observação em duas maneiras: quanto aos meios utilizados - Observação Estruturada ou Não Estruturada - e segundo o grau de participação do observador: Participante ou Não Participante.

De acordo com o autor supracitado, a Observação tende a adotar formas não estruturadas, podendo utilizar uma classificação que considera os critérios apontados acima, os meios utilizados e a participação do observador. Em relação a participação, Gil (1999, p. 111) as divide em: “a) Observação Simples; b) Observação Participante; e c) Observação Sistemática.”

Percebe-se então que de acordo com os autores, as denominações que envolvem a Observação como técnica de coleta de dados podem variar. Para fins dessa pesquisa, será adotada a nomenclatura Observação Assistemática (MARCONI; LAKATOS, 2007), também compreendida como Observação Simples (GIL, 1999).

A forma Assistemática, também denominada de Não Estruturada61, consiste em recolher e registrar os fatos da realidade sem que o pesquisador precise realizar perguntas diretas. “É mais empregada em estudos exploratórios e não tem planejamento e controle previamente elaborados.” (MARCONI; LAKATOS, 2007, p. 194).

Ainda de acordo com Marconi e Lakatos (2007, p. 195 apud ANDER-EGG, 1978) “[...] a observação assistemática ‘não é totalmente espontânea ou casual, porque um mínimo de interação, de sistema e de controle se impõem em todos os casos, para chegar a resultados válidos.’ De modo geral, o pesquisador sempre sabe o que observar.”

Dentre as técnicas de coleta de dados, a Observação é considerada a que possui menor estruturação para coleta e a literatura metodológica não propõe um tipo específico de instrumento para apoiar e direcionar o processo.

Sendo assim, visando diminuir as interferências na coleta de dados, para o registro da Observação dessa pesquisa, será empregado o instrumento de natureza metodológica denominada Anotações de Campo, proposto por Triviños (1987), buscando observar os pontos de orientação da análise de assunto pelo catalogador.

O autor supracitado, explica as Anotações de Campo como o processo completo de coleta e análise de informações, abrangendo desde descrições de fenômenos sociais e físicos, até explicações destes, compreendendo a totalidade da investigação. O autor ainda descreve as Anotações de Campo como aparato metodológico para ser utilizado na Observação Livre em pesquisa qualitativa, enquanto o sujeito desenvolve determinada situação. Utilizaremos a proposta de Anotações de Campo de Triviños para a Observação Assistemática, como técnica de coleta de dados complementar para essa pesquisa.

Triviños (1987, p. 154) pautando-se em Bogdan, Wilson e Lofland, trabalha com o conceito de Anotações de Campo como sendo a “descrição por escrito de todas as manifestações (verbais, ações, atitudes, etc.) que o pesquisador observa no sujeito; as circunstâncias físicas que se considerem necessárias e que rodeiam a este, etc.” O autor ainda distingue dois tipos de Anotações de Campo, sendo: a descritiva e a reflexiva.

61

De acordo com Marconi e Lakatos (2007, p. 194) outras nomenclaturas podem ser atribuídas a Observação Assistemática,

A de natureza descritiva baseia-se na descrição de fenômenos como início para avançar na explicação e compreensão por completo do fato estudado em seu contexto. Em relação à Anotação de natureza reflexiva, a consistência está nas reflexões do processo de observação, sendo que o pesquisador se encontra em “permanente estado de alerta intelectual” (TRIVIÑOS, 1987, p. 157).

Pelo fato do pesquisador envolver-se por inteiro no processo da pesquisa, este deve manter atenção para que ao surgir uma ideia motivada por qualquer detalhe do que se observa, ele rapidamente deve registrá-la. O referido registro que envolve o estado permanente de alerta intelectual do investigador é denominado pelo autor de “Reflexões do Observador (R.O.)” e deve ser feito no mesmo texto ao qual o pesquisador descreve a anotação da observação que esta sendo realizada (TRIVIÑOS, 1987, p. 157).

Assim, essas reflexões ficam registradas para posterior uso e acredita-se na importância em se utilizar ambos os tipos de Anotações de Campo, pois dessa maneira será possível o registro completo do que se observa. Por isso utilizar-se-á as duas anotações (de natureza descritiva e a de natureza reflexiva) no registro da coleta de dados pela Observação dessa pesquisa, adotando-se o “Esquema de Anotações de Campo” proposto por Triviños (1987, p. 158).

É visível o escasso registro na literatura da área de Ciência da Informação sobre a utilização da técnica de Observação, mas Cunha (1982) cita seu emprego na temática Estudo de Usuários, da esfera científica e tecnológica, área essa entendida na abrangência das denominações: biblioteca, centro de documentação, centro de informação ou centro de informática. No artigo, o autor menciona outras metodologias, apontando vantagens e desvantagens de uso e aplicação.

O Esquema de Triviños (ANEXO B) norteou a pesquisadora na obtenção dos registros das observações realizadas. Além do Esquema de Anotações para a Observação, também se usou como apoio as etapas descritas por Florestan Fernandes (apud CUNHA, 1982, p. 12) as quais elencam o processo intelectual da Observação, onde o autor a dividi em três fases distintas, sendo:

Primeira - as operações através das quais são acumulados os dados brutos, de cuja análise dependerá o conhecimento objetivo dos fenômenos estudados;

Segunda - as operações que permitem identificar e selecionar nessa massa de dados os fatos que possuem alguma significação determinável na produção daqueles fenômenos;

Terceira - as operações mediante as quais são determinadas, isoladas e coligidas - nesse grupo restrito de fatos - as instâncias relevantes para a reconstrução e a explanação dos fenômenos, nas condições em que foram consideradas.

Aplicar a Observação na coleta de dados também decorre da necessidade de compreender alguns fatores interferentes ao contexto do catalogador de assunto, considerando que o ambiente de atuação profissional exerce influencias variadas.

Pela Observação é possível compreender o contexto do sujeito, pois o pesquisador constatará o ambiente pelo olhar. No entanto, a presença do pesquisador pode ocasionar algum tipo de alteração de comportamento do sujeito, interferindo na espontaneidade do mesmo ao produzir resultados confiáveis. Porém, se adentrarmos no ponto que a presença do pesquisador pode ocasionar alguma alteração, sem a presença dele não haveria a pesquisa.

De certa forma, pelo motivo dos sujeitos saberem que a pesquisadora é bibliotecária e assim como eles, atua em biblioteca do IF, de modo geral, os sujeitos da pesquisa não se sentiram tímidos durante a coleta de dados. Todos os quatros colaboraram com o processo de investigação.

Como em toda técnica, a da Observação também possui vantagens e desvantagens, todavia, ela é dinâmica e cabe ao pesquisador voltar seu olhar para o sujeito e o ambiente, considerando o processo que deve observar, mantendo-se neutro para não criar rótulos, nem assertivas ou negativas do processo que esta sob seu foco.

Este trabalho não tem a pretensão, por seus próprios limites, de esgotar a análise em curso, mas, outrossim, compartilhar preocupações e quem sabe, provocar a inquietação geradora de novas descobertas. Para isso, seguem no próximo capítulo a análise e discussão dos dados coletados.

Documentos relacionados