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6 RESULTADOS E DISCUSSÃO 101 6.1 O CORRÊNCIA DE DENGUE

4. MODELOS DA OCORRÊNCIA DE DENGUE

5.3 Ocorrência de Dengue

Os dados da ocorrência de dengue foram obtidos junto à Diretoria de Informação em Saúde (DIS) da Secretaria Estadual de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), sendo estes correspondentes ao banco de dados do Sinan. O recorte temporal compreendeu o período 2009-2014, sendo 2009 o ano em que os casos de dengue começaram a surgir (10 casos), já que nos anos anteriores foram notificados menos de 5 casos, e 2014 por ser o ano mais recente.

O Sinan é alimentado pela notificação de casos de doenças e agravos que constam da lista nacional de doenças de notificação compulsória (Portaria GM/MS nº 5, de 21 de fevereiro de 2006) em investigação, mas é facultado a estados e municípios incluir outros problemas de saúde importantes em sua região. A dengue possui uma ficha de notificação própria, apresentada no ANEXO A, na qual constam informações dos pacientes (nome, sexo, cor da pele, idade, escolaridade, data de notificação, localidade de permanência nos últimos 15 dias, endereço de residência, sorotipo, ocorrência de internação etc.) que podem ser exploradas pela vigilância epidemiológica para a tomada de decisões, de modo a atuar rapidamente “reduzindo o problema na fonte” e evitando a infecção de mais pessoas.

Cabe observar que o Sinan não disponibiliza as informações na web no nível de desagregação e unidades de análises necessárias para o estudo. No caso dessa investigação foi necessário obter informações individuais, para a obtenção da localização espacial das notificações da ocorrência da enfermidade e dos óbitos. De posse do banco de dados com as notificações de dengue4 (619 notificações de

casos, suspeitos e confirmados) se procedeu ao georreferenciamento em campo dos casos de dengue com o uso do receptor GPS (Global Position System). Observou-se que em cerca de 60% das notificações não constava número da residência, o que impossibilitou a localização da residência. Nesse caso, foi

4 Optou-se por trabalhar com casos em investigação em vez de casos confirmados, visto que se

verificou que ao avançar as colunas do banco de dados aumentava-se a irregularidade no preenchimento. Na coluna referente a classificação do caso (coluna localizada na posição 69 de 103 colunas) verificou-se a existência de mais de 20% de respostas “inconclusivo” e na coluna referente ao critério de confirmação (coluna localizada na posição 70 de 103 colunas) mais de 20% dos casos constam em investigação ou sem preenchimento.

necessária a obtenção dos dados de nome do paciente e da mãe dos casos notificados, de modo que estes possibilitassem a identificação da localização das residências com o apoio das informações adquiridas junto aos agentes de saúde e a população.

Durante essa etapa observou-se a possível existência de subnotificações, uma vez que durante a etapa de campo quando as pessoas tomavam conhecimento da pesquisa que estava sendo realizada muitas relataram ter sido acometidas por dengue no período entre 2009 e 2014 (inclusive em estado grave, alguns com hospitalização, e terem se submetido a exame sorológico), entretanto, seu nome não constava na lista de notificações obtidas do banco do Sinan, junto à Sesab, o que pressupõe que esses casos não foram “lançados/registrados” no sistema, apesar de terem sido notificados nas unidades de saúde. Esse fato compreende uma falha grave por parte da Secretaria Municipal de Saúde uma vez que a alimentação do Sinan é obrigatória, como previsto pelo Ministério da Saúde. Como consequência, a situação epidemiológica do Município quanto à ocorrência de dengue pode ser subnotificada e não representar a realidade, dificultando a avaliação quanto à efetividade da atuação da Vigilância Epidemiológica.

Durante a visita realizou-se o cadastro dos casos de dengue – a coordenada do ponto foi tomada em frente à residência, uma vez que se tinha em mãos dados correspondentes às fichas de notificação de dengue, as quais foram georreferenciadas em campo individualmente. Essa etapa fez-se necessária visto que não se conhecia a localização exata de cada uma das ocorrências e o endereço disponível na ficha de notificação não permitia sua localização apenas por imagem de satélite.

Essa etapa consistiu na localização das pessoas acometidas por dengue, a partir do nome do paciente e nome da mãe, informações solicitadas devido à existência de muitos endereços incompletos (cerca de 70%) e, portanto, insuficientes para a localização das residências. Os pontos das notificações foram localizados para a tomada de sua coordenada a partir de informações concedidas por pessoas da vizinhança e agentes de saúde.

Notou-se a existência de 34 notificações que apresentaram bairro e nome da rua, mas como o nome do paciente e da mãe não foram reconhecidos pelos moradores na vizinhança e pelos agentes de saúde, buscou-se identificar quais as residências

na referida rua que costumavam ser alugadas e distribuiu-se os pontos referentes a essas notificações entre essas residências. Ademais, 7 casos notificados como de zona urbana não foram identificados na sede municipal, uma vez que não apresentavam informações suficientes para sua localização, ou seja, se apresentava o bairro não apresentava o nome da rua ou ponto de referência e estes indivíduos não foram reconhecidos pelos agentes de saúde que cobriam essas áreas e nem pelos moradores. Desse modo, acredita-se que esses casos correspondem a indivíduos que residem na zona rural, mas possuem imóvel na zona urbana, sendo então considerados casos rurais e desconsiderados no estudo. Assim, os casos georreferenciados na sede municipal totalizaram 612.

Outra análise realizada foi a verificação de notificações repetidas no banco de dados (tanto para a zona urbana, quanto para a rural), identificadas a partir das datas de primeiros sintomas e de notificação, nome da mãe e do paciente. Identificou-se do total de casos da zona urbana (612) a ocorrência de 4 notificações duplicadas, reduzindo as notificações de dengue na zona de residência urbana para 608 pacientes. Em relação aos casos referentes à zona rural identificou-se 2 notificações repetidas, resultando em 142 rurais e, portanto, um total de 750 casos no Município. Os dados de dengue foram agrupados ao nível de setor censitário e a taxa de incidência anual foi obtida por meio da divisão das notificações pela população multiplicado por dez mil habitantes (equação 1). Para se obter o denominador referente a população de cada ano, fez-se a consideração de que a taxa de crescimento populacional do setor censitário urbano, entre cada ano, correspondia à mesma do Município (obtida a partir da estimativa populacional do IBGE). A população adotada como referência (para se realizar a estimativa do ano anterior e dos anos posteriores) para o cálculo da incidência foi a do setor censitário, correspondente ao Censo do IBGE de 2010.

equação 1