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PRETENDIDO 1 Eu também quero experimentar 04min05 Ajustando-se à proposta feita ao

5 RESUMO DAS OFICINAS

5.3 Oficina 3 – Construindo com o parceiro uma brincadeira

Episódio: “Você bota e eu derrubo”. Crianças envolvidas:Silvano (M, 1;7); Eniel (M, 1;7);

Ida (F, 1;1); educadora.Resumo:Silvanocarrega a carroceria de brinquedo para um lugar afastado dos colegas e Ida o segue. Silvano coloca a carroceria no chão e acomoda pets dentro dela. Eniel chega até Silvano, levanta a carroceria, vira-a e derruba as garrafas pet que estavam dentro. Silvanoas recoloca eEniel derruba-as novamente; a mesma cena se repete. Sem que se falassem, as ações que pareciam uma cena agonística se transformam em brincadeira quando se invertem os papéis, ou seja, Silvano levanta a carroceria e derruba as garrafas pet. Em seguida eles, juntos, põem as garrafas dentro da carroceria.Eniel pega uma garrafa e sai com Silvano ao seu encalço. Os dois acabam voltando e retomam a brincadeira de tirar e por as garrafas na carroceria. Eniel, observado por Silvano, começa a bater duas garrafasno chão, uma em cada mão;depois se afasta e Silvano continua a observá-lo.Eniel volta e interage com Ida, ao lado de Silvano. Depois, sai, volta novamente, e Silvano lhe propõe, em gesto, colocar a garrafa dentro da carroceria, vocalizando várias vezes ita. A educadora verifica suas fraldas no momento em que eles parecem disputar a posse da carroceria; ela intervém na disputa. Silvano chora e Eniel sai com o brinquedo.

Primeiras falas(4min37): a primeira participante a falar comentou que reparou a mesma

coisa que havia percebido na oficina anterior, que foi que a interação das crianças só ocorre quando elas, juntas, se interessam por um mesmo objeto. Outra estudante também se reportou à primeira oficina: Silvano de novo queria os brinquedos. A terceiraparticipante concordou e completou que “o outro tirava”. Começou um diálogo: “Silvano estava tentando organizar as garrafas”, “com paciência”, “tudo de novo”, “até que cansou e quis partir para agressão”, “deu uns tapa e o outro revidou”, “foi um tapinha, um no outro”. Na hora que a “tia” via se estavam de cocô, “eles arengaram”, a “tia” teve que intervir, tomar o brinquedo. Surgiu a questão se estavam gostando ou não daquela interação, pois continuavam interagindo ao por e derrubaras

garrafas. Perguntou-se: qual será o interesse deles? Derrubar e o outro colocar? Ele estava achando ruim, ou brincando?Não dá para saber. Um “estava falando com o outro”. Parecia uma disputa que virou brincadeira, porque eles riem e gritam, batem, parece que “lidam naturalmente”. “No começo achei que era brincadeira, mas quando começaram arengar, achei que era disputa, estressou”.

Instigamento da pesquisadora:o que parecem estar fazendo, Silvano e Eniel, juntos?Que

propostas um faz para o outro?Durante a segunda exibição, a pesquisadora congelou os seguintes momentos: (1) Após Silvano derrubar a carroceria eEnielrecolocar uma garrafa dentro dela,Silvano recoloca outra garrafa. (2) Eniel, após ter voltado, derruba as garrafas de dentro da carroceria. (3) Enielbate duas garrafas no chão. (4) No momento em que a educadora confere a fralda de Silvano; este reclama.

Falas após segunda exibição (08min30): De modo geral versaram sobre o detalhamento de

como se construiu a brincadeira entre Silvano e Eniel. Comentaram sobre a presença maior de Silvano nos episódios, alegando que as demais crianças têm menos idade. Duas participantes acharam que foi Silvano quem começou a derrubar as pets: “o outro tentou ajudar, mas ele ficou com raiva e derrubou”. Essa observação foi contraposta por outras duas participantes que admitiram ser uma brincadeira do tipo “eu boto e você derruba”. Assim, as crianças cooperaram: repetiram ações e uma tentou ensinar ao colega eà terceira criança; depois, sentiram-se ameaçados com a chegada da educadora.

A pesquisadora instigou um pouco mais, perguntando: como surgiu a brincadeira? O que propõem um ao outro? As estudantes foram completando suas falas, reconstruindo uma sequência para as ações das crianças: “Silvano trouxe o brinquedo”, “Eniel estava com as garrafas”, “juntaram os dois”, “quem começou foiEniel, que colocou as garrafas no carrinho e Silvano derrubou”. Na descrição do episódio surgiram muitas discordâncias: “foi o Silvano primeiro”, ele estava ensinando, propondo a brincadeira. “Eniel saiu correndo; não sei se ele achou que ele [o parceiro] não queria mais brincar...” “Eles discutiram, estressou,coisa de criança”. “Silvano sentiu falta de Eniel e foi atrás dele.” Um buscou o outro.

A pesquisadora fez mais um instigamento: “como isso acontece com crianças tão pequenas? As respostas foram na seguinte direção: “[a criança] sentiu que não tinha como brincar só”; “precisava do outro”; “o outro também sentiu, aí foram brincar de novo”; “talvez a brincadeira despertou curiosidade”. Eniel batia as garrafas, mas Silvano queria outra brincadeira. “É uma fase que eles estão descobrindo os movimentos, se tornando

independentes para andar, pegar, jogar...Eles levantavam o carrinho e viam elas [as garrafas] caírem.”Houve quem especulasse que a criança fazia uma “experiência sobre a lei da gravidade”; “uma descoberta”.

A pesquisadora fez a última pergunta: “mas eles não podiam ter feito [brincado] sozinhos [em separado]?” As ideias apresentadas ficaram entre “criança sempre gosta de companhia” e “talvez não; Silvano estava sozinho inicialmente, quando Eniel chegou.” Também tem a imitação e a curiosidade: “ver o outro fazer despertou o interesse dessa interação”.

Explicitação dos propósitos da oficina: A pesquisadora explicou: “chamamos realmente o

episódio de ‘eu ponho e você derruba’, como exemplo de como se constrói uma brincadeira entre duas crianças de tão pouca idade”. Duas participantes reforçaram: “eles mesmos que criaram, né? Ninguém disse”; “[eles não] verbalizaram”. A pesquisadorachamou a atenção sobre“a sincronia de gestos”; “o interesse pelos objetos”; e “a comunicação”. Antes de encerrar os trabalhos, após o convite para participarem da oficina seguinte, surgiu o comentário: “Silvano de novo”;“é interessante que só Silvano interage e os outros ficam dispersos”. Ainda foi retomada a ideia de que “são mais velhos”, referindo-se a Silvano e Eniel; “[...] os outros são bem pequenininhos”. Estes “geralmente brincam sós; ele [Silvano] brinca com os outros... Têm afinidade”; “eles [os pequenos] ainda estão conhecendo os objetos”.