Capítulo III. Teoria das Ondas de Elliott
III. 2 A S Ondas de Impulso (Impulse Waves)
As Ondas de Impulso, na sua estrutura básica, designadas pelos números 1, 2, 3, 4 e 5, são aquelas que se movem na mesma direção que a tendência de evolução do mercado. Tomam a designação de Ondas de Impulso no entendimento de Frost e Prechter (2003, p. 26), por impelir o mercado11.
Tanto se podem interpretar como o conjunto das cinco constituir uma só formada por cinco sub-Ondas (ou fases) dentro da mesma Onda como considerar sendo cinco sub- Ondas que apenas têm sentido no conjunto das cinco agregadas e não individualmente desligadas umas das outras.
Se a tendência de evolução do mercado for ascendente, estas Ondas exibem uma direção no sentido de baixo para cima. Pelo contrário, se a tendência de evolução do mercado for descendente, estas mesmas Ondas exibirão uma direção no sentido de cima para baixo. Por conseguinte, aquilo que determina, em última instância, a sua direção é a tendência que o mercado apresenta (ascendente ou descendente). Em ambas as tendências a sua estrutura é designada, sempre, por números.
De uma forma geral, pode-se dizer que, os números de 1 a 5 constituem como que uma só Onda constituída por cinco sub-Ondas. Pela Figura 12., observa-se a configuração típica de uma Onda de Impulso.
10 De realçar que, Chatterjee et al. (2002, p. 69), as expressões anglo-saxónicas Impulse Waves e a
expressão Impulsive Waves, são empregues com o mesmo significado de Ondas de Impulso. Por outro lado, Frost e Prechter (2003, p. 30), utilizam a expressão Motive Waves no sentido de Ondas de Impulso e
Impulse Wave, na mesma página 30, noutra aceção. Aquela que será utilizada por nós é a referida no
título desta Seção e que origina este esclarecimento em nota de rodapé.
11 Mas, registe-se que, estes dois autores apelidam e utilizam a expressão Motive Waves e nós Ondas de
44
Figura 12. - Ilustração das Cinco Ondas de Impulso, de uma Amplitude Temporal Maior (Lado Esquerdo) para uma Menor (Lado Direito)
Fonte: Kotick (sem data, p. 13).
No lado esquerdo da Figura 12., verifica-se que estão presentes os cinco números (de 1 a 5) das outras tantas cinco sub-Ondas que a caraterizam. Por conseguinte, desde o início até ao número 1, temos a primeira sub-Onda. De 1 a 2, temos a segunda sub- Onda. De 2 a 3 observa-se a terceira sub-Onda e, de 3 para 4, a quarta sub-Onda e, por fim, de 4 para 5, a quinta sub-Onda.
Destaca-se um pormenor importante: nestas cinco sub-Ondas, duas (da sub-Onda 1 para a 2 e da sub-Onda 3 para a 4) são sub-Ondas de Correção dentro das sub-Ondas de Impulso.
Por seu turno, do lado direito da mesma Figura 12., temos a mesma Onda do lado esquerdo mas, com uma amplitude temporal de cada sub-Onda menor12 o que se traduz no facto de, cada uma das cinco sub-Ondas, se desagregar em outras de menor amplitude temporal. Deste modo, desde o início até (1) temos outras tantas cinco sub- Ondas de Impulso. De (1) até (2) temos três sub-Ondas de Correção. De (2) para (3), temos outras tantas cinco sub-Ondas de Impulso, para, de (3) para (4), voltarmos a ter outras três sub-Ondas de Correção e, finalmente, esta desagregação conclui-se de (4) para (5) com as últimas cinco sub-Ondas de Impulso.
12 Significa que cada sub-Onda tem uma unidade de tempo, referencial temporal, mais pequeno e daí que
45
Qualquer que seja a amplitude temporal considerada, pode-se evidenciar algumas caraterísticas notáveis detidas pelas sub-Ondas (na aceção de uma só considerada). De acordo com Chatterjee et al. (2002, p. 70), na presença de uma tendência ascendente de um mercado de qualquer valor mobiliário, a sub-Onda 3 é maior do que a sub-Onda 1. Por seu lado, a sub-Onda 5 é maior do que a 3 e, a sub-Onda 4 não conhece qualquer correção que a faça situar abaixo do pico da sub-Onda 1.
Igualmente, na presença de qualquer amplitude temporal e perante uma tendência descendente do mercado de qualquer valor mobiliário, a sub-Onda 3 é sempre menor que a sub-Onda 1, a sub-Onda 5 é menor do que a sub-Onda 3 e a sub-Onda 4 não conhece uma correção acima do ponto mais baixo da sub-Onda 1.
Saliente-se que, originalmente, Elliott, não definiu o sentido de evolução destas sub- Ondas e qual o seu comprimento, residindo neste aspeto, porventura, a principal dificuldade na sua utilização com fins previsionais da evolução das cotações de valores mobiliários.
No contexto das Ondas de Impulso, foram introduzidas por Elliott, três tipos de formas típicas de acordo com Chatterjee et al. (2002, p. 70):
Onda Estendida (Extended Wave) - a partir da sub-Onda 1, 3 ou 5, apenas, desdobra-se numa Onda Estendida traduzindo-se na sub-divisão em cinco sub- Ondas mais pequenas. Como o próprio nome indica, a extensão mais não é do que uma sub-Onda que se estende no seu comprimento (previsto de acordo com a Teoria das Ondas de Elliott);
Triângulo Diagonal na sub-Onda 5 (Diagonal Triangle at Wave 5) - na sub-Onda 5, ocorre, por vezes, o fenómeno de, perante a formação fraca desta, as sub- Ondas 2 e 4, sobreporem-se entre si tendendo a formar um triângulo diagonal. Constata- se que se trata de uma sub-Onda terminal (formando como que uma cunha – na terminologia utilizada por Chatterjee et al. (2002) – wedge), dimanada da sub-Onda 5 podendo ser subdividida numa Onda de Correção;
Falha da Quinta sub-Onda (Fifth Wave Failure) - quando a sub-Onda 5 se apresentar de tal modo sem força que não consiga situar-se acima da sub-Onda 3, verifica-se a formação de um duplo topo no término da tendência. Simultaneamente,
46
esta falha indica que se avizinha um movimento, forte ou prolongado, em sentido contrário ao observado até ao momento considerado.