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Ordenamento do território e a cartografia de risco na RAA

II. Caso de estudo

II.2. Enquadramento legal

II.2.2. Ordenamento do território e a cartografia de risco na RAA

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obedecer esta cartografia estão legisladas pelo Decreto-Lei n.º 173/1995, de 28 de julho na sua versão consolidada.

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Ordenamento da Orla Costeira (POOC), considerando a vulnerabilidade do litoral, a dimensão e incidência dos riscos. Também indica que a gestão integrada das zonas costeiras deve ser realizada através das medidas previstas nos POOC, tendo que ser estes compatíveis com o PROTA, sendo que estes devem incidir em parte na minimização das situações de risco de pessoas e bens. Esta legislação apresenta um conjunto de indicadores para monitorizar a implementação do PROTA, bem como os seus efeitos, apresentando um conjunto de fatores de avaliação. Um deles é o fator

“Riscos Tecnológicos e Naturais”, tendo este, como um dos seus indicadores, o número de pessoas expostas a riscos naturais e tecnológicos.

O PROTA faz também uma caracterização da morfologia urbana e povoamento rural da RAA, identificando um povoamento maioritariamente no litoral, em cotas inferiores a 350 m/altitude (Figura 15). Esta morfologia deve-se ao perfil topográfico das ilhas, às condições bioclimáticas próprias das altitudes elevadas e à dependência do mar

como via de comunicação privilegiada no processo de colonização. Isto leva a que nestes

aglomerados costeiros exista uma maior diversidade de atividades, concentração de atividades administrativas, comerciais e serviços, levando assim a que estas zonas sejam particularmente sensíveis aos riscos.

Embora o PROTA não faça uma referência específica à cartografia de risco de inundação costeira, todo ele, quer na sua estratégia, quer na sua linha delineadora e objetivos, tendo em conta as características da morfologia urbana e do povoamento rural da Região, evidencia a necessidade de se conhecer a localização, intensidade e

Figura 15 - Esquema de povoamento na RAA. Retirado de Decreto Legislativo Regional n.º 26/2010/A, de 12 de agosto (2010: p. 3463)

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frequência desse risco, para proteger as pessoas e bens a ele vulneráveis, demonstrando assim a necessidade dessa cartografia.

O Programa Regional para as Alterações Climáticas (PRAC), aprovado e redigido pelo Decreto Legislativo Regional n.º 30/2019/A, de 28 de novembro, é a ferramenta de operacionalização da Estratégia Regional para as Alterações Climáticas (ERAC), aprovada pela Resolução do Conselho do Governo Regional n.º 123/2011, de 19 de outubro. Nele as alterações climáticas são identificadas como um dos maiores desafios para a humanidade no século XXI, com efeitos especialmente agravados em territórios insulares dispersos como os Açores. Neste programa é apontado como uma das medidas para o combate as alterações climáticas a implementação de medidas de proteção de bens, recursos e pessoas.

Este diploma, no seu artigo 6.º, estabelece algumas linhas pelas quais se deve reger a cartografia de risco na RAA. Segundo o n.º 1 deste artigo, deve ser elaborada cartografia de base de riscos naturais, à escala de 1:25 000 ou superior, disponibilizando informação que acautele a exposição e vulnerabilidade do território a cheias e inundações. Estes elementos devem ser publicados no Portal do Ordenamento do Território dos Açores. No n.º 2 do mesmo artigo estabelece-se que nos planos especiais, intermunicipais e municipais de ordenamento, deve ser desenvolvida cartografia de pormenor à escala de 1:2 000 ou superior, “sempre que visem determinar o afastamento de edificações, equipamentos ou infraestruturas de zonas de risco significativo”.

No Anexo I deste documento, Relatório Técnico do PRAC, no seu ponto 2.1.4,

“Eventos extremos”, é assumido que se espera que a sobrelevação marítima de origem meteorológica seja maior e mais frequente, aumentando o risco de fenómenos de galgamento marinho, devido ao aumento expectável de fenómenos de vento extremo e tempestades, em frequência e intensidade. Estes fenómenos são também agravados pela subida do nível médio do mar, sendo que nos Açores poderá atingir um metro, até ao final do século. Este relatório, no seu ponto 2.2.2, “Ordenamento do Território e Zonas Costeiras”, apresenta quatro realidades territoriais específicas que considera prioritárias no ordenamento do território, sendo uma a orla costeira. Relativamente a estas zonas é apresentada uma análise das zonas suscetíveis, através do índice de

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vulnerabilidade. Esta análise identificou que em todos os territórios da Região, ao nível municipal, exceto no Nordeste, São Miguel, residem pessoas em zonas ameaçadas pelo mar. Este Anexo, ao nível da delimitação e cartografia das zonas ameaçadas pelo mar, bem como de outros riscos naturais na RAA, remete-nos para as Orientações Metodológicas para a delimitação da Reserva Ecológica nos PDM da Região Autónoma dos Açores - Revisto (Direção Regional do Ambiente, 2020).

Nas orientações metodológicas mencionadas anteriormente, no caso da cartografia de risco de inundação costeira, são relevantes os quadros sobre a delimitação da faixa de proteção costeira e delimitação de zonas ameaçadas pelo mar (Quadros 6 e 7). Neles é descrita a função desta cartografia sendo apresentados os critérios de delimitação destas zonas, qual a informação essencial a esta delimitação, bem como a que entidade compete esta cartografia.

Quadro 6 - Critérios de delimitação das zonas ameaçadas pelo mar na RAA. Retirado de Direção Regional do Ambiente (2020: p. 37)

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No caso específico da Ilha do Pico a legislação relativa à orla costeira aplicável é o Plano de Ordenamento da Orla Costeira da Ilha do Pico (POOC Pico), aprovado pelo Decreto Regulamentar Regional n.º 24/2011/A, de 23 de novembro, inserindo-se este instrumento de gestão no âmbito dos PEOT. O POOC Pico estabelece um conjunto de objetivos e princípios na sua vigência, sendo um deles a minimização de situações de risco e de impactos ambientais, sociais e económicos. Nele estão previstos um conjunto de medidas para a minimização de risco, nomeadamente a proibição de construção em zonas de risco, com alguma relevância para as zonas ameaçadas pelo avanço do mar, e quando possível a relocalização de estruturas. Isto está patente no seu artigo 17.º, que incide sobre as áreas edificadas em zonas de risco. Na alínea b) do seu número 1,

Quadro 7 – Critérios de delimitação da faixa terrestre de proteção costeira na RAA.

Retirado de Direção Regional do Ambiente (2020: p. 25)

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classifica as áreas ameaçadas pelo avanço das águas do mar como zonas de risco, prevendo o número 2 deste artigo a minimização destas situações de risco. O número 3 deste artigo prevê, na sua alínea b) a criação de oportunidades para a relocalização das edificações existentes nestas zonas de risco. Já na alínea b) do artigo 18.º são interditas as novas construções nestas zonas de risco. Ora, para se poder proceder a estas medidas é necessário conhecer a localização do risco, estando mais uma vez patente a necessidade de cartografia de risco.

Vemos assim que na RAA está evidente na sua legislação a necessidade da existência de cartografia de pormenor de risco de inundações costeiras, quer no âmbito regional, quer no âmbito municipal, existindo algumas diretrizes e linhas metodologias pelas quais se deve reger a produção desta cartografia.

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III. MODELO DE IDENTIFICAÇÃO DE ZONAS DE RISCO DE INUNDAÇÕES

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