CAPÍTULO 3. ADENTRANDO O TERRITÓRIO A DIMENSÃO HISTÓRICA
3.3 A OPEN UNIVERSITY NO BRASIL A EAD DE 1979 A 1985 NA UNB.
Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco Sem parentes importantes e vindo do interior.. Belchior.
Apenas um Rapaz Latino Americano.
(Música Popular Brasileira).
A Open University, fundada em 1965 pelo Partido Trabalhista da Inglaterra do Ministro Harold Wilson, colocou em prática seu modelo de ensino com a admissão de 25.000 alunos em 1971. O modelo de Educação a Distância implantado pela Open
University, no início da década de 70, já se encontrava consolidado e em expansão,
quando foi trazido para a UnB em 1979. O sistema de ensino a distância na Inglaterra era feito com a utilização dos meios de comunicação de massa, apoiado na produção da
British Broadcast Coorporation (BBC), cadeia estatal inglesa de rádio e televisão. No
caso brasileiro, as iniciativas nesse campo mostravam-se muito tímidas. Os sistemas de telecomunicações no Brasil, motivo de orgulho do Regime Militar e componente importante na materialização da Política de Segurança Nacional, foram muito pouco utilizados para fins educacionais, embora o País dispusesse de tecnologia de telecomunicações suficientemente desenvolvida para fazer Educação a Distância em todo o território nacional. A Reforma do Ensino de 1968 não previu a utilização das telecomunicações como recurso para ampliação do acesso ao ensino superior. 15 Por que razão a UnB ficou privada desses recursos de ensino de massa no período em que havia fortes pressões da classe média por acesso à universidade pública? A reforma do ensino superior de 1968, implantada pelo governo militar, não propôs a utilização dos sistemas de comunicação de massa para realização de projetos educacionais no Ensino Superior e muito menos lançou mão da Educação a Distância como recurso para ampliação do acesso a este nível de ensino.
Embora iniciativas de Projetos de Lei para criação de uma Universidade Aberta já tivessem sido apresentadas no Congresso Nacional desde 197416, a UnB foi a
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Sistemas de rádio-difusão foram utilizados para fins educacionais em programas de ensino básico do Projeto Minerva do Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da Educação e Cultura a partir de 01/09/1970. Os sistemas de radiodifusão e os canais de Televisão no País jamais foram usados para veicular cursos de nível superior.
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"Em 1974, o deputado Pedro Faria, MDB-RJ, já tinha proposto que "o ensino superior poderá ser oferecido por Universidades Abertas", definidas como instituições de ensino superior, "ministrado através de processos de
universidade pioneira na execução de cursos de extensão na modalidade a distância. Os cursos ofertados nessa modalidade na UnB iniciaram-se em 1979 durante a gestão do Prof. José Carlos Azevedo17, após a assinatura do Convênio com a Open University da Inglaterra. Oferecidos como cursos de extensão, no período de 1979 a 1985, foram realizados com aprovação da Reitoria18 e financiados pela Editora UnB19.
A implantação da Educação a Distância na Universidade iniciou-se no momento em que a sociedade brasileira convivia com as ambigüidades político-institucionais geradas pela transição de um regime militar autoritário em declínio para um regime político aberto e democrático não estruturado. No final dos anos setenta, o país vivia o momento da anistia geral e irrestrita, quando aqueles que foram banidos pelo regime militar retornavam ao país. Este foi um período de redução crescente da participação dos militares no poder e de distensão da repressão na direção da reabertura política do país de forma negociada, lenta e gradual.
Em 1979 foi permitido aos exilados políticos seu retorno ao País sem serem presos e, em contrapartida, os torturadores e criminosos do período de repressão não foram julgados nem condenados. Alguns colaboradores do governo militar saíram da cena política por encontrarem cada vez menos espaço e legitimidade para suas ações; outros assumiram papéis importantes na transformação das correntes de apoio à governabilidade do recém-empossado governo civil. Nesse mesmo ano, apesar do surgimento de um novo cenário político no País, as universidades sofreram um retrocesso em sua autonomia universitária com a decretação da lei 6.733/79, como recorda Faria (2002)
[A] Lei No. 6.733/79 que passa para o presidente da República o poder de nomear, ao seu arbítrio, e sem especificar qualquer tempo de duração de mandatos, todos os dirigentes das fundações mantidas pelo governo federal, qualquer que fosse sua
comunicação a distância" Os meios impressos são considerados básicos, sem prejuízo do uso do rádio, televisão cinema, etc. Prevê centros regionais, e diplomas com validade idêntica aos das universidades tradicionais. [...] O projeto é reapresentado pelo parlamentar, e definitivamente arquivado em 1979. (CEAD, 1991, p. 4).
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Físico formado pelo Massachussets Institute of Technology, o Prof. Azevedo era Capitão de Mar e Guerra e veio para UnB em setembro de 1968, permanecendo como vice-reitor dois períodos e como reitor durante mais dois períodos consecutivos.
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Uma das características da gestão da UnB no período do regime militar era a condução de decisões sem consulta prévia à comunidade acadêmica. As decisões tomadas pelo alto escalão da universidade eram participadas aos alunos e professores à posteriori.
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O Decano de Extensão era também presidente da Editora da UnB, Prof. Embaixador Carlos Henrique Cardim.
natureza, inclusive aquelas mantenedoras de universidades federais. (FARIA, 2002, p.16).
Essa Lei permitiu a recondução do Prof. José Carlos de Almeida Azevedo ao cargo de Reitor da UnB, em maio de 1980. O Prof. Azevedo20 iniciou o seu segundo período consecutivo à frente da Universidade pouco mais de um ano após a assinatura do Convênio com a Open University da Inglaterra. Nesse segundo período, o Prof. Azevedo levou adiante o projeto de implantação da prática da Educação a Distância (EaD) no País, seguindo o modelo da universidade aberta inglesa21.
O Convênio assinado em 26 de janeiro de 1979 previa a reprodução de materiais didáticos de alto padrão, traduzidos pela Editora da UnB e distribuídos comercialmente em todo o país. A Editora da Universidade teria a first option, ou seja, a primeira opção para edição da obra em português; não havendo interesse da UnB, o direito de publicação da obra seria repassado a outras editoras do mercado para publicação no Brasil. Parte do valor de venda dos títulos traduzidos e publicados pela Editora da UnB, à medida que fossem sendo comercializados, retornaria para a Open sob a forma de direitos autorais. A Open cederia, porém, os direitos de uso acadêmico de seus materiais educacionais para a UnB, sem o pagamento de royalties.
Em conferência proferida em 23 de agosto de 1979 no Senado Federal, o Reitor Jose Carlos Azevedo expôs o funcionamento da Open University. Dentre os fatos que precederam sua criação, mencionou a forte oposição política sofrida pelo projeto na Inglaterra. Apesar dos opositores à idéia de uma Universidade Aberta, o apoio obtido pelo Parlamento Inglês foi determinante para que a Open University se consolidasse como instituição cujo único compromisso seria o de não abdicar de padrões de
qualidade (Azevedo, 1979). Na conferência tentou justificar a criação de uma
Universidade Aberta pela necessidade de expansão do sistema de ensino, preservando sua qualidade. Nessa visão, a EaD poderia contribuir para:
atender grandes contingentes humanos mais rapidamente que os métodos tradicionais; ser altamente competitiva em relação aos investimentos - na UA inglesa, o aluno custa
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O reitor José Carlos Azevedo gozava de prestígio na elite intelectual brasileira ligada ao governo militar. Capitão de Mar e Guerra da Marinha. Doutor em física nuclear pelo Massachussets Institute of Technology, com seu prestígio, na condição de reitor, realizou as grandes obras de infra-estrutura do campus da UnB.
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Vale ressaltar que a Open University encontrava-se em plena expansão e era a instituição de maior prestígio internacional em Educação a Distância. A própria Open sofreu grandes oposições políticas para sua implantação na Inglaterra.
40% menos que o das demais universidades; evitar macro-concentrações em universidades; auxiliar o desenvolvimento rural e reduzir o fluxo de pessoas para as cidades; e, finalmente, assegurar acesso maior aos ensinamentos de nível superior, em particular atingindo locais onde não há escola (AZEVEDO, 1979, s.p.22).