CONTORNOS DAS POÉTICAS TECNOLÓGICAS
4. A experiência brasileira
4.2. Os clipoemas na Fundação Cultural de Curitiba (1994 a 2002)
4.2. Os clipoemas na Fundação Cultural de Curitiba (1994 a 2002)
É imperioso ressaltar que a equipe da FCC demonstrou, já em 1994, uma sintonia perfeita com o que estava acontecendo em termos de poesia multimídia no Brasil. Em lugar de permanecer nos formatos tradicionais, que já haviam consagrado o evento anual de poesia Perhappiness - ao trazer desde sua primeira edição em 1989, grandes nomes para apresentarem, falarem e debaterem sobre poesia -, a equipe resolveu inovar para valer, investindo numa programação multimídia.
- O Evento Perhappinesss (1994)
Em agosto de 1994, o Perhappiness, em sua sexta edição, com a curadoria de Cassiana Lacerda Carollo, Walter Silveira e Rosana Albuquerque, apresentou ao público curitibano uma poesia para ver, ouvir, ler e sentir. A começar pelo lançamento do vídeo-livro NOME, de Arnaldo Antunes, com a presença do autor, muitas inovações marcaram o evento. O público curitibano tomou conhecimento de que, quando as palavras eram lidas, ouvidas e ganhavam diversas formas e simultaneidade, graças ao computador, alguma coisa estava acontecendo no reino da poesia.
No Teatro Paiol, teve lugar a performance poético-musical do grupo TemperaMental, composto pelos mestres Décio Pignatari, Lívio Tragtenberg e Wilson Sukorski. A performance combinou, além da voz do poeta, diversificadas
dicções líricas com imagens e com texturas musicais, que vão de têmperas musicais de baixa definição até sonoridades de alta definição, geradas através de processos digitais. Pura vanguarda!
A programação incluiu ainda, entre outros, o lançamento do livro Transblanco, uma transcriação feita por Haroldo de Campos da obra de Octávio Paz, que segundo o poeta mexicano deveria ser um filme-poesia, jamais realizado. Para completar, o vídeo Blanco, de Gustavo Guimarães apresentou as idéias de Paz sob a forma de imagens eletrônicas.
Na ocasião, desenvolvidas sob os auspícios da Fundação Cultural de Curitiba, algumas propostas pioneiras foram apresentados ao público da capital paranaense. São os clipoemas especialmente realizados para o evento:2
1) PRAZER DA PURA PERCEPÇÃO - versão de Ruy Vezzaro para o poema de Paulo Leminski
2) MOINHOS DE VERSOS - poema de Leminski e clipoema de Willy e Werner Schumann
3) BLANCO – poema de Octávio Paz e clipoema de Luiz Gustavo Monteiro Guimarães
4) CARREGO O PESO DA LUA - poema de Leminski- clipoema de Antonio Augusto de Freitas
5) AMEIXAS - poema de Leminski e clipoema de Luis Alberto Cruz
6) NADA FOI FEITO - poema de Leminski e clipoema de Berenice Mendes 7) OBJETO AUSENTE - poema de Leminski e clipoema de Peter Lorenzo 8) O ASSASSINO ERA O ESCRIBA - poema de Leminski e clipoema de Marco Felippe
(9) FÊNIS - clipoema de Arnaldo Antunes (cedido pelo autor) - O Evento Perhappinesss (1996)
Dentro da variada programação do evento, além das obras já exibidas em 1994, foram criados e exibidos os novos clipoemas :
1) DIONÍSIOS ARES AFRODITE – poema de Paulo Leminski e clipoema de Ruy Vezzaro
2 Os clipoemas de todas as edições do Perhappiness encontram-se na Casa da Memória, da FCC, podendo ser vistos no local, mediante agendamento prévio.
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2) FELIZ COINCIDÊNCIA - poema de Paulo Leminski e clipoema de Willy e Werner Schumann
3) CORNUCÓPIA PARA O BOCA DO INFERNO - poema de Gregório de Matos e clipoema de Luiz Gustavo Monteiro Guimarães
4) FORMAS ESTRANHAS - poema de Paulo Leminski e clipoema de Antonio Augusto de Freitas
- O Evento Perhappiness (1999 e 2.000)
Entre inúmeras outras atividades e atrações, o evento contou com a exibição de 10 clipoemas cedidos por Júlio Plaza, em sua maioria, produzidos por Ricardo Araújo:
1) BOMBA, de Augusto de Campos;
2) SOS, de de Augusto de Campos;
3) PARAFÍSICA, de Haroldo de Campos;
4) FEMME , de Décio Pignatari;
5) DENTRO, de Arnaldo Antunes ;
6) O ARCO-ÌRIS NO AR CURVO, de Júlio Plaza;
7) ABRE E FECHA , de Augusto de Campos e Júlio Plaza;
8) VAGALUME, de Alice Ruiz e Júlio Plaza;
9 ) SLOW SCAN SKY ART, de Júlio Plaza;
10)COR/LUZ/MENTE, de Júlio Plaza.
• O Concurso Nacional de Clipoemas (2001-2002)
A Fundação Cultural de Curitiba promoveu, em 2001 o 1º. Concurso Nacional de Clipoemas, idealizado por Décio Pignatari, com a assessoria de Rosana Albuquerque e equipe. Trata-se de um momento paradigmático no percurso das poéticas tecnológicas que estavam em desenvolvimento no Brasil. Na ocasião, o público curitibano, já apresentado aos clipoemas desde 1994, teve acesso a uma amostra do que se tem feito e uma percepção do que é possível realizar em termos de poesia multimídia. No Cine RITZ, a cada noite eram apresentados 3 clipoemas, dentre os 14 finalistas. Cada apresentação era seguida por uma mesa–redonda
composta por diretores de cinema, videomakers e especialistas na área, que teciam considerações sobre as obras em questão. A sessão encerrava-se com um debate entre os integrantes da mesa e o público. No último dia, houve a apresentação e premiação dos 3 clipoemas escolhidos pela Comissão Julgadora, no Teatro Paiol.
Na 2ª edição do Concurso, a sistemática foi a mesma. É possível notar um certo amadurecimento das propostas no conjunto dos trabalhos selecionados, que demonstram como este tipo singular de poesia tecnológica mescla linguagens de forma bastante competente e aponta para novos horizontes expressivos decorrentes da interface arte/ máquinas. No entanto, consideramos que os recursos utilizados são menos variados do que na primeira edição do Concurso e percebemos uma certa timidez na exploração inventiva das tecnologias, parecendo que ao artistas preferiram a segurança do uso das câmeras, sem maiores investimentos na ruptura das expectativas. Aprofundaremos a questão no capítulo VI deste trabalho, momento em que abordaremos detalhadamente as obras selecionadas para apresentação pública, bem como as premiadas nas duas edições do Concurso.
4.3. Exemplos mais recentes
Em 1997 na mostra Arte-Suporte-Computador (Casa das Rosas, São Paulo), Augusto de Campos expõe seus clipoemas digitais. O poeta explica, no texto de apresentação para aquele evento que as obras apresentadas são diálogos metalingüísticos, que remetem a autores que fazem parte de seu paideuma.
Alguns, que Campos chama de interpoemas, são interativos e outros não-interativos são por ele denominados animogramas e morfogramas. Segundo o autor,
“Os clipoemas são o produto de dois anos de experiências entre muitos tateios, curiosidades e descobertas”.(http.www.rhizome.org/object.br)
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Na seqüência, merece destaque a Mostra de Videopoesia 2.000,realizada no MIS, São Paulo, tendo a Curadoria de Enzo Minarelli e Philadelpho Menezes.
(http://www.videopoesia 2000.com. br) As obras expostas foram:
1. POÈME NUMERIQUES AKENATON. Haia, 1997, 4min., cor. Videopoesia produzida em computador com funções muitas vezes didáticas, exibe relações entre palavra e imagem.