2. Evolução e importância do Turismo de Saúde e Bem-Estar
2.3 Os clientes do Turismo de Saúde e Bem-Estar
Os crescentes fenómenos da globalização têm-se refletido ao nível do turismo, particularmente ao nível da afirmação do turismo internacional. O desenvolvimento dos transportes, o aumento do rendimento e também o aumento do tempo livre, têm contribuído para a afirmação do turismo como a indústria do século XXI.
O perfil dos consumidores também se tem vindo a alterar nas sociedades modernas. O estilo de vida moderno exigente, constantemente associado a situações de stress e tensão, fazem com que o período de férias seja bastante aguardado. Neste contexto as tentativas de obter relaxamento, melhorar o estado de saúde, recuperar o equilíbrio revelam o interesse crescente por elementos naturais e constituem o mote ideal para o desenvolvimento do Turismo de Saúde e Bem-Estar.
Atualmente também a esperança de vida e o poder de compra são maiores, pelo que existe uma disponibilidade maior para investir nos cuidados de saúde, no intuito de garantir uma melhor qualidade de vida pelo maior período de tempo possível.
Foram vários os fatores que contribuíram para a alteração dos hábitos de consumo dos turistas, que atualmente, e cada vez mais procuram com maior frequência os serviços de saúde e bem-estar:
• Aumento da esperança média de vida nos países desenvolvidos; • Acesso a uma maior quantidade de informação;
• Incapacidade por parte dos sistemas de saúde em acompanharem as necessidades da procura,
• Diferença acentuada entre os preços praticados em países desenvolvidos e os países em desenvolvimento;
• Menor cobertura dos serviços médicos nacionais;
• Oferta pouco sugestiva de instalações e longas listas de espera;
• Procura de tratamentos de saúde, bem-estar, prevenção e de relaxamento (Barros, 2007).
Este nicho de mercado revelou um crescimento tão exponencial que fez com que se tornasse numa verdadeira indústria. Os peritos da área referem que o seu crescimento poderá acentuar-se nos próximos anos (Paffhausen, Peguero e RocheVillarreal, 2010) facto que revela a crescente tomada de consciência enquanto consumidores, da possibilidade de optar por tratamentos de saúde nos diversos mercados europeus (Hansen, 2008).
Segundo a consultora THR (2006) o perfil do consumidor internacional de viagens de Saúde e Bem-Estar no espaço europeu, apresenta as seguintes características:
• Adquire na sua maioria pacotes Wellness all inclusive nomeadamente ao nível da SPA e Talassoterapia;
• Apresenta um carater regular na compra;
• Manifesta uma atitude proactiva e de desenvolvimento da saúde, sendo de carater permanente no caso do Turismo Médico e esporádico no que concerne ao Turismo de Bem-Estar.
O perfil de consumo dos turistas de TSBE varia de acordo com o perfil sócio demográfico, hábitos de informação e compras (Quadro 3).
Fonte: THR, 2006
O perfil sociocultural e económico dos turistas de Saúde e Bem-Estar aponta no sentido da sua prática estar associada a grupos sociais específicos, com elevado capital sociocultural e económico (Gustavo, 2010).
Os mercados Europeus como a Alemanha o Reino Unido, Holanda, Espanha, Luxemburgo, França face aos motivos supracitados, são identificados como potenciais clientes.
A qualidade que o turista de TSBE procura reflete-se na prestação dos serviços (na humanização do atendimento),nos preços competitivos e na maior oferta de voos nacionais diários e internacionais. Estes turistas privilegiam também a tecnologia de última geração, facto que dita a seleção do destino (Gustavo, 2010).
Para que qualquer destino turístico possa orientar corretamente a promoção do produto, segundo o atlas do turismo (2013), deve começar por identificar os mercados-alvo:
• Onde a notoriedade de Portugal é reconhecida; • Locais onde haja maior diáspora portuguesa; • Emissores de turistas habituais para Portugal;
• Países com maior nº de residentes com segunda habitação em Portugal; • Principais emissores de turismo médico;
• Principais concorrentes;
• Mercados com maiores taxas de importação face ao total de despesas em saúde; • Apólices de seguro que não cobrem determinados procedimentos (AEP, 2013). A estratégia para a afirmação do TSBE, será definida no Plano de Marketing Estratégico para o Turismo do Algarve 2015/2018,em fase de execução pela RTA.
Após a contextualização e caraterização do perfil do turista de TSBE, procedeu-se à caraterização de cada um dos subprodutos e posteriormente a análise da oferta que atualmente existe, por forma aferir as potencialidades do destino Algarve no que respeita à sua afirmação enquanto destino de Saúde e Bem-Estar.
Esta pesquisa tornou-se difícil na medida em que a informação é escassa e não obedece a padrões específicos em termos de imagem e promoção. Pelo exposto uma das tarefas propostas no decorrer do estágio foi a elaboração de uma inventariação que abrangesse o maior número possível de recursos existentes na região (Ponto 3
)
.2.4 Caraterização dos subprodutos de Turismo de Saúde e Bem-Estar
2.4.1 Turismo Médico
O Turismo Médico (TM) inclui-se no turismo de saúde, que também integra o turismo estético, o turismo termal e de talassoterapia (Fernandes, 2013). O paradigma da medicina emergente no TM à escala global, assenta numa medicina integrativa que articula os mais importantes contributos produzidos nas várias medicinas, designadamente a alopática/ocidental, a ayurvédica/indiana, a chinesa, a homeopática, a naturológica/naturopática muito divulgadas nestes destinos (Fernandes & Fernandes, 2011).
De notar que no referente ao produto TSBE, outros países o contemplam como “health and welness tourism”, “medical travel”, “health tourism”, “health travel”, “healthcare tourism”, “healthcare abroad”, “medical overseas”, and “overseas medical”.