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1.3 A IMPLANTAÇÃO DE INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO E GESTÃO

1.3.5 As Câmaras Técnicas

A existência de Câmaras Técnicas (CTs) para assessorar o CRH-RS estava prevista no seu Regimento Interno (artigos 15, 16, 17, 18, 19, 20 e 21), publicado no Diário Oficial de 14 de novembro de 2001. Em 2007, através da Resolução 36, o Conselho autorizou a criação destes organismos. A necessidade de aprimoramento das atividades, notadamente às relacionadas com a formulação

Capítulo 1 – O Sistema Estadual de Recursos Hídricos

das políticas para a gestão dos recursos hídricos do Estado, fez com que, naquele mesmo ano, fossem instituídas as CTs no âmbito do CRH (Resolução 43).

Assim as seguintes Câmaras Técnicas foram instituídas: Assuntos Institucionais e Jurídicos (CTIJ), a de Gestão da Região Hidrográfica do Guaíba (CTG), Gestão da Região Hidrográfica do Uruguai (CTU), Gestão da Região Hidrográfica das Bacias Litorâneas (CTL), Águas Subterrâneas (CTAS) e Programação e Orçamento e Acompanhamento de Projetos Fundo de Investimentos em Recursos Hídricos (CTPA).

Capítulo 2 – Metodologia

2 METODOLOGIA

A terceira edição do Relatório Anual sobre a Situação dos Recursos Hídricos do Rio Grande do Sul foi estruturada, basicamente, a partir da sistematização das informações constantes no acervo do DRH, no banco de dados da Divisão de Outorga e Fiscalização (DIOUT/DRH) e no Relatório Síntese da Fase A - Diagnóstico e Prognóstico Hídrico das Bacias Hidrográficas do Rio Grande do Sul, do Plano Estadual de Recursos Hídricos, realizado por Ecoplan Engenharia Ltda.

(2007). A maior parte da base cartográfica digital utilizada pertence ao DRH e tem como referência o Sistema de Coordenadas SAD 1969 - UTM - Zona 22S e a Projeção Transversa de Mercator.

Assim sendo, foram definidas as seguintes informações como as mais relevantes para compor o atual relatório:

1) Dados gerais das bacias: incluiu a localização geográfica, as províncias geomorfológicas abrangidas, principais corpos de água, área e demografia, as Unidades de Conservação (UCs) existentes e a situação no Sistema Estadual de Recursos Hídricos. Os corpos hídricos foram identificados a partir das Cartas Topográficas da Divisão do Serviço Geográfico do Exército, escala 1:50.000, tendo-se como critério a altitude mais elevada. Uma novidade nesta edição foi o ajuste feito em todas as áreas das bacias para adequar ao estabelecido pela Resolução no 05/2002 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isto foi realizado com base nos percentuais de áreas dos respectivos municípios que, total ou parcialmente, estão inseridos no âmbito de cada bacia hidrográfica. A população por bacia, de outra parte, foi estimada tendo como critérios a área municipal, a área urbana, a população rural e a população urbana de cada um dos 496 municípios do Estado. As informações sobre a ocorrência de Unidades de Conservação foram

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atualizadas a partir de BiodiversidadeRS (2008) e do Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC). Quanto às bacias que apresentam comitê instalado, a atualização das categorias de cada grupo, com o respectivo número de vagas, foi obtida junto à Secretaria-Executiva do Conselho de Recursos Hídricos (CRH). Os mapas das bacias hidrográficas foram elaborados na base digital 1:250.000. A hidrografia, cedida por Geofepam, foi obtida das Cartas da Divisão do Serviço Geográfico do Exército que datam das décadas de 1970 e 1980.

Assim, em algumas bacias se percebe a defasagem da informação com referência a condição atual. Isto é destacado nas bacias do Baixo Jacuí e do Rio Mampituba, por exemplo, nas quais a hidrografia apresenta lacunas.

2) Caracterização por município: compreendeu o percentual de área do município na bacia, os totais de população urbana e rural de cada município e as estimativas dos totais de população urbana e rural, por município, que estão inseridas na área da bacia, chegando-se, enfim, ao total de população estimada por bacia hidrográfica. Os cálculos foram feitos com base nas informações georreferenciadas dos limites e das manchas urbanas municipais e das bacias hidrográficas, escala 1:250.000. Os arquivos vetoriais dos limites municipais procedem da Divisão de Geografia e Cartografia da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, tendo sido cedidos pelo setor de Geoprocessamento da FEPAM (Geofepam). Estes arquivos juntamente com o das respectivas áreas urbanas foram sobrepostos aos das bacias hidrográficas, a fim de se estimar a população urbana e rural pertencente a cada bacia. Os dados populacionais foram obtidos do IBGE. Para os municípios com população menor que 100 mil habitantes, foram utilizados os dados da contagem populacional realizada em 2007. Para aqueles que apresentam um efetivo demográfico igual ou superior foram definidas as

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estimativas de população para 2007. Importante esclarecer que as estimativas disponibilizadas pelo IBGE referem-se somente à população total de cada município. Sendo assim, para os municípios com 100 mil habitantes ou mais foi mantida a mesma proporção entre população rural e urbana existente em 2000 (Censo Demográfico 2000). A população rural foi considerada como igualmente distribuída em todo o território municipal e agregada por bacia, com base na proporção de área inserida na bacia. A população urbana, a seu turno, foi considerada como concentrada na sede municipal e distribuída nas bacias de acordo com a posição da sede. Assim, para sedes localizadas em divisores de água, a população urbana foi dividida proporcionalmente à parcela da área urbana inserida em cada bacia.

3) Disponibilidade hídrica: constou de dados de disponibilidade superficial e subterrânea. O cálculo da disponibilidade hídrica superficial foi obtido de Ecoplan Engenharia Ltda. (2007) e foi realizado a partir de um roteiro metodológico baseado na seleção de postos fluviométricos; na avaliação das suas séries históricas de vazões e na sua repartição por bacia hidrográfica; nos preenchimentos das falhas existentes, através de estudos anteriores, nas bacias sem dados; e na transferência das informações dos postos para a bacia, por meio do método da relação entre áreas ou vazão específica. Assim, para compor o presente relatório, foram selecionadas as vazões específicas (Qlp) e os valores da Curva de Permanência para 30%, 50%, 70%, 90%, 95% e 99% do tempo, em L/s/Km2, obtidos por este método para cada conjunto de bacias pertencentes às três regiões hidrográficas. É necessário enfatizar, no entanto, que estes dados foram produzidos a partir das áreas das bacias calculadas para uma escala 1:250.000. Estas informações diferem do dado oficial estabelecido pela Resolução 05/2002 do IBGE, que define as áreas estaduais e municipais no território nacional. Outra

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questão a ser esclarecida é quanto à área incorporada à Bacia Hidrográfica do Rio Tramandaí (aproximadamente 30 mil hectares).

Estes dados ainda ficaram inclusos na Bacia do Litoral Médio, uma vez que esta alteração foi ultimada após a elaboração do Relatório Síntese da Fase A do Plano Estadual. Mesmo assim, os dados são considerados úteis como uma estimativa da oferta de água superficial para as bacias hidrográficas gaúchas. Este item não foi gerado para as bacias do Litoral Médio e Mampituba, uma vez que não dispunham de dados de vazões específicas. Para a avaliação da disponibilidade hídrica subterrânea foram aproveitados os dados dos percentuais de ocorrência dos principais sistemas aqüíferos, as médias de vazão disponíveis (m³/h) e as reservas reguladoras (hm3/ano). Estes dados foram elaborados com base nas capacidades específicas dos referidos sistemas aqüíferos e estimativas das reservas reguladoras, obtidas por métodos hidrológicos.

As vazões, a seu turno, foram estimadas a partir da análise do banco de dados do SIAGAS/CPRM (ECOPLAN ENGENHARIA LTDA., 2007).

4) Demandas hídricas: compreendeu dados calculados para águas superficiais e subterrâneas para os usos: abastecimento humano e industrial, irrigação e dessedentação animal. A metodologia para o cálculo das demandas hídricas para abastecimento humano, descrita por Ecoplan Engenharia Ltda. (op. cit.), considerou as populações urbanas e rurais residentes nas bacias, de acordo com as estimativas municipais do IBGE para o ano de 2006, as demandas hídricas per capita variaram de 125 a 250 L/hab/dia, de acordo com o porte populacional urbano e 125 L/hab/dia no caso do abastecimento rural. A demanda hídrica para irrigação de arroz levou em conta as áreas cultivadas referentes à safra 2004/2005, nas bacias, conforme levantamento municipal do IRGA e demanda hídrica por unidade de área irrigada de 12.000 m3/ha/safra.

Quanto às demandas hídricas para criação animal, o mencionado estudo

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considerou os dados da Pesquisa Pecuária Municipal de 2004, referentes aos principais rebanhos (bovino, suíno, eqüino, ovino e aves), bem como as demandas unitárias por tipo de rebanho, obtidas da literatura. Para a estimativa da demanda hídrica industrial, o método adotado consistiu em identificar o número de indústrias por município constantes em FEPAM (2003 apud ECOPLAN ENGENHARIA LTDA., 2007). Estes dados, originalmente gerados em m3/s, foram transformados em hm3/ano, a fim de se apreciar a magnitude dos volumes demandados em cada bacia.

5) Potencial poluidor: a avaliação do potencial poluidor em cada bacia foi também obtido de Ecoplan Engenharia Ltda. (2007) através dos dados de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) remanescente. No trabalho em foco, a DBO de origem doméstica foi calculada a partir dos dados de população por município e dos respectivos sistemas de esgotamento sanitário, sendo posteriormente agrupados por bacias hidrográficas. A metodologia de cálculo utilizada foi fundamentada no estudo “Atualização do Diagnóstico da Região Hidrográfica do Guaíba” (Pró-Guaíba – SEMA, 2003). A estimativa das cargas orgânicas oriundas da atividade industrial foi feita com base no estudo “Diagnóstico da Poluição Hídrica Industrial na Região Hidrográfica do Guaíba”, realizado por FEPAM (2001 apud ECOPLAN ENGENHARIA LTDA., 2007). As cargas de DBO foram atualizadas para o ano de 2004, em cada município, através da aplicação da taxa de crescimento do Valor Adicionado Bruto do setor industrial do Rio Grande do Sul, entre 2000 e 2004. A determinação das cargas de DBO pertinentes à suinocultura foi realizada com base na estimativa da população de suínos por bacia hidrográfica e na quantificação da DBO gerada nesta atividade. Os dados foram obtidos da Pesquisa Pecuária Municipal (2004 apud ECOPLAN ENGENHARIA LTDA., 2007). Para tanto, foi adotada a produção média de dejetos por

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animal de 8,6 L/dia sugeridos por EMBRAPA e EMATER (1998 apud ECOPLAN ENGENHARIA LTDA., 2007). Foi ainda adotado um valor único de DBO por litro de dejeto de 21.000 mg/L também obtido da fonte citada.

6) Espacialização consumos hídricos e DBO: para se visualizar no âmbito do território rio-grandense a expressão dos consumos hídricos estimados, foram elaborados mapas que ilustram a importância, em percentual, de cada consumo (irrigação, abastecimento público, abastecimento industrial e dessedentação animal) entre os demais consumos, por bacia hidrográfica. Estes mapas foram gerados no programa ArcView. Também foram elaborados mapas que espacializam o percentual de cada consumo, em relação ao seu total estimado em hm3/ano, para o Estado. Para tanto, foi utilizada a ferramenta normalized – percentual of total, do referido programa.

7) Controle hídrico em eventos críticos: avaliado para as bacias dos rios Gravataí, dos Sinos e Santa Maria, a partir das Resoluções emitidas pelo CRH e dos níveis de água fornecidos pela Companhia Riograndense de Saneamento (CORSAN). Com os dados existentes foram gerados gráficos que ilustram a variabilidade temporal nos níveis de água nas estações monitoradas.

É preciso salientar que tanto os dados de disponibilidade quanto os de demandas hídricas foram estimados a partir de dados existentes ou de referencial teórico encontrado na literatura. Isto significa que, naquelas bacias hidrográficas carentes de estudos e de informações hidrometeorológicas consistentes, as informações geradas são uma aproximação da realidade.

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