O modelo CAF é uma ferramenta de auto-avaliação da qualidade desenvolvida ao nível da União Europeia, em resultado da cooperação entre os vários Estados Membros. Em Portugal recebeu a designação de Estrutura Comum de Avaliação. De acordo, com a CAF 2006 disponibilizada pela Direcção Geral da Administração e do Emprego Público (2007), a CAF é uma ferramenta da Gestão da Qualidade Total, inspirada no modelo de excelência da Fundação Europeia para a Gestão da Qualidade (European Foundation for Quality Management ou EFQM) e no modelo da Universidade Alemã das Ciências Administrativas, em Speyer. “A concepção deste modelo de auto-avaliação baseou-se no princípio segundo o qual seria possível conceber um esquema que representasse as características importantes de uma organização pública” (Carapeto e Fonseca, 2005, p.58).
A Estrutura Comum de Avaliação, data de 1998, quando os directores-gerais das Administrações Públicas Europeias se reuniram e discutiram a possibilidade de desenvolver uma estrutura comum europeia para a auto-avaliação organizacional no sector público. O grupo de trabalho, tinha como objectivo promover um intercâmbio de formas de governação e de prestação de serviços públicos modernas e inovadoras nos Estados Membros da União Europeia (UE).
A versão final da CAF, segundo o sítio da DGAEP, foi produzida e testada durante as Presidências Finlandesa e Portuguesa (segundo semestre de 1999 e primeiro semestre de 2000, respectivamente), tendo sido apresentada durante a 1.ª Conferência da Qualidade para as Administrações Públicas da UE, que se realizou em Lisboa, em Maio de 2000.
Em 2001 foi criado o Centro de Recursos da CAF, no Instituto Europeu de Administração Pública (EIPA), em Mastrich (Holanda) com o intuito principal de promover a utilização da CAF e de boas práticas de utilização da mesma, nas administrações públicas europeias. Além disso, este centro de recursos da CAF coordena a base de dados que regista os utilizadores da CAF europeus.
Porém, a CAF tem sido alvo de aperfeiçoamento contínuo, face à evolução dos contextos organizacionais. Constituí exemplo, o facto, de ter sido apresentada uma nova versão do modelo, na 2.ª Conferência da Qualidade para as Administrações Públicas da União Europeia, em resultado de uma avaliação do modelo, com base na experiência desenvolvida nos Estados Membros, que aplicaram a CAF entre 2000/2001.
Em 2004, o Innovative Public Services Group (IPSG), durante uma reunião realizada em Viena, tomou a decisão de criar um grupo de peritos da CAF para o desenvolvimento de um projecto CAF plano de acção. Este grupo é constituído por
peritos dos Estados Membros e da Comissão Europeia, competindo-lhe designadamente: aperfeiçoar e actualizar o modelo CAF; definir em colaboração com o EIPA, as atribuições do Centro de Recursos da CAF; desenvolver ferramentas de apoio à CAF; validar a adaptação da CAF ao contexto nacional; auxiliar e promover o intercâmbio de boas práticas entre os Estados Membros e organizar eventos.
Destaca-se ainda, na evolução desta ferramenta, o estudo realizado, em 2005, sobre a utilização da CAF na União Europeia. Este estudo revelou que era necessário melhorar o modelo CAF, nomeadamente: aumentar a coerência e simplicidade do modelo; aumentar a facilidade de utilização e ainda melhorar o sistema de pontuação. Em consequência deste estudo, em 2006, surgiu uma nova versão da CAF, apresentada na 4.ª Conferência da Qualidade, dando origem à CAF 2006.
Importa ainda referir o contributo dos Eventos Europeus da CAF, cuja organização resulta de uma parceria entre o EIPA e a Presidência da União Europeia, como acontecimentos estratégicos para impulsionar a utilização da ferramenta na União Europeia.
No âmbito dos eventos realizados, destaca-se Portugal, em 2007, em que foi palco do terceiro evento desenvolvendo em conjunto com o Centro de Recursos da CAF um filme que demonstra a eficácia da CAF nas organizações do sector público.
No fundo, desde o lançamento da CAF em 2000, vários foram os eventos que se realizaram, daí o provável sucesso desta ferramenta, que actualmente se encontra traduzida em 20 línguas e utilizada em mais de 2000 organizações. A figura 2.1, que se segue, sintetiza esquematicamente os acontecimentos que marcaram a evolução da ferramenta CAF.
Figura 2.1: Evolução da CAF até 2010. Fonte: Adaptado de Staes et al., (2010).
1998 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Acordo sobre a construção da CAF Lançamento da CAF na 1.ª Conferência de Qualidade, em Portugal Criação do Centro de Recursos da CAF Apresentação da CAF 2002 na 2.ª Conferência de Qualidade, em Dinamarca 3.ª Conferência de Qualidade, em Holanda 2.º Estudo Europeu sobre a utilização da CAF Apresentação da CAF 2006 na 4.ª Conferência de Qualidade, em Finlândia Filme CAF 5.ª Conferência de Qualidade, em França 2000 utilizadores da CAF Apresentação da versão CAF para a Educação 1.º Estudo Europeu sobre a utilização da CAF Apresentação do processo de feedback externo
De acordo com a CAF 2006, disponibilizada pela DGAEP, a ferramenta CAF pretende: introduzir na Administração Pública os princípios da Gestão da Qualidade Total; facilitar a auto-avaliação das organizações públicas, com o fim de obter um diagnóstico e um plano de acções de melhoria; servir de ponte entre os vários modelos e metodologias utilizadas na gestão da qualidade pelas administrações públicas da UE; permitir o «bench learning6» entre as organizações do sector público. Segundo Carapeto e Fonseca (2005), a CAF “oferece à organização uma oportunidade para aprender mais sobre si própria” (p.61). Isto porque de acordo com a CAF 2006, a sua utilização proporciona à organização:
Uma avaliação baseada em factos/evidências;
Um meio de obter consistência de direcção e consenso sobre as necessidades para melhorar uma organização;
Oportunidades para identificar o progresso e os níveis de realização alcançados;
Um meio para medir o progresso ao longo do tempo através da auto-avaliação periódica;
Oportunidades para promover e partilhar boas práticas entre as diferentes áreas de uma organização e com outras organizações;
Um meio para criar entusiasmo entre os funcionários através do seu envolvimento no processo de melhoria;
Um meio para integrar várias iniciativas de qualidade nas operações normais da organização;
Uma ligação entre os resultados a serem alcançados e as práticas ou meios que os suportam.
As vantagens do modelo CAF assentam ainda no facto de ser, segundo o Manual de Apoio para Aplicação – Estrutura Comum de Avaliação (2002), disponibilizado pela DGAP, um modelo de domínio público, gratuito e adaptado ao contexto do sector público, podendo ser aplicado a toda a organização ou a um departamento/divisão/unidade.
A CAF constitui, assim, um modelo de análise organizacional que, aplicado de forma contínua e sistemática, permite às organizações públicas realizarem, em qualquer momento, exercícios de auto-avaliação com custos reduzidos. Segundo Saraiva et al., (2007) “inspirada na filosofia de Gestão pela Qualidade Total e no modelo de Excelência da EFQM (European Foundation for Quality Management), a CAF tem
6De acordo, com a CAF 2006 o Bench Learning enfatiza o processo de aprendizagem e tem como objectivo aprender com os pontos fortes de outras organizações.
Pessoas
como principais valores a focalização no cliente, a liderança e envolvimento, a orientação por processo, a medição e a melhoria contínua” (p.3174).
Desde o surgimento da CAF, muitas metas foram alcançadas durante estes dez anos, em termos de utilização e concepção desta ferramenta de Gestão da Qualidade Total, concebida para o sector público.