Conforme já disposto, entende-se que os principais componentes de uma estratégia governamental sejam: (1) prevenção, detecção
precoce e resposta rápida; (2) mitigação e monitoramento; (3) informação e sensibilização
pública; (4) base legal e estrutura institucional; e (5) capacitação técnica.
Prevenção, detecção precoce e resposta rápida
As ações para prevenção devem ser planejadas de maneira a contemplar fiscalização e controle em áreas de fronteiras (aviões, navios, carregamentos, trânsito através de fronteiras secas, entre outros), com sistemas efetivos de inspeção contra introduções acidentais e ilegais; análise de risco e estratégias de controle e monitoramento para introduções e cultivos legais; e medidas preventivas traduzidas em práticas de manejo de espécies exóticas invasoras utilizadas em sistemas de cultivo.
A operacionalização desses componentes visa impedir introduções ilegais de espécies, escape de cultivos e processos de invasão a partir de introduções legais. Caso ocorra a introdução de espécies indesejadas, é importante utilizar sistemas de detecção precoce para viabilizar sua eliminação imediata no momento em que ainda existe maior viabilidade e menor custo.
Mitigação e monitoramento
Mitigação e monitoramento referem-se aos métodos e às ações de erradicação, contenção ou controle de espécies exóticas invasoras que já estão estabelecidas num determinado território. As técnicas aplicadas devem ser seguras para os seres humanos, o meio ambiente e a agricultura, bem como aceitáveis eticamente pelos interessados nas áreas afetadas.
Deve-se, prioritariamente, avaliar a
possibilidade de erradicação das espécies exóticas invasoras. Quando essa opção não for exequível, devem-se adotar técnicas de contenção (limitação da propagação) e/ou
controle (redução dos danos e do número de populações e espécies).
Um programa oficial de controle deve aplicar-se principalmente às áreas públicas (Unidades de Conservação, por exemplo) e por meio de parcerias com o setor privado e de marcos legais específicos. Deve cobrir também propriedades particulares em áreas de alta relevância e
prioritárias para a conservação da
biodiversidade e de serviços ecossistêmicos. Deve ainda estimular a implementação de ações de controle e manejo por meio de campanhas públicas, provendo informações, subsídios e extensão rural para o controle de espécies exóticas invasoras, e monitorar as populações de espécies exóticas invasoras, com avaliação permanente dos resultados das ações e, quando necessário, com propostas de ajustes ao manejo empregado.
Informação e sensibilização pública
Uma parte importante da prevenção à introdução de espécies exóticas invasoras está na educação, informação e sensibilização pública. A maioria das pessoas não tem conhecimento sobre quais são as espécies exóticas invasoras e os impactos causados em processos de invasões biológicas. A falta de conhecimento sobre o tema faz com que,
frequentemente, pessoas contribuam
involuntariamente para a dispersão dessas espécies por meio de práticas cotidianas, como a jardinagem e a soltura de animais domésticos em áreas naturais. O próprio Poder Público tem suas dificuldades com os animais recolhidos em centros de triagem ou com iniciativas de restauração ou reposição de peixes em rios com espécies totalmente inadequadas, de forma que o tema precisa ser mais bem-posto publicamente.
O entendimento da sociedade sobre a diferenciação entre espécies exóticas invasoras e espécies nativas, assim como sobre o potencial de utilização das nativas, é fundamental para que atividades de prevenção e controle possam prosperar em todos os níveis.
Assim, recomenda-se, por exemplo,
incorporar o tema invasões biológicas nos currículos escolares e profissionais, bem como informar o público em geral sobre a temática relativa às espécies exóticas invasoras, o que são e quais os problemas e impactos causados ao ambiente, à saúde humana e animal e à economia e de que forma as pessoas podem contribuir para a mitigação dos problemas e tópicos decorrentes. São indicados, também, a realização de campanhas na mídia, o apoio a publicação de livros, folhetos e cartilhas e o
incentivo à geração e divulgação de
conhecimento científico no tema. Esse último ponto é especialmente importante para a contínua atualização do sistema de informação sobre espécies exóticas invasoras no Brasil.
Base legal e estrutura institucional
Além da Estratégia Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras (Resolução Conabio nº 5, de 21 de outubro de 2009), já existem, na legislação federal brasileira, instrumentos referentes a espécies exóticas, tais como a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Lei nº 9.985/00) e a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), que devem ser usadas como referência para o trabalho na esfera estadual (Anexo 1).
A elaboração de marcos legais estaduais se faz necessária para regulamentar questões específicas, como, por exemplo, questões técnicas e sanções administrativas para o cultivo e a criação de espécies exóticas invasoras; para projetos de restauração e recuperação de áreas degradadas e reservas legais; para controle em Unidades de Conservação; e para o uso de espécies em zonas de amortecimento em Unidades de Conservação de uso sustentável, entre outros fins. Exemplos de instrumentos legais já criados por estados como o Paraná e o Espírito Santo estão disponíveis como referência no Anexo 1.
Muito relevante é a delegação de autoridade a agências ambientais que vão tratar das questões relacionadas a espécies exóticas invasoras e a criação de base legal para respaldar o trabalho, assim como o compromisso institucional formal com o tema. Essa estrutura institucional precisa ser reforçada com capacitação técnica para que as ações possam ser implementadas.
Capacitação técnica
Os esforços de capacitação devem estar direcionados aos distintos públicos que necessitam melhorar sua capacidade técnica no tema invasões biológicas, como gerentes de
Unidades de Conservação, agentes de
fiscalização, agentes de inspeção de fronteiras (nacionais e internacionais), portos e aeroportos, representantes do Ministério Público, comitês técnicos atuando em temas de biodiversidade, professores de todos os níveis, organizações não governamentais, profissionais de instituições de