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Após a adoção das normas internacionais de contabilidade (International Financial Reporting Standards – IFRS), houve um aumento na quantidade e no detalhamento das informações divulgadas nas notas explicativas. Essa exigência visa maior transparência nas divulgações. É importante ressaltar que não necessariamente o aumento da quantidade das divulgações implica, necessariamente, maior qualidade. O excesso de texto e a irrelevância de determinadas informações podem confundir o leitor e levá-lo à exaustão. É possível notar que esse fenômeno não é exclusividade do cenário brasileiro. O mesmo problema é discutido em diversos países, com a intenção de orientar a elaboração de divulgações financeiras mais claras e informativas. São exemplos dessas iniciativas:

 European Financial Reporting Advisory Group (2012): “Towards a Disclosure Framework for the Notes”.

 Accounting Standards Advisory Forum (2013): Discussão sobre as diretrizes gerais das divulgações notas explicativas.

 International Accounting Standards Board (2013): “Discussion Forum – Financial Reporting Disclosure”.

 Financial Accounting Standards Board (2014): “Conceptual Framework for Financial Reporting, Chapter 8: Notes to Financial Statements”.

 International Accounting Standards Board (2014): “Disclosure Iniciative about Materiality” e o exposure draft ED/2014/1 “Disclosure Initiative”.

No contexto nacional, o CPC publicou, em 15 de agosto de 2014 (aprovação em 31 de outubro de 2014) a Orientação Técnica OCPC 07 – Evidenciação na Divulgação dos Relatórios Contábil-Financeiros de Propósito Geral. O objetivo dessa orientação não é estabelecer novas diretrizes de divulgação, mas reforçar o que já é exposto nos diversos pronunciamentos sobre as características qualitativas da informação contábil.

Assim, a OCPC 07 retoma todas as orientações referentes às características das divulgações presentes no Pronunciamento Conceitual Básico, no Pronunciamento Técnico CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis e nas diretrizes gerais das Leis das Sociedades por Ações. Em resumo, todos esses pronunciamentos já especificam que:

A. Todas as informações evidenciadas devem ser relevantes para os usuários externos. E só são relevantes se influenciarem no processo de decisão dos investidores e credores. Consequentemente, as não relevantes não devem ser divulgadas.

B. A relevância, por sua vez, abrange os conceitos de magnitude e de natureza da informação, olhadas sob o ponto de vista dos usuários.

C. Somente as informações relevantes e específicas à entidade devem ser evidenciadas, tanto as relativas às políticas contábeis quanto a todas as demais notas, inclusive aquelas relativas a prováveis efeitos de políticas contábeis a serem adotadas no futuro.

D. A menção, em Pronunciamentos, Interpretações e Orientações do CPC e em Lei, de exigências de divulgação deve sempre ser interpretada à luz da relevância da informação a ser divulgada, mesmo que apareçam as expressões “divulgação mínima”, “no mínimo” e assemelhadas.

E. Por outro lado, nenhuma informação relevante que possa influenciar o usuário das demonstrações contábeis da entidade pode deixar de ser evidenciada, mesmo que não haja explícita menção a ela em Lei ou em documento do CPC.

F. O espírito de simples cumprimento de check-list não atende, absolutamente, ao necessário ao atingimento dos objetivos dos relatórios contábil-financeiros de propósito geral (OCPC 07, item 30).

Tabela 1 – Principais orientações da OCPC07 Principais Orientações da OCPC07

Relevância

 Somente itens relevantes devem ser divulgados.  Itens irrelevantes não devem ser divulgados.

 Na avaliação de relevância das informações devem ser sempre observadas aquelas que evidenciem riscos para a entidade. Declaração de Conformidade  A entidade deve declarar que todas as informações relevantes

e, somente as relevantes estão sendo divulgadas.

Redação  Redação das notas deve ser livre de jargões técnicos, a não ser que inevitável.  Sugestão de apresentação de glossário.

Exigências de divulgação  As exigências de divulgação contidas no pronunciamento, Interpretações e Orientações referem-se exclusivamente a informações materiais.

 Recomenda-se uniformidade na ordem de apresentação das notas.

Ordem das Notas Explicativas  As notas não devem ser obrigatoriamente divulgadas na ordem sugerida no CPC 26, mas pode ser aquela que a administração achar mais adequada.

 Recomenda-se uniformidade na ordem de apresentação das notas.

Divulgação das Políticas Contábeis  Somente devem ser divulgadas políticas contábeis específicas da entidade.

 Políticas não aplicáveis ou que não possuem alternativas não devem ser divulgadas.

 Políticas que exigem escolhas devem ser divulgadas.  Mudanças nas políticas devem ser divulgadas.

 Políticas podem ser diluídas nas notas dos próprios itens a que se referem.

Referências Cruzadas  Referências cruzadas devem ser feitas entre as notas e as demonstrações contábeis e outras notas a que se refiram. Fonte: FIPECAFI (2014).

Além das diretrizes já presentes em diversas orientações, a OCPC 07 dá diretrizes adicionais para melhor elaboração das notas explicativas, como pode ser visto na tabela 1. A primeira recomendação é que sejam divulgadas apenas informações relevantes e que, na divulgação de informações sobre eventos que possam representar riscos para a empresa, essa informação seja divulgada com ênfase.

É recomendado que, nas notas de políticas contábeis, não exista repetição de texto de atos normativos, mas que sejam mostrados apenas os aspectos aplicáveis à entidade. Na hipótese de ocorrer uma mudança de política contábil, esta deve ser explicada detalhadamente. Uma última

recomendação sobre as notas de políticas contábeis é que elas podem ser apresentadas com as notas relativas aos itens a que se referem.

Em relação à ordem de apresentação das notas explicativas, após as notas de contexto operacional e a declaração de conformidade, elas podem seguir a ordem de relevância no escopo da entidade, sempre referenciadas com os itens das demonstrações contábeis. Por fim, no que diz respeito à redação das notas, não deve haver repetição de fatos ou informações que desviem a atenção do leitor.

Assim, podemos concluir que o objetivo da OCPC 07 é o enxugamento e a melhora da qualidade dos textos presentes nas notas explicativas divulgadas, a fim de que o usuário não tenha dificuldades de extrair informações relevantes para sua tomada de decisão.

Com base em todas essas recomendações, espera-se que haja um esforço das empresas no sentido de melhorar a qualidade das divulgações. Por isso, um dos objetivos deste trabalho é verificar o efeito produzido pela OCPC 07 na legibilidade das notas explicativas.

No documento Estudo sobre notas explicativas (páginas 35-38)

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