CAPÍTULO 3. PROBLEMÁTICA, HIPÓTESES E METODOLOGIA
3. Operacionalização
Como sugerimos acima, para explorar a mal conhecida realidade cabo-verdiana de modo significativo para as hipóteses de trabalho acima enunciadas, adoptamos no estudo empírico uma postura de “descoberta” tomando essas hipóteses como guias, e não de “verificação” que as tomaria como relações causais a testar. Assim, a operacionalização empírica não procede pela inferência hipotético-dedutiva de consequências empíricas das hipóteses teóricas, culminando na definição de indicadores e escalas de medida para as suas variáveis constituintes. Ao invés, seguiremos uma abordagem “indiciária” ao real, em que os conceitos com que formulámos as hipóteses não são variáveis a medir, mas sim conceitos sensibilizadores para a descoberta. Por sua vez, a interpretação dos dados descobertos toma-o como indícios para inferências hipotético-indutivas que reorientarão o processo de exploração, num procedimento
Avaliação do ambiente estratégico nacional e internacional Determinação de objectivos, opções e políticas Análise custo/benefício das consequências das opções políticas Implementação das opções politicas
iterativo em que descoberta e verificação se constroem e reforçam reciprocamente. Assim, embora não deixemos por isso de utilizar dados quantitativos, a lógica da pesquisa segue o paradigma indiciário e interpretativo típico da investigação qualitativa (Soulet 2012). Só subsequentemente, em função dos resultados interpretados desta exploração, a abordagem se revestirá de uma lógica hipotético-dedutiva, não no sentido da administração da prova mas sim no da inferência, necessariamente dedutiva, de um cenário prospectivo de intervenção, que seja plausível à luz das teorias de segurança, estratégia e relações internacionais mobilizadas e face à interpretação dos indícios empíricos descobertos. As figuras 3 e 4 sistematizam a nossa démarche metodológica: Figura 3. Plano geral da investigação
Eixo 1: Diagnóstico Objectivos
gerais Objectivos específicos Método Técnicas
Q a), H1
Compreender os problemas de segurança e defesa de Cabo Verde no seu contexto geopolítico
Q b), H2
Analisar a evolução da política externa de segurança e defesa em Cabo Verde, avaliação dos impactos, da consistência e da eficácia
Descrever e compreender: A evolução das
vulnerabilidades de Cabo Verde do ponto de vista securitário, no quadro da construção do Estado- Nação cabo-verdiano e do seu contexto geopolítico A evolução das estratégias e dos mecanismos de actuação face às vulnerabilidades identificadas Estudo de caso Indutivo /interpretativo Histórico Pesquisa bibliográfica Pesquisa e análise qualitativa (pesquisa documental, entrevistas, análise de conteúdo) Pesquisa e análise quantitativa (indicadores estatísticos) Eixo 2 : Intervenção Q c), H3
Caracterizar riscos securitários novos e prospectivos,
emergentes de situações em outros Estados da CEDEAO Avaliar as potencialidades de actuação diplomática e formulação de cenários de intervenção para minorar ou controlar esses riscos
Q d), H4
Identificar potenciais impactos de novas situações de
insegurança interna na formulação da política externa
Descrever as situações geradoras de riscos existentes no contexto internacional da CEDEAO Identificar meios de prevenção e contenção potencialmente influenciáveis por via diplomática.
Descrever os novos fenómenos e percepções de insegurança, e as representações das suas causas, na opinião pública e entre os agentes políticos Caracterizar o impacto dessas percepções e representações na formulação de metas e orientações da política externa Hipotético- dedutivo Prospectivo Indutivo / interpretativo Pesquisa bibliográfica Interpretação teórica e inferência dedutiva, extrapolação de tendências Pesquisa e análise qualitativa (pesquisa documental, entrevistas, análise de conteúdo) Pesquisa e análise quantitativa (indicadores estatísticos; inquérito por questionário)
Q e), H5
Propor cenários de actuação política externa do Estado cabo- verdiano balizados nas
conclusões obtidas pela exploração das questões antecedentes
Identificar possibilidades plausíveis de actuação em política externa
Sistematizar essas
possibilidades num cenário estratégico coerente (ou cenários alternativos) Dedutivo Pesquisa bibliográfica Interpretação teórica e inferência dedutiva
Figura 4. Descrição das fontes TÉCNICAS DE
RECOLHA FONTES EXPLORADAS
Pesquisa Documental
a) Documentos oficiais das principais instituições nacionais que lidam com questões
de segurança e defesa nacional (Ministério de Defesa Nacional; Ministério da Administração Interna; Ministério da Justiça através da Polícia Judiciária; Ministério das Relações Exteriores):
Documentos programáticos e de política Documentos estatísticos
b) Documentos oficiais das instituições internacionais relevantes que podem estar
ligados directamente ou indirectamente na política de segurança e defesa de Cabo Verde (Organização das Nações Unidas através ONODC; CPLP; Instituto da África Ocidental)
Documentos programáticos e de política Documentos estatísticos
c) Resultados publicados de sondagens de opinião sobre percepções de segurança e
insegurança da população (Afrobarómetro, 2011 e 2014)
Entrevistas Actores políticos e dirigentes de instituições nacionais e internacionais que lidam com a política de segurança e defesa (entrevistas semi-estruturadas):
a) Nacionais (Ministro da Defesa Nacional; Director da Polícia Judiciaria; Ministra
da Administração Interna; Ministro das Relações Exteriores);
b) Internacionais (Representante das Nações Unidas em Cabo Verde; Secretário
Executivo da CPLP; Presidente do Instituto da África Ocidental e outras figuras internacionais reconhecidas pelos trabalhos publicados no domínio e pela experiência empírica).
Inquérito por
questionário Questionário de avaliação da percepção da segurança ou insegurança por parte da população em dois dos maiores municípios do país (Praia e Santa Catarina).
Pesquisa bibliográfica
Teses, dissertações, artigos, e monografias que constituem fontes secundárias de informação empírica.