Comentando a cerca de aspectos positivos do Plano Real e da desvalorização: as alterações que vêm ocorrendo na estrutura produtiva do país. Estas transformações, levaram a mudanças organizacionais das firmas, como a substituição de peças e maquinário nacional por importado de maior tecnologia. O capital mediante as oportunidades renovadas de investimento e acumulação, e numa fase de agilidade e eficácia, reposiciona-se no mercado tanto interno quanto externo.
Neste sentido podemos lembrar: “No contexto tradicional de poucas opções de geração interna autônoma de inovações significativas, mais uma vez o recurso à importação de tecnologias tem prevalecido como forma dominante de acesso a estes requerimentos da nova etapa ou fase da economia do País. Assim, temos procurado adaptar ao tecido produtivo brasileiro as mais importantes inovações organizacionais desenvolvidas no mundo, … e temos optado pela ampliação do conteúdo importado de nossos produtos, o que vem determinando a desestruturação de segmentos menos competitivos ou atualizados, produtores de insumos relevantes à produção de inúmeros bens, especialmente nos segmentos de duráveis ou bens de capital.”7
Constatamos que os indicadores de investimento evoluíram, no primeiro semestre de 2000, no mesmo sentido das variáveis que refletem o desempenho do consumo, ocorrendo, no período, expansão de 8,5% na produção de bens de capital e de 1,9% na
7Extrato da Publicação: Importação de Tecnologia, acesso às inovações e desenvolvimento regional: O quadro recente no Brasil de
Adriana Pacheco Áurea e Antonio Carlos Galvão, prof de economia da UFRJ
relativa a insumo da construção civil.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desempenho da produção de bens de capital, no semestre, foi impactado positivamente pela evolução de vários subsetores, com destaque para a produção de máquinas e equipamentos para fins industriais. Seguiram-se os aumentos registrados na produção de bens de capital para o setor de transportes, 18%, de máquinas e equipamentos para o setor de construção, 8,8%, de bens destinados à agricultura, 6,7% e de peças agrícolas, 9,9%. Em sentido inverso, as importações físicas de bens de capital reduziram-se 13,6%, no semestre, ante as relativas ao período correspondente do ano anterior.
Indicadores de Investimento
2000
Discriminação 1999 1trim Abr Mai Jun Jul
Produção de bens de capital -9,10 6,30 5,80 7,70 8,40 9,40
Insumos para a construção civil -3,70 2,30 1,90 1,90 1,90 1,80
Importação de bens de capital -20,00 -10,00 -7,10 -8,00 -13,60 ...
Invest. Diretos 0,90 97,20 50,80 40,50 40,00 54,40
Financiamentos do BNDES -4,90 -1,70 -5,00 -3,20 -7,10 14,80
Fontes: IBGE, SRF, BACEN e BNDES
Os desembolsos do sistema BNDES, Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame) e BNDESpar, cresceram 14,8% este ano, comparativamente a idêntico período de 1999. Por setores de atividade, ocorreu elevação de 43,8% nos financiamentos destinados ao comercio e serviços e de 26,8% nos absorvidos pela agropecuária. Na industria,
verificaram-se quedas de 4,3% nos financiamentos destinados à transformação e de 82,9%
nos direcionados à extrativa. Já o comportamento do nível de estoque na indústria de transformação, conforme divulgado pela FGV, indicou melhora do ajuste entre produção e vendas industriais. Setorialmente, os setores têxtil, produtos de matéria plástica e minerais não metálicos apresentavam estoques efetivos acima do desejável assim como o automobilístico, enquanto em sentido inverso, ou seja, abaixo do nível desejado, situavam- se material de transporte, metalurgia e produtos farmacêuticos.
A
VII. CONCLUSÃO
dddd
Este capítulo foi reservado à síntese dos capítulos anteriores, incluindo seus principais resultados. Nosso trabalho teve como objetivo estudar a reação da balança comercial e da inflação após desvalorização, e também constatar a presença de relações empíricas entre o cambio real, PIB e abertura comercial com as exportações e importações.
Concluímos em nossa análise que todos os indicadores de consumo, demanda de importação e exportação brasileira apresentaram, no período analisado, uma tendência de crescimento expressivo. Esse comportamento vem sendo influenciado, principalmente, pela redução nas taxas de juros praticadas nas operações de crédito decorrentes principal do cenário de decréscimo nos custos, o estabelecimento de metas de inflacionárias, e a recente desvalorização cambial amplamente discutida no decorrer do trabalho.
A balança comercial é um fator determinante para que países possam reduzir os déficits em conta corrente, já que países com superávits comerciais tornam permanente a necessidade de influxo de capitais menos dependente de investimento direto e/ou capital especulativo, possibilitando o pagamento da dívida externa.
Através das regressões foi possível constatar as exportações não apresentam uma forte e imediata reação à desvalorização. A reação das exportações após a desvalorização não dependerá unicamente da mudança de preços relativos e da maior competitividade dos produtos do país. A conjuntura na qual os seus parceiros comerciais se encontram e o nível internacional dos preços dos principais produtos exportados e importados por este também
são essenciais para determinar a magnitude e a demora da reação da balança comercial. A regressão das importações obtivemos os melhores resultados, as variáveis PIB e câmbio real foram significativas e confirmaram suas relações positiva e negativa respectivamente.
Deve-se destacar que a variável cambio real parece ter surtido impacto mais definido nas importações do que nas exportações. Ou seja, segundo este trabalho empírico, o efeito positivo que uma desvalorização real deveria exercer sobre as exportações não ficou totalmente claro, ao passo que efeito negativo que a mesma desvalorização tem nas importações foi verificado.
No que se refere à investimento, observa-se tendência de expansão, conseqüência natural da consolidação dos fundamentos econômicos e da retomada do crescimento. A intensidade dessa expansão, contudo, mostra-se ainda modesta, de tal modo que, em percentuais do PIB, os gastos com investimentos vêm decrescendo. Ressalve-se entretanto que, entre os indicadores mais relevantes, a produção de bens de capital destinados à industria de transformação vem registrando expansão acentuada, sinalizando ampliação da capacidade instalada.
VIII. BIBLIOGRAFIA
BLANCHARD, Oliver. “Macroeconomics”
KRUGMAN, Paul; OBSFELD, Maurice. “International Economics: Theory and Policy”
FRANCO MONTORO FILHO, André. “Contabilidade Social”
GOLDFAJN, Ilan; WERLANG, Sérgio. “The Pass-through from Depreciation to Inflation:
A Panel Study (2000)
GOLDFAJN, Ilan; GUPTA, Poonam. “Does monetary policy stabilize the exchange rate following a currency crisis?”
PACHECO, Adriana; GALVÃO, Antonio Carlos. “Importação de Tecnologia, acesso às Inovações e Desenvolvimento Regional: o Quadro Recente no Brasil” (1998)
FENDT, Roberto.“A Desvalorização cambial realmente deu errado?” Resenha BM&F 2000
Dados extraídos do IPEA DATA
SIMONSEN, Mario Henrique; CAMPOS, Roberto. “A Nova Economia Brasileira”
BACEN, Relatório de Inflação de Setembro de 2000
WERLANG, Sérgio; BOGDANSKI, Joel; TOMBINI, Alexandre Antonio. “Implementing Inflation Targeting in Brazil”
CANUTO, Otaviano - UNICAMP; “Taxa de Câmbio flexível não é varinha de Condão”.