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Oitavas de final: Nos pênaltis, Brasil vence Chile

1.4. A Reprodução do Espetáculo no Jornalismo Esportivo na Internet

1.4.2. Oitavas de final: Nos pênaltis, Brasil vence Chile

O confronto das oitavas de final, entre Brasil e Chile, foi um dos mais dramáticos de toda a competição. Realizado na ensolarada tarde de sábado do dia 28 de junho de 2014, o duelo aconteceu no estádio Mineirão, em Belo Horizonte, com 57.714 presentes nas arquibancadas. Os brasileiros comemoraram o primeiro gol da partida logo aos 18 minutos da etapa inicial, convertido pelo zagueiro David Luiz, após escanteio cobrado por Neymar. O Chile empatou 14 minutos depois, com o atacante Alexis Sanchez, em falha da zaga do time de camisa amarela. O jogo permaneceu com o mesmo placar por todo o tempo regulamentar e prorrogação, o que levou a decisão para os pênaltis. Nas cobranças, o Brasil venceu por 3x2, com a consagração do goleiro Júlio César como grande herói da classificação. O que se viu depois do triunfo foram jogadores extremamente emocionados,

ajoelhados, com lágrimas nos olhos, e o mesmo é válido para os torcedores, que entraram no estado mais elevado de euforia e alegria até aquele momento da Copa.

A tarefa para o jornalista não era das mais fáceis. Na reportagem, não basta apenas informar. O propósito vai muito além disso. É preciso tentar reproduzir com toda a riqueza de detalhes e recursos disponíveis o que foi o espetáculo da partida. Desde a execução dos hinos até a comemoração final dos atletas e torcedores. O repórter tem a missão de transmitir as emoções da partida ao leitor que não pode assisti-la ou para aquele que assistiu e quer reviver e relembrar os momentos mais importantes.

No GloboEsporte.com, a estrutura é a mesma que o anterior. Em caixa alta, o texto é intitulado “JÚLIO CÉSAR PEGA DOIS PÊNALTIS, CHILE BATE NA TRAVE, E BRASIL VAI ÀS QUARTAS”(sic) (Fernandez, 2014). Logo embaixo, o bloco de vídeos. Desta vez, são 24 vídeos disponíveis para o espectador, inclusive uma filmagem do pré-jogo que resume os principais passos das classificações de ambas as equipes. O relato começa com dois parágrafos, que descrevem o resultado final e os personagens da partida, além de uma simples frase do goleiro Júlio César, considerado o herói do confronto. Percebe-se independentemente do grau de importância da partida, o botão “Expandir a crônica completa” sempre está presente, o que reforça como as imagens ganharam uma relevância muito grande. Há a inserção de nove fotografias, todas retratando as diferentes emoções, comemorações e dramas ao longo dos 120 minutos. As imagens intercalam obrigatoriamente com o texto para que haja uma pausa para o leitor e não fique tão massivo. Há, ainda, mais um vídeo com outros lances. Além disso, o jornalista também descreve a partida em forma de tópicos, dividindo os momentos-chave. Isto facilita a busca por algo específico que o fã eventualmente queria procurar.

O ESPN.com.br, por conta dos contratos de transmissão, retirou o vídeo com os melhores momentos e colocou uma fotografia da defesa decisiva do goleiro brasileiro Júlio César. Mais três imagens foram inseridas na reportagem. Há um detalhe interessante nesta matéria - como alternativa para agradar o fã do esporte e tentar reproduzir um pouco do espetáculo: foram inseridos três vídeos, sendo um não relacionado diretamente com o confronto, com o título “Angústia, festa e pegação: Vila Madalena lota de belas mulheres, gringos e famosos durante jogo do Brasil”. Este é um bom exemplo de como o jornalismo esportivo na internet utiliza todos os recursos possíveis para prender o leitor na matéria. Os outros são comemorações de torcedores brasileiros fora do

estádio após a classificação épica. Mais um momento do espetáculo Copa do Mundo junto com o jornalismo.

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Imagem 6: Vídeo inserido ao longo da matéria do GloboEsporte.com.

A imprensa contemporânea se diferencia bastante da imprensa de algumas décadas atrás, quando os grandes jornais se importavam mais com a “missão” jornalística de formação de uma opinião pública, obviamente com base na perspectiva política de cada jornal, ao contrário do que acontece na atualidade, em que predomina o padrão jornalístico de prestação de serviço. Esse conceito de “missão” foi deixado de lado e substituído pela preocupação da empresa jornalística em atingir melhores resultados econômicos. Houve, dessa maneira, uma significativa transformação da imprensa escrita e da notícia em uma mercadoria específica que deve ser vendida em dois mercados diferentes: dos anunciantes e dos leitores (MARQUES, 2006, p. 33).

As diferenças da qualidade da notícia dependem diretamente da situação financeira do veículo de comunicação. É a mesma lógica de uma mercadoria de determinada empresa - se o investimento é alto, as chances de um retorno econômico são bastante prováveis. Ainda no site do ESPN.com.br, há diversos links de outras matérias espalhados ao longo da reportagem, do bloco “Saiba Mais”. Ao todo, são nove links de notícias.

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O GazetaEsportiva.com.br publicou o relato com o título “Brasil sofre e só vence o Chile nos pênaltis para ir às quartas”. De novo, há uma propaganda junto com o parágrafo inicial. Já no primeiro lead, são apresentadas as informações como os autores dos gols e quem converteu e errou as penalidades. Antes mesmo do sub-tópico “O jogo”, o repórter faz um resumo da dramaticidade da partida. Depois, traça um histórico dos confrontos entre Brasil e Chile em campeonatos mundiais profissionais, além da data do próximo jogo da seleção de Felipão. O repórter utiliza apenas três imagens para ilustrar os momentos do confronto e descreve detalhadamente o que aconteceu na partida no “O Jogo”. Diferente da ESPN, a matéria da GazetaEsportiva.net não coloca nenhum vídeo de assuntos relacionados à Copa, que poderiam prender o leitor à nota.

Desta vez, o portal Folha de S.Paulo não colocou a opinião de nenhuma celebridade ou jornalista em específico. A matéria, assim como a da partida anterior, não foi assinada por nenhum profissional. Intitulada “Júlio César pega dois pênaltis, Brasil supera Chile e vai às quartas na Copa”, a reportagem apresenta, logo após o título, uma alternativa muito interessante para quem não possuiu o direito de publicar os vídeos: uma fotomontagem com a trajetória que a bola percorreu na penalidade que deu a vitória ao Brasil. Com uma linha - ou flecha - amarela, a bola sai da marca de cal, bate na trave esquerda de Júlio César e vai para o lado oposto, longe do gol. Nas reportagens analisadas, é a única vez que uma fotomontagem aparece, e é válido dizer que é uma opção bem pensada e elaborada.

O texto segue bem a cartilha do jornal, com caráter bastante informativo e parágrafos não muito longos. Destaque para a inserção de mais hyperlinks do que na anterior, que redirecionam para outras matérias relacionadas e um trecho da coluna do jornalista Clóvis Rossi. Antes da galeria de fotos, que contém 10 imagens, há o subtítulo “Freguesia” com dados históricos e até econômicos que envolvem as duas seleções; após a galeria, aparece “O Jogo” e todo o relato com os detalhes da partida, até mais um subtítulo, “Prorrogação”, que serve como uma espécie de pausa para a leitura não ficar muito cansativa e encerrar a notícia.