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Os ciclos de aprendizagem nos contextos das escolas da SEEDF

No documento Anita Angelica Cruz de Paiva Sousa (páginas 54-57)

2.2 Os ciclos de aprendizagem

2.2.3 Os ciclos de aprendizagem nos contextos das escolas da SEEDF

O DF já vivenciou experiências com ciclos bem antes da publicação da LDBEN (BRASIL, 1996) e dos PCNs (BRASIL, 1997). Todavia, após a devida previsão legal

permitindo a adoção dos ciclos de aprendizagem e da progressão continuada, já em 2005, a SEEDF começou a sua adequação aos ciclos, implantando o Bloco Inicial da Alfabetização (BIA), que corresponde aos 1º, 2º e 3º anos do ensino fundamental. De acordo com esse direcionamento, desde 2015, os 2º e 3º ciclos vêm sendo implantados gradativamente nas escolas de ensino fundamental da Rede34.

Ainda no ano de 2015, com a publicação do Regimento Escolar da Rede Pública de Ensino do DF (DISTRITO FEDERAL, 2015a), a organização escolar trazia como propostas de organização curricular de suas escolas os ciclos e o modelo seriado, sendo que, com a publicação do Plano Distrital de Educação (PDE 2015-2024), ficou decidido pela adoção dos ciclos de aprendizagem para a etapa do ensino fundamental, como prevê a estratégia 2.3 do referido Plano:

adotar, após amplo debate com a comunidade escolar, até o terceiro ano de vigência deste Plano (2018), modelo de organização curricular em ciclo, em substituição ao regime seriado, de modo a enfrentar os índices de reprovação e os percursos diferenciados de escolarização. (DISTRITO FEDERAL, 2015b).

Dessa forma e de acordo com o referido PDE, tanto a gestão, a organização da escola, o currículo e, principalmente, seu processo de ensino-aprendizagem devem estar fundamentados no objetivo de promover e oportunizar as aprendizagens em prol do desenvolvimento holístico do aluno. Ficou estabelecida, então, a “Organização Escolar em Ciclos para as Aprendizagens”, nome dado aos ciclos de aprendizagem na Rede. Assim, as modalidades de ensino da SEEDF passaram a ser configuradas conforme apresentado no quadro 1, a seguir:

Quadro 1 – Organização das modalidades de ensino da educação básica da SEEDF Etapa Ciclo/Série Faixa etária Regime Subdivisões/Blocos Ed. Infantil* 1º ciclo 0 a 5 anos Anual - Creche – 0 a 3 anos

* Apesar de ser identificado como 1º ciclo, não compreende a educação básica obrigatória. Fora utilizada essa nomenclatura apenas para fins de organização curricular. Segue o regime seriado apenas em seu caráter de organização anual, sendo sua progressão automática de acordo com idade cronológica do aluno.

** O Ensino Médio (ainda) não foi incluído no sistema de ciclos. O que ainda é permitido em algumas instituições da Rede é o sistema de semestralidade, quando ao aluno é facultada a escolha por cursar os componentes curriculares dessa etapa em semestres, sem que haja alteração no período de término dessa fase final da Educação Básica.

Fonte: Elaboração própria com base no Regimento da Rede Pública de Ensino do DF (DISTRITO FEDERAL, 2019)

34 O termo Rede diz respeito à SEEDF. Decidi alternar pelo uso dos dois, por seu uso se fazer bastante presente nos documentos oficiais da SEEDF.

Para o 2º e 3º ciclos é permitida a retenção de alunos apenas ao final de cada um dos blocos, ou seja, no 3º, 5º, 7º e 9º anos. Ao longo desses dois blocos somente é possível a reprovação anual em razão de extrapolação do limite anual de faltas. Caso contrário, a retenção

deve ser justificada pela escola com a realização de conselho de classe (com a participação de professores, equipes de apoio, gestores), mediante registros sistematizados ao longo do processo que evidenciem as estratégias adotadas pelo professor para atender às necessidades de aprendizagens dos estudantes (DISTRITO FEDERAL, 2017, p. 22-23).

Ressalta-se que segundo a Meta 2 do PDE em questão e até seu último ano de vigência, está prevista a garantia de acesso universal a todos os alunos à educação básica, assegurando sua permanência e aprendizagem nas escolas da SEEDF. O ingresso obrigatório de todos os alunos deverá ocorrer a partir dos seis anos de idade, sendo assegurada a todos os ingressantes a conclusão do ensino fundamental até os quatorze anos de idade. Considerando que o PDE (2015-2024) passou a ser obrigatório, de fato, em 2018, não será possível comprovar o alcance dessa meta a não ser que seja ratificada em um próximo Plano, haja vista que alunos ingressantes no 1º ano do ensino fundamental em 2018, estarão ainda no 7º ano em 2024.

Os ciclos de aprendizagem para o ensino fundamental da Rede têm como objetivos:

valorizar as aprendizagens dos estudantes e seu percurso formativo;

aprimorar os processos de ensinar, aprender e avaliar;

superar o ensino fragmentado criando experiências educativas que possibilitem a aprendizagem, a inclusão e o compromisso com a mudança de relações assimétricas de poder;

melhorar as condições pedagógicas por meio da reorganização do tempo/espaço do e no cotidiano escolar;

corrigir o fluxo escolar com qualidade;

tornar mais efetiva, ética e saudável a relação professor-estudante;

qualificar a avaliação, incluindo o processo contínuo de recuperação das aprendizagens. (DISTRITO FEDERAL, 2017, p. 10)

Além disso, reconhece-se como fundamentais para o sucesso de sua implementação:

 enfatizar a importância do trabalho coletivo entre os pares por meio dos momentos de coordenação pedagógica dos professores, gestão e comunidade escolar;

 promover a formação continuada docente;

 fortalecer a gestão democrática;

 integrar a comunidade escolar em geral;

 reconhecer o papel formativo das avaliações, independentemente do instrumento usado;

 acompanhar o desenvolvimento do aluno lançando mão de instrumentos de registro como o próprio diário de classe e o Relatório de Avaliação Individual (RAV), através dos quais se torna possível detalhar as intervenções feitas em prol das aprendizagens;

 incluir alunos ANEEs, permitindo que tenham todo o suporte e acompanhamento necessários, inclusive os fornecidos pela Sala de Recursos, Sala de Apoio às Aprendizagens, Serviço de Orientação Educacional e Equipes Especializadas (tratamento estendido aos demais alunos quando assim couber e for conveniente);

 estabelecer comissões de professores e profissionais da educação, tanto para decisões de Conselhos de Classe como para promover avaliações coletivas do processo e formações continuadas em prol da melhoria das aprendizagens por ciclos.

A proposta de ciclos, apesar de não ter sido pensada para todas as etapas da educação básica, como no caso do ensino médio, foi estendida aos CILs – escolas de natureza especial e que oferecem idiomas em caráter complementar às escolas de educação básica. De acordo com as Diretrizes Pedagógicas dos CILs (DISTRITO FEDERAL, 2019), todas essas instituições e respectivos idiomas deverão se organizar em ciclos de aprendizagem.

A seguir, apresento tal proposta para tais escolas e alguns apontamentos sobre os possíveis dilemas a serem enfrentados.

No documento Anita Angelica Cruz de Paiva Sousa (páginas 54-57)