CAPÍTULO 2 – O CONSUMO EXACERBADO E A EXCESSIVA PRODUÇÃO
2.3.1 Os Acordos Setoriais e o Processo de Economia Circular ou Linear
Além dos instrumentos da logística reversa e da responsabilidade compartilhada a PNRS instituiu também os acordos setoriais (artigo 3º inciso I) que é conceituado como ato de natureza contratual firmado entre poder público e fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto. Estes são considerados importantes instrumentos da PNRS e tem abrangência em todas as esferas, conforme preceitua Siqueira (2013, p. 156). O posicionamento do MMA é que os acordos setoriais permitem a participação social e desde sua instalação em 17/02/2011, é utilizado como instrumento preferencial para a implantação da logística reversa.
Os acordos setoriais ou termos de compromissos são considerados importantes instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólido e tem abrangência em todas as esferas, conforme preceitua Siqueira (2013, p.156). Nota-se que a PNRS, hierarquizou os acordos setoriais firmados em âmbito nacional e determinou a sua prevalência sob os firmados em âmbito regional ou estadual e estes sobre os firmados em âmbito municipal. Vale ressaltar que os acordos firmados com menor abrangência podem ampliar, mas não abrandar as medidas de proteção ambiental dos termos de compromissos firmados com maior abrangência.
Figura-05: A logística reversa, a responsabilidade compartilhada e os acordos setoriais.
Fonte: Secretaria de recursos Hídricos e Ambiente Urbano - 2012.
Os resíduos são produzidos de duas maneiras a primeira proveniente do processo produtivo e a outra quando termina a vida útil dos produtos (CORNIERI e FRACALANZA, 2010, p.58). Conforme demonstrado (figura 05), o consumidor é a parte final dessa relação. Os acordos setoriais abrangem toda a relação, mas para qu e o sistema flua de forma adequada o consumidor final tem que participar de forma efetiva do sistema de logística reversa, como parte da sua responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto, destinando os seus resíduos para a coleta seletiva. A partir da destinação correta dos resíduos estes poderão retornar ao sistema como matéria prima reutilizada.
O ser humano a cada dia desequilibra essa relação e torna mais difícil para a natureza.
Um exemplo desse processo linear (Figura 6) é a obsolescência programada que gera resíduos que não são reutilizados e se acumulam de forma exponencial. Já o processo circular baseia-se na utilização racional dos recursos e no reaproveitamento dos resíduos sejam os orgânicos que se decompõem e neste caso retornam ao ambiente como adubo e no caso dos resíduos sólidos ressaltam a importância de “desconstruir o conceito de resíduo com a evolução de projetos e sistemas que privilegiam materiais naturais que possam ser totalmente recuperados (ECYCLE, 2015).
Para instituir o processo de economia circular o primeiro passo é desmaterializar produtos e serviços, aprimorar a eficiência na criação de novos produtos e no reaproveitamento de resíduos sólidos. Desde sua concepção os produtos devem ser pensados de forma a utilizar produtos que possam ser recicláveis, reutilizáveis e ainda é fundamental a redução dos impactos para maximizar a circulação dos materiais (ECYCLE, 2015).
Figura-06: Processo Linear e Processo Circular
Fonte: Disponível em: http://www.ecycle.com.br/component/content/article/63/2853-economia-circular-o-
modelo-que-propoe-um-reaproveitamento-sistematico-de-tudo-o-que-e-produzido-inteligencia-planeta- organismo-vivo-autorrregula-processo-ciclico-energia-sol-harmonia-regeneracao-design-regenerativo-economia-performance-cradle-berco.html. Acesso em: 15 mar. 2016.
A economia circular tem como objetivo um novo ciclo: transformando resíduos em nova matéria prima, tornam-se um processo regenerativo e restaurativo. O que antes era o fim passa a ser um novo começo.
Nesse diapasão, instituiu-se processo de economia circular (Figura 07) o qual agregou diversos conceitos criados no último século tais como: economia de performance, blue economy24, design regenerativo. Esse conceito baseia-se na relação da natureza em transformar os resíduos em insumos para criação de novos produtos. Pode-se afirmar que é uma ciência que repensa as práticas econômicas, pois atualmente o nosso sistema produtivo é linear, tornando o processo insustentável devido ao grande acúmulo de resíduos e exploração excessiva de recursos.
De acordo com o Portal Resíduos (2013), para que a economia circular atinja seus objetivos, tem como preocupação os seguintes temas.
Concepção de produtos utilizando materiais facilmente recicláveis e não perigosos;
Leis ambientais que estimulem o setor;
Reintrodução dos resíduos sólidos a cadeia produtiva;
24A economia Azul são ações que introduzem inovações inspiradas na natureza, gerando vários benefícios, oferecendo mais com menos.
Tratamento e reaproveitamento dos resíduos baseados nos exemplos mostrados pela natureza;
Etc.
Figura 07- Economia Circular
Fonte: Disponível em: http://www.ecycle.com.br/component/content/article/63/2853-economia-circular-o-
modelo-que-propoe-um-reaproveitamento-sistematico-de-tudo-o-que-e-produzido-inteligencia-planeta- organismo-vivo-autorrregula-processo-ciclico-energia-sol-harmonia-regeneracao-design-regenerativo-economia-performance-cradle-berco.html. Acesso em: 15 mar. 2016.
Vale ressaltar a importância de todos os envolvidos no ciclo de vida dos produtos, desde o fabricante até o consumidor final para disseminar e conscientizar sobre o conceito mundialmente de economia circular. Em todos os processos sejam de logística reversa, responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto, acordos setoriais e da economia circular o objetivo primordial é a concepção de um novo produto baseado em princípios sustentáveis respeitando o ambiente e promovendo a reutilização desses resíduos como forma de retornar a cadeia produtiva.
Não poderia deixar de mencionar que no § 1º do artigo 1º da PNRS, traz em seu escopo os sujeito que estão sob a observância deste dispositivo instituindo as pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, responsáveis direta ou indiretamente pela geração de resíduos e as que desenvolvam ações relacionadas à gestão integrada concomitante a este artigo temos estes mesmos sujeitos integrando o rol da logística reversa (artigo 33) e da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto (artigo 32).
Nota-se que o consumidor está acostumado a responsabilizar-se apenas pelo produto, por força do Código de defesa do Consumidor (CDC), mas agora com a PNRS, passa a ser sujeito responsável em como proceder à devolução e destinação do seu resíduo domiciliar ao produtor. Destacando que no resíduo domiciliar existem resíduos que devem proceder à
logística reversa, como lâmpadas, pilhas, materiais eletroeletrônicos e os outros resíduos como papel, papelão, plásticos, vidros, devem ser descartados corretamente para a coleta fazem parte do rol da responsabilidade pelo ciclo de vida do produto.