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Obter modelos de textos orais

No documento vanessatitonellialvim (páginas 125-128)

Todas as oficinas realizadas podem servir como exemplos e modelos de textos orais disponibilizados para alunos. Porém, sistematizamos em uma das intervenções (oficina 5: “Preparação para entrevista”) um trabalho específico com o processo de modelização42 do gênero entrevista, intervenção essa que escolhemos para análise e discussão.

No planejamento dessa oficina, tínhamos como objetivo construir conhecimento sobre alguns elementos de uma entrevista oral, para posteriormente realizarem uma como o vereador Jucélio Maria. Para isso, apresentarmos dois modelos de entrevistas para análise da estrutura de participação.

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Adotamos, nesta pesquisa-ação, uma modelização voltada para as séries iniciais, ressaltando um modelo mais geral de texto – no caso a entrevista; não realizamos, nesta dissertação, uma análise do gênero na perspectiva de Bronckart (2009), englobando aspetos da infra-estutura geral, tipos de discurso, sequências textuais, mecanismos de textualização e enunciativos.

Assim como nas demais oficinas, realizamos as atividades de pré-escuta, visando a identificar os conhecimentos da turma com relação ao gênero em questão, conforme podemos constatar no trecho transcrito abaixo:

Professora - Alguém já fez entrevista? Alunos - Não.

Professora- Alguém então já viu uma entrevista? Alunos – Sim

Aluno 1 – Na televisão passa todo dia.

Aluno 2- O Jucélio fez uma entrevista no vídeo que vimos. Professora- Isso mesmo!

Explicamos para os alunos alguns aspectos característicos da entrevista, como a diferença entre entrevistador e entrevistado, a dinâmica da entrevista, tudo isso por meio de uma conversa na qual os próprios alunos iriam construindo tais conhecimentos.

Professora - Como pode ser a entrevista? Aluno 1- Cada um falar de uma vez.

Professora – Isso mesmo, cada um tem a sua vez de falar. Uma hora é o entrevistador e depois é o entrevistado.

Professora- Podemos interromper toda hora? Alunos - Não!

Após esse primeiro momento de conversa, passamos o vídeo de um programa de televisão chamado “Jogo aberto” (Programa exibido na Band) que os alunos conhecem e ao qual costumam assistir. A entrevista selecionada era com o jogador Neymar, realizada pelo o ex-jogador Denilson, antes da copa do mundo de 2014. Após essas informações, perguntamos:

Professora - Quem vai ser o entrevistado? Alunos - O Neymar.

Professora - Quem vai responder então? Alunos - O Neymar!

Professora- E quem vai fazer as perguntas, o entrevistador? Alunos – O Denilson.

Após isso, realizamos outra discussão visando sistematizar o que foi abordado no vídeo e propusemos algumas perguntas sobre a estrutura da entrevista (pesquisa anterior sobre o entrevistado, apresentação do entrevistado, par pergunta e resposta,

perguntas que buscam obter informações que o público ainda não sabe, ou seja, sobre o nível de informatividade de uma entrevista, seus objetivos):

Professora- Vale fazer pergunta que você já sabe a resposta? Alunos – Não!

Aluno 1- se a gente já souber as respostas não vai ter graça

Discutirmos também os aspectos já elencados no eixo 2 (linguísticos, paralinguísticos e cinésicos) desse trabalho.

A todo o momento, ao longo das oficinas, aproveitamos as situações da própria sala de aula para ilustrarmos nossos exemplos e discussões. Nessa oficina, em um determinado momento, todos os alunos começaram a falar ao mesmo tempo; diante da confusão explicamos a importância dos turnos de fala, realizados em qualquer situação oral, sobretudo na entrevista. Discutimos também sobre a postura, o distanciamento, e a proximidade necessária durante a realização do gênero.

Para propormos mais um exemplo, selecionamos uma entrevista da Marília Gabriela com os cantores de funk MC Gui e MC Guimê. Mais uma vez, realizamos as atividades de pré-escuta, sistematizando cada vez mais, oralmente, os elementos do gênero em estudo.

Os discentes, nesses momentos, puderam apresentar suas experiências e vivências. Um deles perguntou se o programa assistido em canal de TV seria uma entrevista ou um programa de fofoca (TV Fama). Os próprios alunos respondem ao colega, elencando aspectos que uma entrevista deve ter e que nesse programa não há:

Aluno 1 – Lá só fala da vida dos outros, não tem entrevistador nem entrevistado.

Aluno 2 – Lá fala um monte de gente junto.

Aluno 3 – Há mas algumas vezes tem a Repórter Isis, que faz perguntas pros famosos.

Aluno 1- É verdade, mas é uma entrevista que não traz informações de nada, só fofoca.

Como podemos observar no diálogo, os alunos estão construindo conhecimento sobre o gênero, a partir das interações por eles mesmos propostas. Após tirarmos as

dúvidas sobre a TV Fama, explicamos para eles que iríamos fazer uma entrevista coletiva e, para exemplificar isso, eles citaram exemplos de finais de jogos da copa do mundo, onde há entrevistas coletivas com os jogadores.

Por fim, para sistematizar os conhecimentos sobre o gênero, advindos da reflexão a partir da escuta de entrevistas televisivas, realizamos uma “lista de constatação”, ou seja, uma série dos elementos necessários para que o texto se torne efetivamente o gênero entrevista.

Lista de constatação  Perguntas e respostas  Entrevistador e entrevistado  Alternância das falas

 Perguntas que trazem informações novas – necessidade de preparação  Respeito com quem estamos entrevistando

 Linguagem adequada  Postura

 Tom de fala/voz

Portanto, por meio dessa oficina, pudemos propor situações modelares de entrevistas, servindo como referências para a produção de tal gênero, desenvolvendo capacidades necessárias para melhor dominarem o gênero e, se possível, se autocorrigirem.

As atividades realizadas, além de proporcionarem o modelo do gênero entrevista orais, envolveu grande parte dos alunos, pois era uma temática que lhes chamava atenção. No próximo eixo, iremos discutir sobre o processo de tomada de notas, que apesar de parecer fácil ou de ser algo apreendido de forma autônoma, necessita ser ensinado e sistematizado.

No documento vanessatitonellialvim (páginas 125-128)