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ORGANIZAÇÃO CURRICULAR DA FORMAÇÃO DOS PROFESSORES

Diante das novas descobertas científicas e da evolução tecnológica no mundo globalizado, o papel do educador precisa ser redimensionado. O professor deixa de ser um mero repassador de conteúdos fragmentados para mediar as bases de um conhecimento, o qual o indivíduo necessita para analisar, planificar, pensar, comunicar, exprimir dados, relacioná-los com outros conhecimentos, compreender esse mundo que o cerca e continuar aprendendo.

O licenciado para o Ensino das Ciências e da Matemática na Educação Básica deve cumprir essa função, tendo como consequência o desenvolvimento da responsabilidade e da ética em adolescentes e jovens inseridos no movimento da sociedade, em busca da conquista de sua cidadania. Isso implica uma proposta de formação docente que supere a fragmentação, a memorização de nomenclaturas técnicas e o agregado de informações desconexas, desvinculadas da realidade social, bem como os novos códigos de linguagem, atualizados pela tecnologia. Essa convicção aponta para uma nova postura metodológica dos professores formadores, exigindo desses trabalho participativo, significativo, interdisciplinar e contextualizado.

Tendo em vista a preparação de professores com as condições que estão sendo reclamadas pela sociedade do conhecimento, no sentido de um desempenho satisfatório, do cumprimento de suas funções docentes e do seu papel de educador, foram considerados na Organização Curricular dos Cursos de Licenciatura todos os aspectos explicitados neste projeto (perfil, concepção, princípios, competências, entre outros), na construção das Matrizes Curriculares, estruturados em quatro núcleos de formação que de maneira articulada garantirão a formação das competências totalizadoras no Processo Formativo, potencializadas pelos diversos componentes e atividades da formação a serem desenvolvidas em tempos e espaços curriculares diferenciados, conforme se passará a ver a seguir.

8.1 Núcleo de Formação Comum a todos os Professores para a Educação Básica

Um dos grandes desafios da ação docente é correlacionar o conteúdo do trabalho educativo com as possibilidades de aprendizagem próprias de cada etapa da vida dos alunos e com as diferenças individuais e culturais, tornando-os capazes de interagir com o mundo. Dessa forma, o currículo, na parte da formação comum a todos os professores, contempla as disciplinas pedagógicas, instrumentais e modalidades educativas, com o propósito de desenvolver competências profissionais mais gerais

relacionadas à compreensão do papel social da escola, como difusora do saber, de acolhida e de trabalho com as diferenças sócio-culturais e as necessidades especiais dos alunos, com o conhecimento pedagógico, cultural, político e econômico da educação, desde a maneira de ensinar a influência do trabalho educativo no desenvolvimento integral da pessoa.

8.2 Núcleo de Formação Comum a todos os Professores para o Ensino de Ciências

Com o entendimento de que as Ciências articuladas de forma interdisciplinar contribuem de maneira mais eficaz para o entendimento e resignificação do mundo, estruturaram-se, neste núcleo, os conhecimentos necessários à formação de competências relacionadas à organização do trabalho para o Ensino de Ciências no Nível Fundamental, 2ª etapa, assimilando a ideia das inúmeras possibilidades que os conhecimentos em Química, Física, Biologia, Matemática e Geociências podem oferecer ao processo de transposição didática de conteúdos e de significados a serem ensinados e aprendidos, ou seja, como as diferentes ciências podem contribuir umas com as outras na intenção de melhor compreender o mundo natural.

8.3 Núcleo de Formação Específica dos Professores por Habilitação

Neste Núcleo, incluem-se os componentes e as competências relacionadas com os conhecimentos que serão ao mesmo tempo objeto da Formação e do Ensino na Educação Básica. Constitui-se das disciplinas específicas para cada habilitação tendo por referência as competências e os conteúdos propostos para o Ensino Fundamental e Médio, à área de Ciências, Matemática e suas Tecnologias, segundo as Diretrizes e os Parâmetros Curriculares dessas duas etapas da Educação Básica.

8.4 Núcleo de Prática Pedagógica

Este Núcleo refere-se à articulação entre teoria e prática, concebido nesta proposta como princípio e dimensão da prática docente, formadora geral a ser desenvolvida por todos os professores, ao longo do processo da formação.

Tomando por base o que prevê as Diretrizes Curriculares para Formação de Professores para Educação Básica, Parecer N.º 09/2001 no tocante à dimensão teórica e prática, concorda-se que no currículo de Formação de Professores a prática profissional deve orientar-se sob o seguinte: “o princípio metodológico geral é de que todo fazer implica uma reflexão e toda reflexão implica um fazer, ainda que nem sempre este se materialize. Esse princípio é operacional e sua aplicação não exige uma resposta definitiva sobre qual dimensão – a teoria ou a prática – deve ter prioridade, muito menos qual delas deva ser o ponto de partida na formação do professor. Assim, no processo de construção de sua autonomia intelectual, o professor, além de saber e de saber fazer deve compreender o que faz. (...) Nessa perspectiva, o planejamento dos Cursos de Formação deve prever situações didáticas em que os futuros professores coloquem em uso os conhecimentos que aprenderem, ao mesmo tempo em que possam mobilizar outros, de diferentes naturezas e oriundos de diferentes experiências, em diferentes tempos e espaços curriculares”.

Dessa forma, as competências que serão consolidadas estarão relacionadas com todas as disciplinas e atividades da formação e serão construídas nos momentos de reflexões sobre a prática profissional, seja na esfera específica, seja na pedagógica, seja no momento do estágio, onde se exercita a atividade profissional.

Na matriz curricular dos cursos de formação, também foram previstas 200 (duzentas) horas para Atividades Independentes de Estudo e Trabalho, as quais poderão ser desenvolvidas do primeiro ao último período, promovidas pela Instituição ou por iniciativa do próprio aluno, fora de sala de aula, possibilitando aos professores em formação vivenciar situações relacionadas com o “conhecimento profissional de professor”.

9. ATIVIDADES ACADÊMICAS INDEPENDENTES DE ESTUDO E

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