Esquema 2.6 – Processos semânticos 78
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 30
2.1 Pensamento complexo 30
2.1.2 Operadores cognitivos da complexidade 38
Morin (1999) define os operadores cognitivos do pensamento complexo5 como categorias de pensamento que auxiliam na compreensão da própria
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“A interdisciplinaridade refere-se a uma abordagem epistemológica dos objetos de conhecimento [...]. A interdisciplinaridade questiona a segmentação entre os diferentes campos do conhecimento produzida por uma abordagem que não leva em conta a inter-relação e a influência entre eles, questiona a visão compartimentada (disciplinar) da realidade sobre a qual a escola, tal como é conhecida, historicamente se construiu. Refere-se, portanto, a uma relação entre disciplinas” (BRASIL, 1997, p. 31).
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“[...] a transdisciplinaridade, como princípio epistemológico, implica atitude de abertura para com a vida e todos os seus processos, atitude que nos ajuda a superar as barreiras disciplinares na tentativa de compreender melhor o que está além dos limites e das fronteiras estabelecidas. [...] a transdisciplinaridade não combina com o pensamento único e com práticas pedagógicas instrucionistas, por valorizar o pensamento relacional, articulado, crítico, criativo, auto-eco- organizador e emergente” (MORAES, 2010b).
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complexidade do processo de aprendizagem, em outras palavras, auxiliam-nos no “pensar complexo”.
De acordo com Mariotti (2007), os operadores cognitivos permitem que o pensamento linear, ou fragmentado, e o pensamento sistêmico, ou complexo, relacionem-se, facilitando a ligação entre os conhecimentos atrelados a essas duas formas de pensar.
Morin (1999) ressalta a importância de os operadores cognitivos do pensamento complexo serem entendidos de forma integrada uns aos outros, e não de forma isolada, e a igual eficácia de todos eles quando atuam de forma sinérgica, embora, em determinada situação, seja preferível a utilização de apenas um deles.
Para a adequada compreensão de como os operadores funcionam, Mariotti (2007) dá o exemplo do músico instrumentista, que, no começo de sua jornada de aprendizagem, necessita da partitura como ferramenta, mas aos poucos, dispensa essa ferramenta, o que nos leva a entender que a música e sua própria execução passaram a fazer parte da própria natureza do músico.
Segundo o autor, são os operadores cognitivos que capacitam o homem a pensar, a refletir, a “enxergar” mais de uma perspectiva de uma mesma realidade, a ligar fatos, objetos ou dados aparentemente desconexos, fazendo-o compreender como cada um desses elementos pode influenciar os demais, enfim, os operadores cognitivos habilitam o homem a fazer associações e resolver problemas.
São oito os operadores cognitivos do pensamento complexo propostos por Morin (1999): princípios recursivo, dialógico, hologramático, sistêmico- organizacional, retroativo, princípios da autoeco-organização, da reintrodução do sujeito cognoscente e princípio ecológico da ação. Além desses, Varela, Thompson e Rosch (apud MORAES; VALENTE, 2008) propuseram mais um, o princípio da enação, e Moraes e Valente (2008), outro, o princípio ético.
Apesar da existência dos 10 operadores cognitivos citados, Morin (2008) e outras obras do mesmo autor se restringem apenas aos três princípios ou macroprincípios – princípios recursivo, dialógico e hologramático –, tratados a seguir.
O princípio recursivo (MORIN, 1999) considera os produtos como produtores dos próprios produtos, e os efeitos como causas dos próprios efeitos. Assim, o produto é produtor e produto ao mesmo tempo.
Segundo Mariotti (2007), o operador da recursividade é o princípio fundamental do pensamento complexo, já que todos os outros se ligam a ele devido
à necessidade de se substituir, em muitos casos, a sequencialidade entre causa e consequência do pensamento pela recursividade ou circularidade entre esses fatores.
Como exemplo, o autor cita a influência exercida pelo indivíduo sobre a sociedade em que vive e, por outro lado, a influência exercida por essa mesma sociedade sobre esse indivíduo. Os processos mentais de um indivíduo afetam a sociedade por meio de suas convicções e atitudes na medida em que se relacionam com os processos mentais de outros indivíduos. Por meio da interface entre os processos mentais dos indivíduos, constrói-se a mente social, que afeta, em uma via recursiva, os processos mentais dos indivíduos que compõem essa sociedade, culminando com o desenvolvimento da cultura. Portanto, de acordo com Mariotti (2007), indivíduo, sociedade e cultura são não só produtos desse processo recursivo mas também produtores, ou seja, são influenciados uns pelos outros e, ao mesmo tempo, influenciadores.
Segundo Moraes (2010, p. 32), o ser humano é “multidimensional, complexo [...], estruturalmente integrado, constituído de diferentes dimensões [...] nutridas pelos processos racionais, emocionais, intuitivos e criativos [...]”. O que acontece ao redor do aprendiz, ou seja, o que constitui sua realidade e seu todo influencia seus pensamentos, suas ações, seu comportamento e suas atitudes, ou seja, suas próprias partes (MORAES, 2010, p. 32). Por outro lado, seus pensamentos, suas ações, seu comportamento e suas atitudes influenciam, de forma recursiva, o ambiente.
A antítese de elementos opostos, como razão e emoção, desfaz-se, segundo o princípio dialógico (MORIN, 1999), unindo dois aspectos aparentemente antagônicos, porém complementares, em favorecimento da ideia de algo ainda em processo, em construção, inacabado, cuja base é justamente a retroatividade e a recursividade (MORIN, 1999), elemento fundamental para demonstrar a dependência de todos os princípios em relação ao princípio recursivo. Segundo o autor, é justamente a ligação entre os elementos contraditórios que nos faz interpretar e analisar a realidade de formas diferentes.
De acordo com Mariotti (2007), o próprio nome do princípio (dialógico) já pressupõe a existência de contradições persistentes, impossíveis de serem resolvidas, tal como acontece no mundo, como sistema vivo que é, visto sob a ótica
da complexidade. Portanto, a convivência entre elementos antagônicos os faz também complementares.
A título de exemplo, o autor cita novamente a sociedade, que é, ao mesmo tempo, colaborativa e competitiva. Enquanto os indivíduos se unem para cooperar uns com os outros, ajudar-se mutuamente, enfim, construir juntos, esses mesmos indivíduos competem entre si como elementos que se encontram em lados opostos, antagônicos, porém complementares, porque não há competição se não houver competidores, não há concorrência se não houver concorrentes.
De acordo com o princípio hologramático (MORIN, 1999), as partes constituintes de um todo figuram nesse todo, mas esse mesmo todo também aparece em suas partes constituintes. Mais uma vez a recursividade (MORIN, 1999) se faz presente.
Segundo Mariotti (2007), dentro do princípio hologramático, o pensamento complexo define quatro outros princípios para definir a relação que o todo e as partes mantêm entre si:
princípio da emergência, que preceitua que o todo é mais que a soma de suas partes. O autor exemplifica este princípio por meio de uma situação de interação entre um grupo de pessoas, em que ideias que jamais haviam sido levantadas pelos participantes de forma isolada surgem como resultado da interação do grupo. “A sabedoria de um grupo é maior do que a soma das sabedorias de seus componentes” (MARIOTTI, 2007);
princípio da imposição, segundo o qual o todo é menos que a soma de suas partes, ou seja, quando separadas do todo, as partes constituintes perdem suas propriedades ou qualidades, significando que o todo está restringindo a atuação das partes. Para exemplificar o princípio da imposição, Mariotti (2007) usa a sociedade, que impõe suas regras ao indivíduo que dela precisa fazer parte;
princípio da complexidade do sistema, que entende o princípio da emergência e o princípio da imposição como claramente antagônicos mas também complementares justamente devido à recursividade. Esses dois princípios se relacionam de forma circular, ou seja, o todo é, simultaneamente, mais e menos que a soma de suas partes;
princípio da distinção entre o objeto e seu ambiente, mas sem separá- los, já que é impossível se conhecer o objeto sem se conhecerem as interações que esse objeto estabelece com esse ambiente. Portanto, objeto e ambiente são elementos distintos, mas inseparáveis, assim como as partes só são partes quando constituintes de um todo.
Para ilustrar o princípio hologramático, Mariotti (2007) também recorre ao ser humano. Embora seja fácil de se notar a diversidade que diferencia os homens, não se identifica, com facilidade, aquilo que os une em uma categoria chamada “humanidade”. Essa dificuldade, segundo o autor, deriva justamente do pensamento fragmentado, em oposição ao complexo, predominante ainda hoje.
Segundo Moraes (2010), os macroprincípios do pensamento complexo (MORIN, 1999; VARELA; THOMPSON; ROSCH, 1997 apud MORAES, 2008; NAVAS, 2010; MORAES; VALENTE, 2008) podem funcionar como ferramentas para ajudar a escola na implementação de estratégias que possam integrar razão, pensamento, imaginação, emoção, sentimento e criatividade, tornando a aprendizagem uma atividade prazerosa, interativa, multidimensional e emocionalmente produtiva.
A fim de investigar as manifestações de significados do afeto expressadas por professores-tutores e alunos nas mensagens de fóruns de discussão e chats em duas disciplinas on-line, trataremos, na seção a seguir, da interação on-line, principalmente, em fóruns de discussão e chats de ambientes virtuais de aprendizagem.