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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA GERENCIAL

2.2 CAPITAL INTELECTUAL

2.2.1 Origem e Estrutura do Capital Intelectual

Sveiby (1998) afirma que todos os ativos intangíveis possuem origem no pessoal da organização, inclusive o Capital Intelectual. “As pessoas são os únicos verdadeiros agentes na empresa. Todos os ativos e estruturas (tangíveis ou intangíveis) são resultado das ações humanas. Todos dependem das pessoas, em última instância, para continuar a existir” (SVEIBY, 1998, p.9).

O autor supracitado ainda afirma que o comportamento de cada indivíduo que compõe a empresa influencia na criação e difusão de Capital Intelectual. As pessoas criam estruturas para se expressar, dependendo da direção que desejam alcançar. Quando envidam esforços para dentro da empresa, criam estruturas internas intangíveis. Como exemplos destas estruturas, citam-se melhores

processos ou novos produtos. Quando dirigem seus esforços para o ambiente externo, geram estruturas externas que podem ser exemplificadas como as relações com os clientes ou fornecedores de produtos ou serviços.

A partir deste raciocínio, Sveiby (1998) propôs a estrutura do Capital Intelectual fundamentadas em três elementos de ativos intangíveis, conforme apresentado na figura 2.

Figura 2 - Estrutura do Capital Intelectual Fonte: Sveiby, 1998, p.13.

a) Estrutura Interna - É a própria organização. São as patentes, sistemas administrativos e computacionais, valores e cultura organizacional;

b) Estrutura Externa - Refere-se às relações que as pessoas da organização cultivam com os clientes e fornecedores, influenciando na criação da imagem e da reputação da empresa, valorizando as marcas e produtos que a empresa possui; e

c) Competência do Funcionário - É a capacidade do funcionário de agir criando valor. Esta capacidade pertence ao indivíduo, porém é componente dos ativos intangíveis. Como exemplos podem ser citadas a experiência e a escolaridade dos funcionários.

Sveiby (1998) define o capital intelectual como um ativo invisível. A gestão deste ativo começa quando se enxerga a empresa como se ela fosse estruturada pelo conhecimento e não apenas pelo capital.

Brooking (1996) define capital intelectual como sendo uma combinação de ativos intangíveis, frutos de mudanças nas áreas de tecnologia da informação, mídia e comunicação, que trazem benefícios intangíveis para as empresas e que capacitam o funcionamento das mesmas.

A classificação destes ativos intangíveis está apresentada na figura 3 e são agrupados na seguinte forma:

a) Ativos de Mercado - Relacionados à marca, clientes, lealdade dos clientes, negócios recorrentes e em andamento, canais de distribuição;

b) Ativos Humanos - Relacionados aos benefícios que cada indivíduo pode proporcionar à organização por conta da experiência, conhecimento, criatividade, habilidade para solução de problemas;

c) Ativos de Infraestrutura - São as tecnologias, métodos e processos empregados nos sistemas de informação, os métodos de gerenciamento, o banco de dados da empresa, etc; e

d) Ativos de propriedade intelectual - São aqueles que necessitam de proteção legal, como as patentes, os segredos industriais, o knowhow,

designs, copyright etc.

Figura 3 - Estrutura do Capital Intelectual Fonte: Brooking, 1999, p. 4.

Segundo Savall; Zardet (2004) o resultado de uma interação permanente e complexa entre as estruturas das empresas (tangíveis ou intangíveis) e os comportamentos humanos pode gerar disfunções, que por sua vez geram custos, e estes geralmente são ocultos.

Da mesma forma que o capital intelectual, os custos ocultos não são objeto de mensuração pela contabilidade tradicional, mas seu efeito também pode ser

percebido nas organizações, porém de forma negativa, reduzindo valor em lugar de agregar valor como ocorre quando se administra bem o capital intelectual.

Conforme sejam as fontes pesquisadas, podem ser diversas as formas de compor a estrutura do capital Intelectual. Como por exemplo, GUMMESSON (1998) compõe a estrutura do capital intelectual em Capital individual e Capital Estrutural. O primeiro trata-se do conjunto de empregados e suas qualidades, incluindo-se a formação profissional e experiências, motivação e a rede de relacionamento que cada empregado possui com o mercado e com os colegas. O segundo conjunto (capital estrutural) é composto pelo relacionamento que a organização tem com seu ambiente, resultado da cultura, dos contratos, de sua imagem e de sua rede de relacionamentos.

Já Roos (1998) estrutura o capital intelectual em quatro categorias: Capital Humano, que é a capacidade intelectual dos funcionários; Capital Organizacional, que está relacionado à estrutura interna da empesa; Capital de Relacionamentos, que é referente à qualidade dos relacionamentos da empresa com seus clientes e parceiros; e Capital de Renovação e Desenvolvimento, que está associado à capacidade de inovação da empresa.

Após a primeira iniciativa de implementação de Capital Intelectual na empresa sueca do ramo de seguros Skandia AFS, Edvinsson; MALONE (1998) estruturaram os elementos que compõem o capital intelectual, conforme apresentado na figura 4, inicialmente subdividindo-o em duas dimensões: capital Humano e Capital Estrutural.

Figura 4- Estrutura do Capital Intelectual Fonte: Edvinsson; Malone, 1998, p. 47.

Os autores identificaram estes dois elementos como fatores que interferem na criação de valor da empresa. O capital Humano, de uma forma simples, é aquilo que não consta como propriedade da empresa. É constituído pelo conhecimento, poder de inovação e habilidades dos funcionários. Soma-se a estes a filosofia, valores e cultura da empresa.

O Capital Estrutural é aquilo que permanece na empresa quando os empregados saem da empresa. É formado por marcas, patentes, sistemas, equipamentos e relacionamentos com clientes e fornecedores.

Já para Stewart (1998), os elementos estruturadores do capital intelectual interagem entre si e podem aumentar ou diminuir um ao outro. Foram classificados por ele como Capital Humano, Capital Estrutural e Capital Clientes.

A revisão da literatura sobre Capital Intelectual converge para a conclusão de que o conhecimento é o principal item do intangível das organizações e está inserido no Capital Humano. Por isso, é necessário investir e criar um conjunto de condições que permita desenvolver o Capital humano de uma empresa.

Segundo Moreira (2003) as instituições públicas precisam atentar para seus servidores como elementos alavancadores de resultados dentro da organização, como pessoas que fazem diferença e fazem com que esta organização seja distinta das demais. Para que isto aconteça é necessário que eles sejam valorizados. O que inclui, entre outras coisas, serem treinados, desenvolvidos, integrados socialmente, motivados, remunerados dignamente e estimulados a participarem das decisões.

Com relação aos efeitos dos investimentos em Capital Humano e de Inovação, eles levam algum tempo para serem plenamente sentidos. Existe um tipo de “inércia ativa” que retarda o emprego total e imediato dos benefícios derivados destes investimentos (SULL, 1999). Já com relação aos Capitais de Processos e de Relacionamento, a influência é rapidamente percebida nos resultados.