• Nenhum resultado encontrado

7 RECURSOS MINERAIS

7.1 Ocorrência Primária Aurífera

É representada por uma mineralização aurífera sulfetada disseminada, hospedada em metadiorito recortado por meta-álcalis feldspato granito pertencentes ao Arco Magmático de Santa Quitéria.

As ocorrências secundárias estão associadas à matriz dos conglomerados da Formação Ipu do Grupo Serra Grande da Bacia do Parnaíba. Segundo Dias (1977), esta mineralização aurífera ocorre numa faixa de extensão da ordem de 55 a 60 Km no sentido norte-sul, acompanhando fielmente as áreas de exposição dos conglomerados da Formação Ipu (Figura 7.1). O ouro ocorre nestes conglomerados sob a forma detrítica em partículas submilimétricas.

Figura 69 - A) Extensa trincheira, de dimensões métricas, formada no conglomerado com o objetivo de prospectar ouro (CM-115: 307026 mE/ 9520393 mN); B) Túnel, de aproximadamente 1,5m de altura e 1m de largura, executado no conglomerado pela CPRM na década de 70 com o intuito de prospectar ouro (CM-104: 304478 mE/ 9513893 mN).

Fonte: Elaborada pelos autores.

O principal objetivo do trabalho foi estudar a ocorrência primária aurífera e determinar sua tipologia, para assim entender os diversos processos que envolvem a gênese de um depósito (ocorrência) mineral endógeno, nesse caso a ocorrência aurífera. Assim, embora hajam registros de ocorrências secundárias auríferas na região estudada, as mesmas não foram objeto de

estudo deste trabalho, sobretudo, porque é impossível, na execução de um Relatório de Graduação, rastrear por mais de 50km, indícios de ocorrências de ouro secundário, sem fazer uso de um programa de prospecção aluvionar, que está além dos objetivos deste trabalho. Assim, essas ocorrências são citadas somente a título de curiosidade.

7.1.1 Tipologia da Ocorrência Primária Aurífera

A ocorrência primária de ouro ocorre junto a sulfetos disseminados em metadiorito. Sua identificação foi realizada a partir de estudos petrográficos e análises em microscópio eletrônico de varredura, tomando como base sua composição mineralógica, seus aspectos texturais, suas estruturas e sua relação com a rocha hospedeira.

7.1.1.1 Mineralização Aurífera Sulfetada Disseminada

Está localizada na porção leste-nordeste da área. É uma ocorrência modesta em termos de extensão areal, sendo que boa parte se encontra recoberta por solos e pequenos lagos, ocorrendo principalmente como blocos de dimensões centimétricas a decimétricas, além de poucos lajedos de escala decamétrica.

Ocorre hospedada em metadiorito que foi recortado por sheets de meta- álcalis feldspato granito (Figura 7.2). Esse metadiorito é melanocrático, composto por anfibólio, biotita (ambos parcialmente alterados, para clorita e vermiculita, respectivamente), plagioclásio, k-feldspato e quartzo. Apresenta granulação média e textura inequigranular. Expõe-se sob a forma de corpos bandados, fraturados e alterados hidrotermalmente em diferentes fases (albitização, potassificação, sericitização, sulfetação, silicificação, epidotização e carbonatação).

Figura 70 - Metadiorito hidrotermalizado hospedeiro da ocorrência aurífera, recortado por sheet métrico de meta-álcalis feldspato granito (CM-164: 316048 mE/ 9517490 mN).

Fonte: Elaborada pelos autores.

Ao microscópio é possível observar uma assembléia mineralógica composta por anfibólio (40%), plagioclásio (30%), biotita (20%), clinopiroxênio (5%), opacos (4%), apatita (<1%), titanita (<1%) e clorita (<1%). Apresenta texturas que vão de inequigranular a granonematoblástica, e granoblástica decussada a hipidioblástica.

Os anfibólios são retromórficos, resultantes da uralitização dos clinopiroxênios (Figura 7.3 A). São os cristais de maior dimensão na rocha, apresentam-se verdes pleocróicos, prismáticos, subedrais e mostram leve fraturamento. Estão orientados de acordo com o bandamento da rocha (textura granonematoblástica) e comumente possuem inclusões de titanita, apatita, clinopiroxênio e clorita, essa última, representando, inclusão de clinopiroxênio cloritizado (Figura 7.3 A e D). Os cristais deste mineral fazem contatos irregulares e retos com os outros minerais dominantes no litotipo.

Os cristais de plagioclásio apresentam-se em duas gerações: uma sob forma de cristais irregulares e deformados, provavelmente, metamórficos reliquiares e a outra em cristais subédricos, neoformados, associados à alteração hidrotermal (Figura 7.3 C). Os cristais reliquiares são recristalizados em subgrãos, exibindo extinção ondulante e, praticamente, não mostram

nenhuma geminação. Já os neoformados são prismáticos, subedrais e exibem geminação albita e, por vezes, Carlsbad, indicando um estágio de cristalização pós-formacional, associado a um processo de albitização que incidiu na rocha. Seus contatos com os outros minerais existentes podem ser retos ou irregulares.

As biotitas ocorrem sob forma de agregados lamelares, subedrais, exibindo granulação grossa, cores marrons pleocróicas e uma direção de clivagem perfeita. Normalmente, ocorrem substituindo os cristais de anfibólios, (Figura 7.3 B), de maneira aleatória, indicando que se trata de uma fase tardia, associada à uma alteração hidrotermal potássica. Seus contatos com os outros minerais dominantes do litotipo são retos e irregulares.

Os cristais de clinopiroxênio são prismáticos e anedrais. Frequentemente, encontram-se substituídos por anfibólios, os quais fazem contatos retos e irregulares entre si. A julgar pela sua forma e relações texturais com os outros minerais, pode-se dizer que se trata de cristais metamórficos reliquiares (fácies granulito) que resistiram às mudanças impostas na rocha pela fase retromórfica e pelas alterações hidrotermais.

Dentre os acessórios, tem-se apatitas, titanitas e cloritas. As apatitas apresentam-se prismáticas, variando de subedrais a euedrais. As titanitas mostram-se prismáticas anedrais. As cloritas são verdes claras e se desenvolvem como produto de alteração dos minerais ferromagnesianos.

Figura 71 - A) Clinopiroxênio parcialmente substituído por anfibólio. Notar que ambos, encontram-se alterados para biotita que se desenvolve ao longo de fraturas e planos de clivagens. Notar também pequena inclusão de clinopiroxênio cloritizado no anfibólio; B)

Aglomerado de biotitas “entrelaçadas”; C) Cristal de plagioclásio recristalizado em subgrãos (Pl I) em contanto com cristal de plagioclásio neoformado (Pl II); D) Anfibólio com inclusões de titanita, apatita e opacos.

Fonte: Elaborada pelos autores.

A mineralização sulfetada é de baixo teor, representa aproximadamente 4% do volume total do metadiorito. Tem um padrão composicional e textural bem definido, sendo composta basicamente por pirita, calcopirita e esfalerita, e quantidades traços de ouro, geralmente, de granulação muito fina, cristais submilimétricos (<1mm), e ocorrem dispersos na matriz silicática (anfibólio, biotita, plagioclásio, etc.) do metadiorito.

O ouro (Figura 7.4) apresenta cor amarela bem forte e alta reflectância, granulação muito fina e formas anedrais. A pirita (Figura 7.4 C e D) é o sulfeto predominante, e mostra cor amarela pálida granulação fina formando, por vezes, agregados milimétricos (de 1 a 3mm), e formas subedrais a euedrais. A calcopirita (Figura 7.4 A e B) apresenta cor amarela-amarronzada granulação muito fina e formas subedrais a euedrais. A esfalerita (Figura 7.4 A) mostra cor

cinza a cinza escuro, baixa reflectância e granulação fina, sendo que eventualmente também ocorre como agregados de aproximadamente 1mm, cujos cristais são majoritariamente anedrais.

Figura 72 - A) Cristal submilimétrico de ouro associado a calcopirita e esfalerita; B) Cristais submilimétricos de ouro e calcopirita dispersos na matriz silicática do metadiorito; C) Ouro filiado a agregado milimétrico de pirita; D) Em detalhe, outra partícula de ouro associada a pirita.

Fonte: Elaborada pelos autores.

Documentos relacionados