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Os agentes responsáveis

No documento PUC DEPARTAMENTO DE DIREITO (páginas 44-48)

5. Responsabilidade civil ambiental

5.3. Os agentes responsáveis

É amplo o alcance dado pela Lei nº 6.938/1981 aos agentes responsáveis por danos causados ao meio ambiente, pois no art. 3º, inciso IV, está definido o poluidor como qualquer pessoa, física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável direta ou indiretamente por atividade causadora de degradação ambiental.

Primeiramente, utilizamos os ensinamentos de Antônio Herman Benjamin, para quem não há dúvida de que independe ser o ente poluidor público ou privado, pois tanto um como o outro será passível de responsabilização89.

Porém, ressaltamos interessante opinião de Édis Milaré sobre a responsabilidade do ente estatal. Neste caso, por ilação lógica pode-se afirmar que o próprio povo arcará com o custo da reparação, devendo, pois, em regra, ser acionado prioritariamente aquele particular que solidariamente é responsável, e só o Estado quando este for o causador direto90.

89 BENJAMIN, Antonio Herman V. Responsabilidade civil pelo dano ambiental. Revista de Direito Ambiental, São Paulo, n. 9, p. 5-52, jan/mar. 1998. p. 37.

90 MILARÉ, Édis. Direito do ambiente. 2. ed. rev. aum. atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.

p. 437.

Sentencia o autor que o titular do dever de indenizar é o empreendedor, aquele que aufere lucro da atividade danosa, existindo o vínculo de solidariedade quando da pluralidade de agentes causadores91.

Mas não se resume ao empreendedor, ainda na visão do autor, pois para ele o Estado também responde pelos danos causados ao meio ambiente, e não só quando o ente público é o responsável direto pelo evento danoso, como também no caso de omissão na guarda do meio ambiente, podendo ser responsabilizado solidariamente pelos danos causados por terceiros.

Destaque-se a regra geral, contida no art. 37, §6º, da Constituição Federal, de responsabilização objetiva do Estado – pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos – quando do dano perpetrados a terceiros92.

De acordo com Adalberto Pasqualotto, embasado no preceito constitucional acima referido, a administração pública responde objetivamente pelos danos causados a terceiros, aplicando-se a regra também nos casos de omissão do ente estatal caso este seja a única causa do evento danoso. Contudo, defende que, quando à omissão do ente público somar-se ato comissivo de um causador direto, deverá ser comprovada a culpa do Estado93.

Paulo Affonso Leme Machado sustenta que a responsabilização solidária do Estado se justificaria para compeli-lo a ser

“prudente e cuidadoso no vigiar, orientar e ordenar a saúde ambiental nos

91 MILARÉ, Édis. Direito do ambiente. 2. ed. rev. aum. atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.

p. 436.

92 Assim estabelece o Art. 37, § 6º da Constituição Federal: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”.

93 PASQUALOTTO, Adalberto. Responsabilidade civil por dano ambiental: considerações de ordem material e processual. In: DANO ambiental: prevenção, reparação e repressão. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1993. p. 452.

casos em que haja prejuízo para as pessoas, para a propriedade ou para os recursos naturais mesmo com a observância dos padrões oficiais” 94.

Outro possível agente a ser analisado é o profissional responsável pelos estudos necessários à implantação de determinada atividade potencialmente poluidora.

A resolução nº 237/1997 do CONAMA estabelece a obrigatoriedade de realização de estudos de impacto ambiental, necessários ao licenciamento de atividades potencialmente poluidoras que utilizam recursos ambientais, que deverão ser realizados por profissionais legalmente habilitados95.

O parágrafo único do art. 11 desta resolução aponta para a responsabilidade dos profissionais que subscrevem estes estudos, assim como do empreendedor, pelas informações apresentadas.

Contudo, Édis Milaré não reconhece solidariedade a estes profissionais, pois teria que ser provado sua negligência, imprudência ou imperícia, o que não cabe em sede de responsabilidade objetiva, e justifica: “o empreendedor é quem recolhe os benefícios de sua atividade, cabendo-lhe, de conseqüência, o dever ressarcitório, pela simples verificação do nexo causal”96.

Neste caso devemos salientar que, responsabilizado o empreendedor pelos danos causados, a ele caberia, pela via regressiva, acionar o profissional responsável pelo estudo apresentado, desde que conseguisse comprovar sua culpa no evento danoso. No mesmo sentido aponta Adalberto

94 MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito ambiental brasileiro. 12 ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2004. p. 332.

95 Resolução 237/97 – CONAMA, Art. 11: “Os estudos necessários ao processo de licenciamento deverão ser realizados por profissionais legalmente habilitados, às expensas do empreendedor”.

96 MILARÉ, Édis. Direito do ambiente. 2. ed. rev. aum. atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.

p. 438.

Pasqualotto, para quem a responsabilidade deste profissional será subjetiva e regressiva 97.

Mais amplo é o campo de incidência da responsabilidade civil para Antônio Herman Benjamin. De acordo com o autor o termo utilizado no art. 3º, inciso IV da Lei nº 6.938:

“...inclui aqueles que diretamente causam o dano ambiental (o fazendeiro, o industrial, o madeireiro, o minerador, o especulador), bem como os que indiretamente com ele contribuem, facilitando ou viabilizando a ocorrência do prejuízo (o banco, o órgão publico licenciador, o engenheiro o arquiteto, o incorporador, o corretor, o transportador, para citar alguns personagens)” 98.

Há, inclusive, precedentes jurisprudenciais que apontam neste sentido, inserindo no leque de responsáveis aqueles que cometem a infração, com ela concorrem ou dela se beneficiam, sendo o poluidor não só aquele que

“deflagra o processo degradante (causa imediata) mas também quem mantém a atividade econômica ou social que lhe deu origem (causa mediata)” 99.

Tal amplitude encontra cada vez mais respaldo em nossa doutrina e jurisprudência, principalmente no que diz respeito à figura do poluidor indireto. Paulo de Bessa Antunes afirma que, “além do risco do investimento, as instituições financeiras devem considerar que é crescente a tendência para responsabilizar os agentes financeiros por danos causados pelos mutuários” 100.

97 PASQUALOTTO, Adalberto. Responsabilidade civil por dano ambiental: considerações de ordem material e processual. In: DANO ambiental: prevenção, reparação e repressão. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1993. p. 453.

98 BENJAMIN, Antonio Herman V. Responsabilidade civil pelo dano ambiental. Revista de Direito Ambiental, São Paulo, n. 9, p. 5-52, jan/mar. 1998. p. 37.

99 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. REep nº 442.586. Recorrentes: Rede Bandeirantes de Postos de Serviços Ltda. Recorrido: Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – CETESB. Rel:

Ministro Luiz Fux, Brasília, 26 nov. 2002.

100 ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito ambiental. 7. ed. Rio de Janeiro: Lúmen Juris, 2004. p. 239.

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