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Iniciando a coleta de dados no primeiro semestre de 2007, primeiramente entrei em contato com a Divisão de Controle Acadêmico (DICA) da Universidade para tentar conseguir e-mails, telefones ou endereços dos ex-alunos do curso de Licenciatura em Matemática, porém, o responsável pelo departamento comunicou-me que não poderia fornecer essas informações e também que talvez não tivesse sucesso, pois os dados que constavam no cadastro dos alunos já estariam obsoletos.

Indicou que procurasse a coordenação do curso de Matemática, pois talvez dessa forma eu pudesse conseguir localizar esses ex-alunos. Fui procurar o coordenador, que também nos informou que não poderia fornecer tais informações, por serem confidenciais. Contudo, nos deu uma lista com os nomes de todos os formados no período de 2002 a 2006, a qual está disponível no site da Internet do Departamento de Matemática da UFSCar.

Foi escolhido esse período (2002-2006) porque nessa época a grade curricular sofreu alterações e foram inseridas disciplinas que tinham como objetivo a preparação dos alunos para utilizarem as Tecnologias da Informação e Comunicação no ensino de Matemática. Além disso, a maioria dos professores formados nesse período estaria na fase inicial da carreira.

De posse da lista dos nomes dos alunos, restou-nos tentar encontrar de alguma maneira seus e-mails. Essa lista continha os nomes de 188 formados, sendo 110 alunos do curso diurno e 78 do noturno. Comecei então a busca pelos e-mails dessas pessoas.

Consegui muitos deles com alguns amigos que tinham os e-mails de seus colegas de turma. Outra fonte foi o site de relacionamento Orkut, no qual há uma comunidade do curso de Matemática da UFSCar. Algumas professoras que ministraram aulas de Metodologia de Ensino e Estágio Supervisionado também contribuíram, pois tinham e-mails dos alunos para se comunicarem durante a disciplina.

Apesar de não ter conseguido os e-mails de todas as pessoas, totalizei um número bastante considerável: 144 endereços eletrônicos.

Com o intuito de verificar quantos ex-alunos atuavam como professores e quais utilizavam as Tecnologias da Informação e Comunicação em suas aulas, construí um primeiro questionário10para fazer esse levantamento.

Esse questionário foi elaborado de forma a facilitar a resposta pelos ex-alunos. Por esse motivo, foi enviado no corpo do e-mail e constituiu-se de questões que buscaram informações sobre: em qual nível de ensino atuavam; há quanto tempo lecionavam; se exerciam essa atividade em escola particular ou pública; se suas escolas tinham sala de informática; se utilizavam algum tipo de tecnologia (computador, calculadora, TV etc.); com que freqüência o faziam e quais as dificuldades encontradas.

Procurei aumentar o percentual de respostas utilizando a recomendação proposta por Laville e Dionne (1999, p. 186), isto é, “um questionário curto, atraente em sua apresentação, com questões simples e claras (o que não exclui obrigar o interrogado a refletir), um modo de resposta fácil de compreender”.

Do total de mensagens enviadas, 14 não foram recebidas pelos respectivos donos, por problemas de erro ou pelo fato de os e-mails estarem desativados. Dessa forma, a quantidade de mensagens efetivamente enviadas foi de 130.

Recebi o retorno de 57 ex-alunos do curso de Licenciatura em Matemática da UFSCar, perfazendo um total de 43,8% dos questionários enviados. Desse número, 27 formados atuam no magistério (47,4%).

Nesse conjunto, encontrei três professores que não estavam em início de carreira, por já lecionarem durante o curso ou antes mesmo de iniciarem a graduação, sendo que um deles tinha sete anos de experiência e os outros dois, nove e doze anos, respectivamente.

Com o primeiro questionário, identifiquei 22 docentes que disseram utilizar as TIC em suas aulas. Esses professores foram nossos sujeitos em um segundo momento, no qual, com um questionário aberto11, tentei apreender: o que pensavam em relação às TIC na Educação; como foram seus cursos de formação inicial no que se refere às tecnologias; quais utilizam em suas aulas e como o faziam; e se aceitariam participar da próxima fase da pesquisa nos concedendo uma entrevista.

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Ver Anexo 1. 11

Dos e-mails enviados a esses 22 docentes, recebi a resposta de 16 pessoas. Destaco que foram necessárias várias tentativas para que obtivesse essa quantidade de retornos.

Para conseguir responder à questão da minha investigação, escolhi utilizar como instrumento de coleta de dados, além dos questionários, a entrevista de aprofundamento, porque “permite correções, esclarecimentos e adaptações que a tornam sobremaneira eficaz na obtenção das informações desejadas” (LÜDKE; MENGA, 1986, p. 34). Além disso, segundo essas mesmas autoras, esse instrumento possibilita o aprofundamento de pontos levantados por outras técnicas, como o questionário usado anteriormente.

Preferi as entrevistas semi-estruturas porque a flexibilidade no roteiro permite acrescentar questões necessárias durante o desenvolvimento da mesma e também para apreender algumas vivências dos professores ao introduzirem e utilizarem as TIC, por se tratar de situações difíceis de serem reveladas nos questionários.

Ressalto ainda que a entrevista foi composta por um conjunto de questões comuns a todos os sujeitos e outras que tinham o objetivo de esclarecer e clarificar pontos obscuros dos questionários.

Os critérios para a escolha dos sujeitos desse momento da pesquisa foram os seguintes:

a) Estivessem nos primeiros anos de docência;

b) Que utilizassem alguma Tecnologia da Informação e Comunicação em suas aulas;

c) Demonstrassem interesse em participar concedendo entrevistas.

Atendendo a esses critérios, selecionei para a entrevista quatro professores12: Fabiana, Luis, Roberto e Silvio. Essa entrevista foi realizada nos meses de novembro e dezembro de 2007.

Ressalto que foi muito difícil encontrar data e horário para sua realização, visto que todos estavam muito ocupados com seus diversos afazeres escolares por ser final de ano letivo. Por isso, algumas entrevistas tiveram que ser remarcadas algumas vezes.

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Destaco também que a entrevista com a professora Fabiana foi realizada por meio do software de comunicação instantânea Messenger, tendo em vista que ela reside a cerca de 300 km de São Carlos e que, apesar de estar disposto a entrevistá-la presencialmente, sua enorme carga horária semanal (54 horas/aula) não permitiu a entrevista presencial. Além disso, sua entrevista começou em um dia e teve que ser finalizada em outro, porque, como as respostas precisavam ser digitadas, houve uma maior demanda de tempo, acrescentando-se o fato de que a professora teve de se ausentar devido a um compromisso.

As entrevistas com os demais participantes foram gravadas em áudio e após serem transcritas foram enviadas, por e-mail, para os sujeitos, a fim de que fizessem algumas alterações e esclarecimentos que achassem necessários sobre suas falas. Contudo, apenas um sujeito retornou a transcrição e fez poucas alterações.