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Oficina culinária: brincando de “chef” de cozinha

Considerando o brincar como fonte primordial do pesquisador que dialoga com a criança e o alimento, parte integral de nossas vidas (mais que um veículo de fornecimento de nutrientes), optou-se por realizar uma oficina culinária intitulada “ brincando de chef de cozinha” . A atividade lúdica serviu para que as crianças tivessem acesso a uma linguagem de seu domínio, de modo a se expressarem de maneira mais ativa e foi espaço para que demonstrassem a experiência com o preparo de alimentos.

Após preparo do bolo 11 e degustação em sala de aula, os participantes da pesquisa responderam a um questionário com perguntas abertas (Anexo IV), que teve como principal objetivo investigar se sabiam e gostavam de cozinhar.

O intuito foi incitar a sensibilização das crianças para o tema nutrição através de um espaço de prazer e de expressão e, assim, investigar algumas questões que foram temas do questionário, que também avaliou a repercussão da oficina culinária e permitiu que as crianças explorassem o universo imaginário e o real, por meio da criação de uma receita.

Etapa 5: A entrevista semi-estruturada 2

A part ir de análises preliminares dos dados colet ados, identificou-se a necessidade da realização de uma segunda entrevista que abordasse conhecimentos mais profundos em relação à alimentação e à nutrição. E as questões norteadoras dessa entrevista (Anexo V) abordaram conhecimentos inerentes à digestão, variedade alimentar,

11 Bolo de fubá, ingredientes: dois copos (200 ml) de fubá, de trigo, de leite e açúcar, quatro ovos, duas

colheres (sopa) de margarina e fermento e uma xícara de café de óleo. Esses foram mist urados, manualmente, e a massa assada em uma assadeira untada no forno da escola.

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Roberta Alessandra Gaino

nutrientes, função dos alimentos no organismo e suas diferenciações, em relação a propriedades específicas. Buscou-se, ainda, identificar rest rições alimentares e as motivações dos indivíduos para a alimentação.

4.7 Análises dos dados

Para a análise dos dados, consideraram-se as entrevistas semi-estruturadas, a oficina culinária, o questionário e o caderno de campo.

A oficina culinária - brincando de “ chef” de cozinha - e o questionário foram analisados em conjunto, pois se relacionam. Em relação à oficina, foi descrito sobre a part icipação das crianças, inclusive abordando a satisfação das mesmas com a atividade, e às respostas do questionário, foram analisadas quanto ao número de crianças, sempre, comparando com ao total de part icipant es da pesquisa, ou seja, foi indicado o número de crianças que apresentaram det erminada resposta para cada pergunta do questionário. Também foi realizada análise geral em relação à receita inventada e feito inferências a outros achados importantes.

Em relação às entrevistas, as fitas gravadas foram transcritas na íntegra, pela própria pesquisadora, seguindo-se a recomendação de QUEIRÓZ (1983 apud: OLIVEIRA, 2008), que define a transcrição como: "a reprodução de um documento, em plena e total conformidade com sua primeira forma, em total identidade, sem nada que o modifique". Nesse período, há a possibilidade de se fazer a primeira reflexão, pois todo o processamento da pesquisa é ret omado, com seus envolvimentos e emoções; o pesquisador part icipa da construção de todo o mat erial, numa real ação de "observador participante" (QUEIRÓZ, 1983 apud: OLIVEIRA, 2008).

À medida que as entrevistas foram sendo transcritas, iniciou-se o processo de análise qualitativa e após a transcrição, foram feit as leituras e releituras de cada um dos relatos transcritos, buscando identificar os aspectos recorrent es ou contraditórios, dando sequência no processo de análise. Portanto, foi realizada a análise de conteúdo (BARDIN, 1977) com a materialidade linguística, através das condições empíricas do texto, estabelecendo categorias para a sua interpretação (CAREGNATO e M UTTI, 2006). A escolha de categorias é o procedimento essencial desse referencial metodológico, visto que elas

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fazem a ligação entre os objetivos e os result ados da pesquisa (FREITAS e JANISSEK, 2000, apud: SPARAPANI, 2010).

Além disso, deve-se considerar que a análise na pesquisa qualitativa não tem como finalidade contar opiniões, pois seu foco é a exploração do conjunto de opiniões e representações sociais sobre o tema investigado. Esta análise não precisa abranger a totalidade das falas dos entrevistados, uma vez que as opiniões de um grupo homogêneo costumam ter muitos pontos em comum ao mesmo tempo em que apresentam singularidades próprias da biografia de cada interlocutor (M INAYO, 2007).

A partir da análise do material, produzido nas entrevistas com as dezessete crianças, foram construídas cincos categorias:

Categoria 1 - Os caminhos dos alimentos em nosso corpo;

Categoria 2 - O alimento para a criança: imprescindível à vida e ao crescimento; promotor de saúde e de doenças; e sua falta relacionada à morte;

Categoria 3 - O alimento vivo e suas funções;

Categoria 4 - Comer muito faz mal: pode ter consequências como a obesidade e necessidade de tratamento;

Categoria 5 - A part icipação da mãe na prática alimentar da criança: as escolhas dos alimentos e as mudanças de hábitos.

Os dados foram organizados em duas part es, a primeira parte relaciona-se ao reconhecimento do ambiente escolar, as características das crianças, a alimentação da família e delas próprias em casa e na escola, ao ato de alimentar-se na representação dos desenhos e ao questionamento se as crianças sabem e gostam de cozinhar. Na segundo part e, estão descritas as categorias.

A triangulação é definida por Oliveira (2008) como o processo de observar um fato ou um fenômeno social a partir de vários ângulos. Dessa forma, os dados obtidos, através de diferentes instrumentos, foram confrontados entre si, a fim de relacionarem -se. Logo, foi realizada a triangulação de dados (VIANNA, 2003), possibilitando a reflexão sobre os diferentes achados.