2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.2.1. M ODELOS DE PLANEJAMENTO DE PRODUTOS – V ISÃO DO PROCESSO
Nesta seção apresentam-se os modelos de planejamento de produtos revisados, mediante a descrição de suas características, com o propósito de identificar neles pontos fortes, além daquele que melhor se adapta ao escopo deste trabalho.
O modelo de Cooper e Edgett (2014), chamado de “Stage-Gate Technology Development”, que entende o desenvolvimento de inovações como uma série de opções e decisões, é formado por atividades sequenciais divididas em dois tipos:
Stages: Fases que representam o processo de inovação, cada uma composta por uma série de atividades. Dentro delas estão a Geração de Ideia de Tecnologia, o Escopamento*,1a Avaliação Técnica e a Investigação Detalhada, antes de entrar no planejamento do projeto em si;
Gates: Após cada fase, existe um ponto de decisão, a saber: Janela de Ideia, Ir para Avaliação Técnica, Ir para Investigação Detalhada e Caminho de Aplicação, que encerra a fase de planejamento de produto e abre a fase de planejamento de projeto. A Figura 2.2 resume o modelo.
Figura 2.2. Atividades de pré-desenvolvimento (adaptado de COOPER e EDGETT, 2014)
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Escopamento: Tradução livre do inglês Scoping, que consiste na definição do escopo de um projeto ou atividade.
A fase de Geração de Ideia de Tecnologia consiste na descoberta da ideia, através da geração de múltiplas fontes como ideia de inventores, start ups, pequenas companhias, consumidores e outros stakeholders. A fase de “Escopamento” consiste na definição do escopo e do plano para as próximas atividades. A fase de Avaliação Técnica consiste em demonstrar a viabilidade técnica e laboratorial sobre condições ideais, mediante a realização de experimentos necessários. Finalmente, a fase de Investigação Detalhada consiste na realização de todos os experimentos pertinentes, a viabilidade técnica e comercial é provada e o tempo de desenvolvimento é definido (COOPER e EDGETT, 2014). Após cada fase, o modelo propõe a avaliação desta através dos “gates”.
O modelo de planejamento de produto apresentado na Figura 2.3 corresponde a um modelo adotado por uma empresa multinacional de eletrodomésticos, o qual utiliza um padrão de etapas e marcos de aprovação.
Figura 2.3. Modelo de planejamento de produtos em multinacional de eletrodomésticos (adaptado de NOREÑA, 2015)
Segundo Noreña (2015), o processo se divide em:
Descoberta: Após a definição do foco estratégico da organização, é preciso gerar oportunidades e classificá-las em “domínios”, ou seja, em campos de propostas de valor que deverão ser exploradas pelo negócio, organizadas cronologicamente, e que levarão à organização à execução da estratégia (para um eletrodoméstico, um domínio poderia ser “liberdade total do consumidor”, que se desdobraria em propostas de valor de rotinas inteligentes e acessibilidade remota, por exemplo). É a primeira etapa do processo, que visa divergir para depois convergir. A etapa é encerrada com um marco que prioriza os “domínios” a serem trabalhados;
Desenvolvimento da Oportunidade: São desenvolvidas soluções (ideias) de produtos, com o objetivo de contemplar as
oportunidades identificadas na etapa anterior, levando em conta o benefício ao consumidor e o retorno financeiro para a empresa. A etapa é encerrada com um marco em que as ideias são escolhidas considerando as premissas citadas;
Experimentar e Aprovar: São realizados testes cíclicos que objetivam o refinamento das ideias e a validação do conceito. Para testar o conceito, segue-se um processo de desenvolvimento de produtos ou tecnologias inovadoras composto por marcos, que vão desde a identificação da oportunidade de negócio até a validação da tecnologia pronta para ser incorporada a um produto. Nessa etapa também se definem os recursos necessários que garantem que a ideia irá para o processo de projeto de produtos, de fato. No processo dessa organização, considera-se a participação das equipes de marketing, tecnologia, design de produtos e suprimentos. Após o encerramento dessa etapa, prossegue-se para a execução do projeto em si, com a visão de entregar o prometido alinhado com o foco estratégico da organização e crescer, resumido na figura por “Entregar e Crescer”.
O modelo apresentado por Leonel (2006) está representado na Figura 2.4, sendo estruturado nas seguintes subfases: Exploração de oportunidades, Geração de ideias de novos produtos, Avaliação e seleção de ideias e Caracterização das ideias de produtos.
Figura 2.4. Subfases do Planejamento de Produto (adaptado de LEONEL, 2006)
Na subfase de Exploração de oportunidades avaliam-se quais são os fatores que influenciam o desenvolvimento, analisando informações externas e internas e definindo quais são os campos de oportunidade para a fase posterior.
Leonel (2006), tomando como base Pahl & Beitz (1988), fornece uma visão geral de quais informações devem ser analisadas como fonte de ideias nessa fase exploratória, como mostrado na Figura 2.5.
Figura 2.5. Campo de busca de oportunidades (adaptado de LEONEL, 2006)
Na subfase de Geração de ideias o objetivo é gerar o maior número de ideias possíveis para sua posterior seleção.
A subfase de Avaliação e seleção de ideias tem como objetivo documentar, avaliar e classificar as ideias geradas na subfase anterior. Cooper (1985) explica que a decisões de seleção devem se concentrar em fatores como vantagem e superioridade dos novos produtos, vantagem econômica para o consumidor e crescimento do mercado foco. É recomendado o uso de comitês com a alta gerência da empresa, especialistas internos e consultores externos. Segundo Ozer (2005), a diversidade de especialistas aumenta as chances de sucesso na definição de ideias que deverão perdurar (LEONEL, 2006).
A última subfase, chamada de Caracterização das ideias de produtos, descreve os produtos em potencial com viabilidade comercial, econômica e técnica definida. Nessa subfase, são descritas a função, o princípio de funcionamento e os dados característicos do novo produto, que devem ser documentados para que, de acordo com a avaliação da subfase anterior, sejam propostos para sua consequente implementação. Todas as decisões e alterações devem ser documentadas ao longo do planejamento de produtos.
A saída dessa subfase é o plano de produto, sendo que as seguintes informações são fundamentais (LEONEL, 2006):
Descrição do produto: Com base em um formulário, descrevem- se em detalhe as informações para o estudo de viabilidade técnica, econômica e comercial;
Resultado da análise de viabilidade comercial: Definição de atributos do produto relativos ao mercado: tamanho de mercado, potencial de crescimento, fatia de mercado, volume de vendas;
Resultado de viabilidade econômica: De acordo com a viabilidade comercial, definição se o investimento é uma opção viável;
Resultado da viabilidade técnica: Avaliar a capabilidade técnica interna e externa da empresa para o desenvolvimento e a fabricação do produto.