Orange is the new black é uma das produções originais Netflix de grande sucesso.
Trata-se de uma comédia dramática, inspirada no livro autobiográfico de Piper Kerman18, uma jovem de classe média alta que passou pouco mais de um ano em uma penitenciária federal dos Estados Unidos, por carregar uma mala cheia de dinheiro de traficantes de um cartel de drogas internacional. A série, criada por Jenji Kohan, possui quatro temporadas, lançadas em 2013, 2014, 2015 e 2016 respectivamente. Cada uma com 13 episódios.
A produção retrata a personagem Piper Chapman (interpretada por Taylor Schilling) e suas companheiras na prisão fictícia Litchfield. Na narrativa, é clara a divisão das presidiárias em grupos étnicos-raciais e sociais, que convivem diariamente e se enfrentam em determinadas situações. Além disto, a temporada de estreia da série traz à tona assuntos polêmicos, como, por exemplo, o abuso sexual de detentas por guardas, os preconceitos quanto a orientações sexuais e raças, e conflitos étnicos.
No primeiro episódio da série, somos apresentados a Piper, integrante de uma família conservadora, de classe média alta. A jovem está prestes a se casar com seu noivo Larry (Jason Biggs), quando resolve acertar suas dívidas com a justiça e se entrega por um crime que cometeu há cerca de dez anos a pedido de sua ex-namorada Alex (Laura Prepon). Piper é condenada a 15 meses em regime fechado em uma prisão feminina por ter transportado dinheiro de um cartel de drogas. Logo que chega ao presídio, a jovem é alertada por um dos policiais sobre os agrupamentos existentes (latinas, negras, idosas, lésbicas, entre outros) e sobre a importância de não fazer amizades para se manter no local. Deste ponto em diante, a trama gira em torno das adaptações e mudanças de comportamento da personagem principal.
A primeira postura de Piper dentro da prisão é não se envolver em confusões, mas a cada tentativa ela acaba atraindo problemas. No segundo episódio, por exemplo, após experimentar a comida da prisão, a jovem fala mal do preparo e do gosto dos alimentos para Red (Kate Mulgrew) sem saber que ela é a responsável pela cozinha. Como consequência, Piper fica um longo período sem poder se alimentar.
À medida que a temporada vai passando, as transformações na personalidade de Piper vão ficando mais claras. Ela volta a se envolver com a sua ex-namorada, que é transferida para o mesmo presídio, briga com seu noivo e sua sócia (Polly Harpper, interpretada por Maria Dizzia), vai para a solitária por mau comportamento, entre outras situações. Ainda na primeira temporada, a cada episódio somos apresentados a outras detentas que possuem histórias tão importantes quanto a de Piper. Elas se entrelaçam com a trama principal de forma orgânica, sendo interrompidas pontualmente por flashbacks.
Já na segunda temporada, Piper é transferida temporariamente para uma prisão feminina de segurança máxima para depor sobre seu caso. Além de ser coagida por Alex, a personagem, no decorrer dos capítulos, precisa enfrentar a dor da morte de seu avô, a perda de seu noivo para sua melhor amiga, e o abandono da família ao conseguir uma licença de 48 horas fora do presídio. Mesmo com outras histórias acontecendo paralelamente - como as latinas assumindo a cozinha no lugar de Red e a chegada de uma aliciadora de menores na prisão - o foco principal da série continua sendo o reconhecimento pessoal de Piper e sua transformação em uma criminosa como as demais detentas. Fora isto, os guardas ganham um espaço maior nos episódios e novas personagens aparecem.
Na terceira temporada, a história de Piper se mistura com as outras histórias, fazendo com que ela seja apenas mais uma mulher dentro do presídio. Novas personagens ganham destaque e temos a oportunidade de conhecer profundamente os dramas e conflitos de cada uma. Novamente assuntos delicados são levantados, como a legalização do aborto, uso de drogas e homofobia. O recurso do flashback ainda é utilizado e serve para incrementar a trama e fazer com que o público compreenda melhor o passado de cada personagem.
Nessa fase da série, o presídio ameaça ser fechado, devido ao corte de gastos. Isso faz com que haja a insegurança por parte das detentas sobre o futuro dos laços que elas criaram durante o tempo em que viveram juntos. Nesse momento algumas diferenças são postas de lado.
Na mais recente temporada lançada pelo Netflix, temas como a privatização das penitenciárias, saúde mental e o ódio são colocados em destaque. No primeiro episódio, novas detentas são presas em Litchfield, fazendo com que o espaço sofra superlotação. Com
o aumento do número de presas, os agrupamentos identitários ficam mais claros. As novatas se unem aos grupos que se identificam por questões de sobrevivência e, como consequência, novos conflitos raciais, étnicos e sociais, surgem. O embate maior desta temporada é entre Piper e Maria Ruiz (Jessica Pimentel), uma das integrantes do grupo das latinas. Ruiz interfere no trabalho de Piper e as duas inciam uma briga dentro do presídio. Além disto, o abuso de autoridade por parte dos guardas fica mais evidente nesta temporada. Isto pode ser observado principalmente nos últimos episódios, em que, por causa do exagero nas atitudes de um dos policiais, uma detenta vai a óbito. A situação revolta as outras presidiárias e elas se unem em uma rebelião.