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Oitavo encontro: módulo 6 interdiscursividade e intertextualidade

5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

5.8 Oitavo encontro: módulo 6 interdiscursividade e intertextualidade

No oitavo encontro, ocorrido no dia 19/05/2015, utilizamos duas aulas de 50 minutos cada. Neste momento, distribuímos para os alunos-participantes o artigo de opinião nº 6 (Anexo 06), da coletânea que compõe o corpusdesta pesquisa, cujo título é: “Ainda sobre a

redução da maioridade penal e sua dupla incoerência”, de autoria de Francisco Luciano

Teixeira Filho, publicado no jornal O Povo do Ceará.

A partir da leitura deste artigo de opinião, tínhamos a intenção de desenvolver nos alunos-participantes a habilidade de identificação dos interdiscursos presentes no texto e ainda da utilização do recurso da intertextualidade na construção do referido texto.

Acerca de como identificar o(s) discurso(s) presentes no discurso do articulista, ou possíveis de ser retomados a partir do diálogo que ela estabelece com outros discursos, elaboramos a seguinte questão: Que interdiscursos estão presentes no artigo lido?

Depois da leitura do texto, explicamos o tratamento dado à categoria interdiscursividade, tomando como referência os estudos de Coimbra e Chaves (2012). Em seguida, os alunos-participantes responderem a pergunta produzida sobre os discursos que estão presentes no artigo lido, afirmando que o referido texto era mais complexo que todos os outros lidos nos encontros anteriores. Diante da situação apresentada, realizamos uma leitura oral do texto, discutindo sobre o que cada parágrafo informava. Justificamos que a dificuldade de compreensão devia-se ao fato de o articulista ser um professor de filosofia. Tal aspecto explica, também, por que ele formulou os argumentos da maneira como se apresentavam no texto.

A resposta a essa pergunta foi dada em forma de estudo dirigido. Durante a leitura oralizada, estimulamos os alunos-participantes a discutirem cada parte do texto e a se colocarem sobre as muitas vozes presentes no texto.

O primeiro interdiscurso identificado no artigo lido se refere a um sujeito moderno e bem informado, envolvido numa sociedade midiática, bem consciente em relação à redução da maioridade penal, diferentemente de outras pessoas que viveram em momentos anteriores. O trecho do artigo lido que evidencia a informação é: “O maior argumento a favor da redução da maioridade penal é a quantidade de informações. Temos TV, jornais, internet, enfim, infinitos meios de comunicação que bombardeiam informações constantemente sobre todos nós, em todas as faixas etárias. Então, de fato, somos bem informados e, portanto, menos inocentes do que as gerações anteriores. Nesse sentido, é justo que a Constituição se adeque aos novos tempos”.

O segundo interdiscurso que mereceu destaque no artigo lido representa a voz de

alguém que gostaria que a redução da maioridade fosse mais ampla do que se propõe do ponto de vista jurídico-penal, abrangendo outras áreas da vida das pessoas. Isso fica claro no seguinte trecho: “um amigo ironizou: „colocar o neguinho na cadeia, pode, mas a

O terceiro interdiscurso, percebido no artigo de opinião em estudo, visa refutar a concepção de que o aparato midiático de que a sociedade dispõe hoje é suficiente para torná- la mais consciente e, por isso, capaz de adaptar-se à redução da maioridade penal, pertencente a um médico neurologista. A parte do texto que mostra tal interdiscurso é: “Todas essas considerações são coerentes com a ideia de que somos maduros mais cedo, hoje, mas completamente incoerentes com o que se conhece sobre o cérebro humano, com a neurociência e os avanços da ressonância magnética funcional. António Damásio, importante especialista da área, vem alertando que não só a maturidade do córtex pré- frontal é tardia, na vida humana, chegando por volta dos 20 anos de idade, mas também que a história de vida de uma pessoa, traumas, enfim, podem gerar disparidades enormes na maturação cerebral, assim como subdesenvolvimento de estruturas relacionadas ao comportamento moral”.

Sobre a questão de como identificar, na construção do referido texto, marcas de intertextualidade e como classificá-las, propomos o questionamento: O articulista recorreu à intertextualidade na formulação dos argumentos, a fim de fortalecer seu ponto de vista? Em que trechos isso acontece?

Para auxiliar os alunos-participantes a responderem a essa pergunta, tecemos comentários sobre a categoria intertextualidade, tomando como referência os estudos dos autores Koch & Travaglia (2014).

Respondendo à pergunta elaborada, os alunos afirmaram que o articulista recorreu ao recurso da intertextualidade implícita de conteúdo ao citar a Constituição, pois esta carta magna dispõe em seu texto que a maioridade penal de 18 anos constitui uma cláusula pétrea, ou seja, algo inalterável. O trecho em que o articulista procede dessa forma é: “Então, de fato, somos bem informados e, portanto, menos inocentes do que as gerações anteriores. Nesse sentido, é justo que a Constituição se adeque aos novos tempos”.

Outro trecho onde fica registrado o emprego do recurso da intertextualidade de conteúdo é aquele em que o articulista cita a máxima da lei de Talião ou do Código de Hamurabi “olho por olho, dente por dente”, lei segundo a qual os transgressores pagam

proporcionalmente pelos atos cometidos. A parte do texto onde esse registro é feito é: “Todas essas descobertas deveriam nos levar a entender a pena como um tratamento de uma doença psicossocial (Isso é justiça!), não como um aparelho de vingança. Mas parece que a sociedade não está preparada para superar a lei do olho por olho, dente por dente”.

Com este módulo, concluímos o ciclo de leituras dos artigos de opinião integrantes do

habilidades de identificação e da interdiscursividade da intertextualidade. Apesar de o artigo de opinião lido neste módulo ter sido escrito por um professor de filosofia e possuir uma linguagem mais hermética que a dos anteriores, os alunos-participantes, além de já estarem familiarizados com a temática que ele abordou – a redução da maioridade penal –, a própria prática de leitura realizada nos módulos anteriores forneceu suporte para que eles demonstrassem, através das respostas dadas às perguntas suscitadas, que compreenderam o texto, tanto que juntos identificamos nele trechos que constituíram intertextos e interdiscursos.