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Os alunos adolescentes do Instituto Rogacionista

Investigando: o Contexto de Estudo

Aula 1 Aula 2 Apresentar-se.

4.5. Professora-Pesquisadora

4.6.1.1. A Adolescência em Risco Social

4.6.1.1.1. Os alunos adolescentes do Instituto Rogacionista

Os alunos participantes desta pesquisa estudam nas oficinas profissionalizantes oferecidas pelo Núcleo Socioeducativo do Instituto Rogacionista. Como já esclarecido algumas linhas acima, não contou-se com a presença efetiva de todos aqueles que se engajaram no projeto. Mais de 20 alunos começaram no projeto, contudo, menos de 10 terminaram por razões diversas, desde outras aulas

no mesmo horário, até a conquista de um novo emprego.

Fotografia 5: Alunos nas oficinas. Fotografia 6: Alunos nas oficinas.

Em decorrência de um mal entendido na organização de nossa ação no seio do Instituto, por parte dos funcionários locais, ao chegar para a primeira aula umas das agentes do local surpreendeu-me com a frase: “Ah, chegou a professora de inglês”. Essa desorganização inicial acabou tendo um papel relevante na formação do grupo de diversas formas.

Os alunos se candidatam aos cursos que mais lhe interessam de forma voluntária. Quando entrei na sala de aula havia quase 30 alunos, embora o grupo de pesquisa tivesse definido que trabalharíamos no máximo com 20 alunos por grupo, uma vez que eu, no papel de PP, também era novata na prática de sala de aula em uma perspectiva bilíngue. Ao longo das semanas, alguns que não se interessaram pelo francês foram embora, enquanto outros que nunca pensaram em aprender foram atraídos pela descoberta de algo totalmente novo e decidiram ficar mesmo verbalizando que precisavam mais do inglês para suas carreiras profissionais. Esse fato indica que para esses alunos a língua não era importante, evidenciando que as aulas despertaram neles o gozo pelo aprender. Aconteceu, inclusive, de outros alunos aparecerem no final das aulas pedindo para se unir ao grupo, porque, após as aulas, os colegas estavam, entre si, “falando uma língua que eles não entendiam” e, por isso, se sentiram excluídos.

Enfim, o grupo que acompanhou o projeto ao longo do semestre foi instável do começo ao fim, fato que teve uma influência direta na escolha dos sujeitos focais desta pesquisa. Inicialmente, escolheram a oficina porque pensavam que iriam estudar inglês, entretanto, posteriormente, descobriram que participariam de uma

classe de estudo em língua francesa. O Instituto é frequentado por uma população que, muitas vezes, vive em situações precárias. Alguns alunos deixam de ir às aulas, porque o pai foi morto, porque a mãe não quer mais que ele estude e, sim, que procure um emprego, ou seja, pelos mais variados problemas pessoais e, na melhor das hipóteses, porque arrumaram um emprego no mesmo período das oficinas. Sem contar, também, aqueles que se desinteressaram pelo curso ou que, por uma desorganização interna do Instituto, tiveram que fazer alguma tarefa no mesmo horário.

Fotografia 7: Alunos-participantes no início e no final do projeto.

Pelo critério de continuidade e participação, escolhi para esta pesquisa alguns sujeitos focais que permaneceram no projeto do início ao fim e, portanto, vivenciaram todas as etapas do processo. Esse fato viabilizou a retirada de excertos representativos do seu desenvolvimento afeto-cognitivo.

Vale ressaltar ainda que, apesar de ter escolhido três sujeitos focais para este estudo, analisei turnos presentes nos discursos de outros alunos-participantes que por vezes não puderam ser identificados, como explicitado anteriormente na seção que trata das dificuldades técnicas encontradas para a coleta e transcrição de dados nesta pesquisa.

Escolhi como sujeitos focais W e R, ambos com 16 anos e G de 15 anos, todos do sexo masculino. No primeiro encontro, apliquei um questionário de análise de necessidades para que eu pudesse conhecê-los melhor.

Figura 6: Sujeito da pesquisa W.

Figura 8: Sujeito da pesquisa G.

Na época, W cursava o 2º ano do ensino médio de uma escola estadual em São Paulo. Em seu tempo livre, gosta de jogar futebol e vídeo-game, ler livros, paquerar e estudar, destacando que, quanto a essa última atividade, dedica-se aos estudos tanto em relação à escola quanto ao curso de francês. Seu interesse em aprender a língua francesa é baseado em um desejo profissional e comunicacional, almejando falar com francófonos e também usar termos e nomes próprios relativos ao futebol.

R, por sua vez, cursava o 1º ano do ensino médio de uma escola estadual em São Paulo. Escutar música e trabalhar são suas atividades prediletas. Pontuou que deseja aprender francês porque é uma língua diferente e também porque deseja enriquecer seu currículo. Vislumbra na aprendizagem da língua francesa a possibilidade de ampliar seu repertório em relação a uma de suas atividades preferidas, o canto e também de conversar na LI.

Já G, em seu tempo livre gosta de jogar futebol, namorar e sair com amigos. Aluno do 1º ano do ensino médio de uma escola estadual em São Paulo, diz que a razão pela qual participa do projeto é que um dia possa falar com um francês. Também externalizou o desejo de aprender a falar com seus amigos em francês e de conhecer o vocabulário ligado ao vestuário na língua francesa.

Neste capítulo, foi apresentado o Projeto de Extensão Universitária no âmbito do qual este trabalho foi desenvolvido, bem como o local da coleta de dados e seus participantes. O próximo capítulo tratará dos objetivos da presente pesquisa, situando-a metodologicamente como também abordará os procedimentos de coleta e seleção de dados, esclarecendo o caminho adotado para a análise, discutindo, por fim, os aspectos ligados à ética e à credibilidade.

CAPÍTULO 5