3. O DESENVOLVIMENTO URBANO DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
3.4. O PLANO DIRETOR EM VIGOR
3.4.2. ORDENAMENTO TERRITORIAL
O ordenamento territorial é quem dita os padrões de ocupação urbana a serem adotados no processo de adensamento e de expansão da cidade. As considerações relevantes sobre o ordenamento territorial foram feitas no capítulo 2, subitem 2.1.2.
O Plano, antes de apresentar as soluções para os problemas estruturais urbanos (herdados por maneiras equivocadas de gerir a cidade – questão esclarescida neste capítulo 2), ele expõe a composição da cidade (estrutura urbana básica), e o ordenamento das suas diferentes regiões (macrozanas e regiões administrativas).
No Título II, Do Ordenamento Territorial, o art. 8º estabelece o ordenamento do território a partir do Macrozoneamento e das diretrizes de uso e ocupação do solo que serão explicados mais adiante. Além disso, coloca que será feito em conformidade com os vetores de crescimento (também apresentados adiante) (anexo 02). E que a ordenação observará as condições ambientais, tendo como referência as bacias e sub-bacias hidrográficas (anexo 03).
Também no Título II, capítulo I, art. 9 º, é apresentada a formação da estrutura urbana do Município. Esta já foi apresentada no item 2.1.2.
O Rio é dividido em quatro macrozonas de ocupação, conforme figura 5.
Figura 5 - Macrozonas da cidade do Rio de Janeiro Fonte: Plano Diretor do Rio de Janeiro, 2011.
41 Estas são definidas a partir da avaliação de fatores espaciais, culturais, econômicos, sociais, ambientais, e de infraestrutura urbana.
O objetivo das Macrozonas é de estabelecer referência básica para orientar: o controle das densidades, da intensidade de expansão da ocupação urbana; a aplicação dos instrumentos da política urbana; e indicar prioridades de investimentos públicos e privados.
Seguem as respectivas orientações no sentido de estruturar o crescimento das mesmas:
Controlada – serão limitados o adensamento populacional e construtivo. Intervenções mais de renovação urbana (reconstrução ou reconversão de edificações existentes);
Incentivada – serão estimulados o adensamento populacional, intensidade construtiva, incremento das atividades econômicas e equipamentos de grande porte (principalmente em áreas com potencial de implantação de infraestrutura);
Condicionada – adensamento populacional, capacidade construtiva e instalações de atividades econômicas de acordo com a capacidade das redes de infraestrutura (pode ser ampliado com o aporte de recursos privados); e Assistida – o crescimento deve ser acompanhado por investimentos públicos
em infraestrutura e por medidas de preservação ao meio-ambiente e à atividade agrícola.
Com relação à estrutura urbana atual da Cidade, pode-se constatar que há poucos centros e subcentros, disparidades sociais e econômicas entre bairros, desvalorização da identidade de bairros, áreas de ocupação informal sem infraestrutura básica, necessidade de grandes deslocamentos e outros.
Seguem, em anexo, os mapas de macrozoneamento referentes hipsometria, hidrografia e sub-bacias hidrográficas, uso e cobertura do solo e rede estrutural viária (anexos 03, 04 e 05 respectivamente).
Após apresentada as macrozonas e orientações quanto à estruturação das mesmas, é apresentada a divisão e a subdivisão do território para efeito de planejamento, conforme figura 6 e mapa no anexo 06.
42 Figura 6 - Áreas de Planejamento da cidade do Rio de Janeiro
Fonte: Plano Diretor do Rio de Janeiro, 2011.
A cidade é dividida em cinco Áreas de Planejamento (APs). Essas por sua vez, são subdivididas em regiões de planejamento (anexo 06). Estas regiões de planejamento agrupam duas ou mais Regiões Administrativas (RAs) (anexo 07). No Rio são ao todo trinta e quatro (34) Regiões Administrativas (anexo 08). E, por fim, estas RAs são formadas por bairros (são ao todo 126 bairros). A RA objeto de reflexão deste trabalho é a VII Região Administrativa de São Cristóvão – VIIRA-SC, que será desenvolvida no capítulo 4.
Seguem, em anexo, mapas das regiões de planejamento, das regiões administrativas e dos limites administrativos (anexos 06, 07 e 08 respectivamente).
3.4.2.1. OCUPAÇÃO URBANA
Depois de compreendida a composição da cidade e o ordenamento de suas diferentes regiões, é posto que a ocupação do solo urbano deva ocorrer por meio da regulação urbanística5. Esta sendo em função da capacidade da infraestrutura, da rede de transportes, acessibilidade da proteção ao meio ambiente natural, e da qualidade da ambiência urbana. (anexo 02)
5
Limites às ações humanas que interferem no espaço urbano relacionado à construção do espaço urbano, por meio de loteamentos e edificações.
43 Pretendendo-se regular as áreas já ocupadas ou até mesmo comprometidas, por meio da limitação da densidade6, intensidade de construção e atividades econômicas.
Considerando, conforme artigo 14º Incisos I a IX, as restrições de natureza ambiental; as densidades populacionais e construtivas existentes e projetadas; a oferta existente ou projetada de equipamentos e serviços públicos, infraestrutura de transporte e saneamento básico; as condições de mobilidade e da acessibilidade, a existência de vazios urbanos e a capacidade de absorção de maior densidade; a capacidade de suporte da região para a garantia da qualidade do ambiente natural e da ambiência urbana, dentre outras considerações.
Ao mesmo tempo deixa claro que a ocupação do território respeitará as áreas com restrições ambientais e urbanísticas. Cabendo ao Poder Público elaborar estudos e planos que indiquem a capacidade de suporte das áreas urbanísticas e ambientalmente frágeis ou de natureza especial.
A estruturação da cidade observará seguintes diretrizes (Artigo 10 º):
Valorização das centralidades e subcentralidades existentes e indução de novas centralidades;
Fortalecimento da ligação das novas centralidades com os centros funcionais existentes na cidade e com os municípios da RMRJ;
Fomento de desenvolvimento econômico em distintos bairros (descentralização das atividades econômicas);
Valorização das vocações dos bairros (revitalização dos bairros e qualificação urbana-ambiental);
Controle do adensamento (otimização da infraestrutura, da comunicação e do abastecimento; e
Correção das disparidades existentes nos bairros (integração entre cidade formal e informal).
Vale ressaltar que o Plano prevê a articulação com os municípios da RMRJ, para o planejamento de uso e ocupação do solo em especial as áreas sob influência do Arco Rodoviário.
6
Número total da população de uma área urbana específica, expressa em habitantes por uma unidade de terra ou solo urbano, ou o total de habitações de uma determinada área urbana, expressa em habitações por uma unidade de terra. Geralmente utiliza-se hectare como unidade de referência quando se trabalha com áreas urbanas. É um dos mais importantes indicadores e parâmetros de desenho urbano a ser utilizado no processo de planejamento e gestão de assentamentos urbanos. (Densidade Urbana, Claudio Acioly e Forbes Davidson, 1998).
44 O Artigo 11 º estabelece que a estruturação urbana seja promovida mediante a instituição de Polos de Atração de Investimentos e Desenvolvimentos Sustentável – PADES –, localizados ao longo do anel viário de integração municipal. Os objetivos são fomentar a atração de investimentos e valorizar ambiental e socialmente as áreas de influência, com a finalidade de desenvolver de maneira sustentável as diversas regiões, reduzir os deslocamentos e valorizar as identidades dos bairros e regiões.
3.4.2.2. VETORES DE CRESCIMENTO
A ocupação urbana no Município se orienta segundo os seguintes vetores de crescimento (conforme Artigo 33 º, Incisos de I a V): (anexo 02)
Adensamento da população e das construções na macrozona incentivada; Reconversão de edificações;
Ocupação de vazios urbanos nas macrozonas de ocupação incentivada e assistida (Av. Brasil, e leito da Estrada de ferro);
Intensificação da ocupação Incentivada e Assistida ao junto aos centros de comércio e às áreas industriais e aos eixos viários estruturadores na Zona Norte e da Leopoldina e a Zona Oeste;
Fortalecimento dos centros de comércio da Tijuca, Madureira, Taquara e Campo Grande (e conseq. Redução da concentração no Zona Sul e na Barra da Tijuca); e outros.