CAPÍTULO 2: AS IGREJAS PROTESTANTES E O DESAFIO ECUMÊNICO
3.1 As diversas contribuições sobre a origem dos batistas
3.1.1 Os batistas ingleses: gerais e particulares
Em relação aos grupos batistas. Estes se identificavam com o partido separatista. Eram oriundos de uma burguesia média/baixa, composta de pequenos mercadores, artesãos e camponeses enriquecidos. Elaboravam uma leitura simplista das Escrituras e nutriam uma rejeição ao modelo episcopal e também ao presbiteriano e optavam pelo governo de igreja congregacional. Na política apoiavam a democracia, os batistas se inseriam nesse grupo, todavia, teologicamente, alguns batistas eram calvinistas18.
Os princípios de um congregacionalismo mais avançado foram adotados por um grupo de separatistas em Gainsborough, em 1606, que não tinham qualquer relação com a Igreja Oficial. Devido à perseguição, assim como vários outros, o grupo de Gainsborough emigrou para Amsterdã em 1808, sob a liderança de John Smith, ex-ministro anglicano, ex- puritano e agora separatista batista. Smith defendia que uma congregação só pode ser formada por fieis adultos, batizados segundo a consciência, contrariando o pedobatismo da Igreja da Inglaterra. Em 1609 Smith batizou-se a si mesmo, a Thomas Helwys e aos outros 40 membros do seu rebanho. Devido ao contato com os Menonitas, ramo posterior do Anabatismo, alguns
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Os batistas ingleses se distinguiam em dois grupos: Os batistas gerais, e particulares. Os primeiros eram separatistas, liderados por Jonh Smith, e seguiam a teologia de Jacó Arminius, teólogo holandês que defendia a seguinte tese a respeito da doutrina da salvação “Cristo morreu por todos os homens, e o propósito de Deus, desde o principio, foi salvar todos os que crêem em Cristo. Desse modo, os propósitos soberanos de Deus deixam uma margem para a decisão humana, o que valoriza de certo modo o homem ao lhe garantir a liberdade de aceitar ou não pela fé, essa graça que lhe é oferecida”. (MENDONÇA, 2008, p. 59). O segundo grupo era formado por dissidentes congregacionais liderados por Henry Jacob que seguiam a teologia calvinista.
membros desta congregação se tornaram menonitas, inclusive Smith, após um longo período de negociação para inclusão desse grupo.
Thomas Helwys e seus seguidores voltaram à Inglaterra em 1612 e organizaram nos arredores de Londres, a primeira igreja batista em solo inglês. Este grupo praticava o batismo por afusão, que consistia no derramamento de água sobre o batizando, e sustentavam as doutrinas de Armínio, passando a ser conhecidos como batistas gerais. A semelhança dos congregacionais, estes batistas criam que a igreja era a comunidade de um pacto, na qual todos estavam em um mesmo pé de igualdade, serviam uns aos outros e levavam as cargas uns dos outros, ou seja, uma estrutura rigidamente democrática.
Devido às perseguições constantes por parte da igreja estabelecida, os batistas gerais, defendiam o direito à liberdade religiosa. Em 1612, no estabelecimento da primeira congregação batista inglesa, Helwys escreveu a Tiago I:
Ouve, ó rei, e não despreza o conselho do pobre, e deixa seus reclamos chegarem perante ti. O rei é um homem mortal, e não Deus. Portanto, não tem poder sobre as almas imortais de seus súditos, para fazer leis e ordenanças para elas, (almas) e para colocar sobre elas Senhores espirituais. Se o rei tem autoridade para fazer Senhores e Leis espirituais, então ele é um Deus imortal e não um homem mortal. Ó rei, não se deixe iludir pelos enganadores para pecar assim contra Deus a quem tu deves obedecer, nem contra teus pobres súditos que deverão e obedecerão a ti em todas as coisas com corpo, vida e bens, ou por outras deixarão suas vidas serem tomadas da terra. Deus salve o Rei. Spittlefeild, perto de Londres. Tho: Helwys. (HELWYS apud OLIVEIRA, 1997, p. 42).
Outro grupo de batistas, conhecido pelo nome de “particular” ou calvinista, teve início com Henry Jacob, um líder puritano congregacional, em 1616 em Southwark, Londres. Em 1633, a congregação independente de Henry Jacob, depois de sua morte, foi conduzida por John Lathrop, que sofreu severas perseguições e até um aprisionamento por parte do Arcebispo Laud. John Lathrop fugiu com trinta membros de sua congregação para a Nova Inglaterra (América do Norte) Henry Jessey, teólogo puritano, veio a sucedê-lo. Esta congregação sofreu em 1633 e 1638 algumas divisões, quase sempre em torno da questão do batismo infantil e da aspersão. A primeira divisão liderada por Samuel Eaton e a segunda por John Spilbury. Desse modo, surgem duas igrejas batistas calvinistas em Londres oriundas das divisões na congregação19.
19 Os batistas particulares batizavam os fieis adultos por aspersão, passando para o modo de imersão graças à
A defesa da liberdade religiosa, também é enfatizada pelos batistas particulares na Confissão Londrina de 1644, elaborada por quinze pastores das igrejas particulares. A primeira confissão moderna do Oeste Europeu defendia a imersão como único modo de batismo, a teologia calvinista e a liberdade religiosa. Trata-se de um documento oficial sobre a doutrina da liberdade de consciência, elaborado por uma associação de igrejas.
Os batistas gerais e particulares, sofriam sérias oposições, tanto sob a influência do rei e dos anglicanos, quanto sob o domínio do parlamento e dos puritanos. Por isso a forte ênfase na defesa da liberdade religiosa e de consciência
A situação dos batistas, como grupo separatista, não era das mais confortáveis. A concepção da igreja anglicana e da puritana, no fundo, era muito semelhante. Quer dizer, os dois lados propugnavam por um vínculo entre Igreja e Estado. Os batistas, por sua vez, estavam na contramão da política da monarquia e do parlamento. Eles valorizavam uma noção de igreja local, razão pela qual desagradavam a gregos e troianos (ou melhor, anglicanos e puritanos). A própria ideia do batismo exclusivo para adultos significava um ato de desobediência civil diante de uma Igreja-Estatal onde o pedobatismo funcionava quase como certidão de nascimento, pois ser cidadão implicava pertencimento à Igreja oficial. (CASTRO, 2003, p. 100).
A união entre os batistas gerais e particulares, em 1812 provocou protestos de lideres calvinistas moderados da época. Essa unificação dos dois grupos foi o prenúncio da Aliança Batista Mundial formada em 1905
3.2 O protestantismo norte-americano: denominacionalismo, despertamento missionário