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Oficina 03: Primeiras linhas – Produção da primeira escrita

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A OCASIÃO FAZ O ESCRITOR: AS OFICINAS DO GÊNERO CRÔNICA

5.3 Oficina 03: Primeiras linhas – Produção da primeira escrita

A Oficina 03 tem a finalidade de encorajar os estudantes à produção da primeira escrita de uma Crônica: a produção inicial. Ao professor cabe a orientação sobre como escolher um fato ligado ao cotidiano de cada participante para escrita de seu primeiro texto.

 1ª etapa: Elementos que as Crônicas têm em comum (9ª/10ª aulas).

Tomando por parâmetro todas as Crônicas lidas até este momento, escrevi na lousa e pedi para que os alunos identificassem os elementos que todos os textos tinham em comum, por mais diferentes que fossem, mas que eram comuns a todos os textos.

Coloquei na lousa e solicitei análise sobre: autor, tema, tom da escrita (reflexivo, irônico), título (sugestivo?), cenário (curioso?), foco narrativo (personagem ou observador?), personagens (inventadas ou reais?), linguagem (coloquial ou culta?) enredo e desfecho.

Com base nesta análise, dos textos já lidos e interpretados, dá-se respaldo para uma breve estruturação do Gênero, com a finalidade de possibilitar aos estudantes uma visão geral para que consigam elaborar seu primeiro texto: a escrita da Crônica.

É importante salientar que as duas Sequências Básicas, vivenciadas nas Oficinas 01 e 02, não estão esquecidas nem tampouco isoladas, já que a Sequência Didática é formatada em espiral de conhecimentos; em outras palavras, todo o processo perpassado vai servindo de base para continuação, encadeamento do procedimento seguinte.

Por este motivo, faz-se necessário revisitar os elementos constituintes da situação discursiva dos textos já lidos, para que os estudantes tomem consciência sobre quão importantes estes fatores são para a concretização do texto.

O que se está denominando aqui por „situação discursiva‟ é o momento imediato em que o Gênero Discursivo/Textual, neste caso a Crônica, se materializa em texto numa situação real de uso (CEALE), também denominada de situação comunicativa.

Assim, relembrei aos estudantes que todo Gênero se encontra ancorado na situação discursiva, isto é, os atores sociais (interlocutores), o lugar temporal (quadro espaço- tempo), o espaço (contexto), o propósito comunicativo (finalidade), o foco narrativo (personagem ou observador), o tom da escrita (irônico, reflexivo), a linguagem utilizada (coloquial ou culta), o tema retratado, o enredo, o clímax e o desfecho.

Igualmente, há ainda os conhecimentos diversos que os interlocutores ativam durante o processo de leitura (saber linguístico, ideológico, cultural, social etc.), fato que contribui, acrescenta à situação discursiva, bem como, suas representações sociais (valores, posicionamentos, crenças etc.) que são acionadas e vivificadas no ato de leitura.

 2ª etapa: A escolha de um assunto, de uma situação, e o tom da narrativa.

Iniciar a escrita de um texto é, normalmente, o grande obstáculo para um escriba. O professor, logo, precisa ajudar os estudantes, nessa fase fundamental, na escolha do assunto e, dependendo do que se queira abordar, do tom a ser utilizado em sua elaboração. “É um empurrãozinho essencial para que vençam o medo do papel em branco!” (LAGINESTRA; PEREIRA. 2016, p.43).

Solicitei, então, que cada aluno refletisse sobre: “atualmente, ou num passado próximo, nos lugares em que frequentam, com as pessoas com as quais convivem, dos assuntos que estão em evidência na realidade de vocês, tem algo que lhes chama atenção?”

Requeri que permanecessem em silêncio, apenas pensando num fato, acontecimento, envolvendo algo ou alguém e que fosse inusitado, digno de atenção; pois seria dessa simples observação que cada estudante escreveria sua Crônica, individualmente.

Em seguida, pedi para que, aqueles que se sentissem à vontade, compartilhassem a situação que haviam rememorado e, se possível, que expusessem os porquês de tais escolhas. Exposto um pouco dos assuntos daqueles que quiseram falar, comentei sobre suas escolhas, ratificando a importância de se observar um fato inicial, de algo corriqueiro, e escolher um episódio sobre o qual se pretendia escrever.

Escolhido o assunto, solicitei para que atentassem sobre o tom do enredo que iriam abordar: um fato alegre, triste, solidário; já que, o tom da narrativa (humorístico, poético, crítico) dependia do tema abordado. E também para o foco narrativo, focando se o narrador era observador dos fatos ou personagem que participava também do enredo.

Chamei atenção da turma para dois pontos: primeiro, lembrei-lhes que essa primeira produção era um texto inicial, que seria lido apenas pelo próprio autor e por mim, para avaliação diagnóstica e devolução, servindo de base para a produção final; segundo, como dica, recomendei a criação do título somente ao final da escrita, quando se realiza uma leitura geral e se tem um visão sobre o produto, podendo explorar o aspecto mais relevante do texto com um título sugestivo, curioso e criativo.

Vencidas estas etapas, solicitei que cada um iniciasse sua produção; deu-se início a um dos momentos mais importantes da Sequência Didática: a produção inicial. Como afirma Marcuschi (2008, p.215), “essa produção inicial é a primeira formulação do texto que pode ser realizada tanto coletiva como individualmente. Ela é avaliada formativamente pelo professor recebendo nota”. Optei, como sugere Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), por avaliar os textos, mas não atribuir notas, deixando as notas para a avaliação da produção final.

“Essa primeira produção pode ser feita em esboço geral ou ainda apenas treinando o gênero sem uma destinação específica. Posteriormente, serão feitos os ajustes até a produção final” (MARCUSCHI, 2008, p.215), quer dizer, o objetivo da produção inicial, percebe-se, é fazer uma avaliação inicial, diagnóstica mesmo, dos aspectos que os estudantes já dominam e daqueles que precisam de intervenção para aperfeiçoamento da produção do Gênero Crônica.

“É importante recomendar-lhes que guardem com cuidado o primeiro texto, para compará-lo com o texto final, que será escrito na Oficina 10, e ver com os próprios olhos o quanto evoluíram na caminhada” (LAGINASTRA; PEREIRA, 2016, p.44); não somente isto, mas também, pelo fato de que esta produção inicial será a base da produção final.

Em outras palavras, esta produção serve como autoavaliação para os próprios estudantes, que, orientados pelo professor, descobrem por eles mesmos aspectos ainda carentes e necessários de melhoria. Contudo, serve também como avaliação para que o professor determine as etapas seguintes, pois cada módulo deve agir sobre um determinado ponto carente perceptível na produção inicial.

Ao passo que foram terminando suas produções, alguns só as concluíram em casa, comecei a realizar a avaliação e diagnose, para definir as etapas seguintes.

 3ª etapa: O valor da primeira escrita.

A produção inicial proporciona um diagnóstico dos conhecimentos e das dificuldades de cada estudante. São estes dados que guiam o planejamento das atividades de intervenção necessárias ao desenvolvimento de cada etapa subsequente de trabalho.

É interessante avaliar cada texto com cuidado, apontando caso a caso os pontos carentes e também elogiando os acertos, que ocorrem sempre em maior quantidade, pois elogiar o progresso é muito importante para gerar confiança, como também, saber como indicar os desvios ainda existentes e as lacunas a serem superadas é estabelecer uma ponte de acesso para que consigam transpor estas dificuldades e chegarem ao pódio.

A avaliação foi feita e direcionada a cada aluno, em forma de bilhete, escrito num canto da própria folha. O objetivo foi gerar confiança e não deixá-los inseguros com uma avaliação negativa, na qual só se destacam os „erros‟.

 4ª etapa: Análise da primeira escrita.

Para avaliar os textos, alguns critérios foram fundamentais: primeiro, se o tema foi adequado e próximo à realidade local, então o aluno já tinha o que dizer; segundo, se houve apenas a descrição de um fato ou o relato de uma situação (foi o que, normalmente, ocorreu), então era preciso ajudar os estudantes a perceberem as particularidades do Gênero Crônica nos módulos de atividades, ensinando-os como dizer; terceiro, se o relato serviu de base para uma interpretação que fazia pensar, então já existia, mesmo que ainda em esboço, uma Crônica sendo desenhada; outros pontos avaliados foram se o tom do enredo foi bem escolhido ou careca de ajustes; se havia problemas de acentuação, pontuação, ortografia.

São estes parâmetros que precisam ser levados em consideração no momento da avaliação da produção inicial, para que as atividades desenvolvidas no decorrer dos módulos possam levar os alunos à tomada de consciência e, consequente, superação das dificuldades, pois “o texto vai ser avaliado e revisto tantas vezes quantas necessárias e sucessivamente passando por módulos até chegar ao estágio final” (MARCUSCHI, 2008, p.215).

Ao devolver os textos avaliados, chamei atenção para os bilhetes escritos em cada texto, contendo informações sobre pontos positivos e negativos e indicando que estes pontos, ainda não construídos, seriam aqueles sobre os quais trabalharíamos nas atividades seguintes, para que fossem desenvolvidos e superados.

Encerrei esta fase comentando sobre alguns traços positivos, como títulos curiosos ou criativos, enredos reflexivos ou críticos, merecedores de atenção e aplausos, linguagem bem elaborada ou engraçada, entre outras coisas.

Além do mais, durante as aulas seguintes reservei alguns minutos para conversar individualmente com cada estudante sobre a avaliação e as orientações apontadas para cada produção de maneira individual.

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