2.3 Contabilidade de Custos
2.3.3 Os Componentes Fixos do Custo no Comércio
Custos fixos do comércio são todos aqueles que são necessários para o funcionamento da empresa, como despesas operacionais, administrativas, depreciação e custo com pessoal.
2.3.3.1 Despesas Operacionais
Despesas Operacionais, como o próprio nome diz, são aquelas que ocorrem em função da manutenção operacional, ou seja, elas existem em função da atividade fim da empresa.
Segundo Bertó e Beulke (2006) as despesas que incorrem direta ou indiretamente para sustentar a estrutura e realizar as operações para alcançar o objetivo da empresa, são classificadas como despesas operacionais.
Assim, no comércio, podem ser classificadas como despesas operacionais todas as despesas que ocorrem em função da compra e venda de mercadoria que é o objetivo de uma empresa comercial.
2.3.3.2 Despesas Administrativas
As despesas administrativas se relacionam diretamente com a gestão das atividades de uma empresa.
Para Bomfime Passarelli (2008) as despesas administrativas “decorrem do esforço desenvolvido pela empresa no sentido de cumprir eficazmente as suas funções administrativas de planejamento, organização e controle”. Segundo os autores, são despesas que decorrem da administração da empresa e não estão relacionados com a aquisição das mercadorias, como por exemplo: aluguéis, honorários dos diretores, salários do pessoal da administração, material de escritório, etc.
Logo, as despesas administrativas não ocorrem em função da atividade fim da empresa, mas sim para a sua administração.
2.3.3.3 Depreciação
A depreciação está relacionada com o Ativo Imobilizado de uma empresa. Representa o seu consumo e desgaste gerado com o uso ao longo do tempo.
De acordo com Koliver (2010, p. 162) “A depreciação representa, em termos econômicos, a perda de valor dos bens materiais integrantes do ativo imobilizado de uma entidade”.
Padoveze (2003, p. 138) relata que:
A depreciação representa a perda de valor dos bens – perda considerada como uma despesa ou um custo contábil. Em função disso, ela deve fazer parte dos conceitos da formação dos produtos para a formação de preço de venda, como um instrumento de recuperação dos investimentos nos ativos imobilizados operacionais.
De acordo com o item 57 do pronunciamento técnico 27 do CPC (2009, p. 13):
A vida útil de um ativo é definida em termos da utilidade esperada do ativo para a entidade. A política de gestão de ativos da entidade pode considerar a alienação de ativos após um período determinado ou após o consumo de uma proporção específica de benefícios econômicos futuros incorporados no ativo. Por isso, a vida útil de um ativo pode ser menor do que a sua vida econômica. A estimativa da vida útil do ativo é uma questão de julgamento baseado na experiência da entidade com ativos semelhantes.
Segundo o pronunciamento técnico 27 do CPC (2009), o método de depreciação deve refletir o valor consumido pela entidade e deve ser revisado pelo menos ao final de cada exercício, devendo ser alterado quando houver alteração significativa. Dentre os métodos de depreciação temos o linear, saldo decrescentes, unidades produzidas. A entidade deve selecionar o método que melhor refletir o padrão de consumo dos benefícios econômicos futuros.
Na maioria das empresas, as taxas de depreciação utilizadas são as fixadas pela Rceita Federal, conforme quadro a seguir:
Quadro 2: Taxa anual e vida útil estimada para a depreciação
Espécie de Bens Taxa anual Vida útil estimada
Edifícios 4% 25 anos
Máquinas e Equipamentos 10% 10 anos
Instalações 10% 10 anos
Móveis e Utensílios 10% 10 anos
Veículos 20% 05 anos
Sistema de proc. de dados 20% 05 anos
Fonte: Adaptado a partir do Livro de Manual da Contabilidade Societária (IUDÍCIBUS et al, 2010, p. 247).
A depreciação se inicia quando o bem é posto em uso na empresa e deve representar seu desgaste no período de uso. Assim, a depreciação reconhece a desvalorização do ativo imobilizado de uma empresa.
2.3.3.4 Custos com Pessoal
Os custos com pessoal são aqueles relativos ao salários e encargos do elemento humano utilizado na produção de bens e serviços. Além do salário e encargos, deve-se somar todas as vantagens oferecidas ao empregado no custo com pessoal.
De acordo com Vieira (2010) a mão-de-obra é o valor gasto com as horas de elemento humano utilizados no processo de produção, podendo a mão-de-obra ser classificada como direta e indireta. Para obter o valor do custo com pessoal é preciso calcular qual o valor a ser atribuído por hora de trabalho, considerando todos os direitos do funcionário.
Padoveze (2003) afirma que além do salário, integram o custo com mão-de-obra, todos os encargos para manter os recursos humanos na empresa, desde que sejam encargos obrigatórios ou de acesso a todos os funcionários da empresa.
Para Vieira (2010) o valor do custo com pessoal é obtido somando-se ao salário base todos os adicionais, a insalubridade ou periculosidade, obtendo-se um subtotal. Ao subtotal são somados a provisão do 13º salário, a provisão de férias e a provisão de 1/3 sobre as férias, obtendo-se outro subtotal. Desse subtotal são somados o FGTS, INSS, Previsões e outros. Assim obtém-se o total de custo com mão-de-obra.
Assim, deve-se considerar diversos fatores no cálculo do custo com mão-de-obra. Além do salário, integram o custo todos os encargos sociais e demais adicionais auferidos pelo empregado pelo contrato de trabalho.
2.3.3.5 O Sistema de Custeio Variável Aplicado no Comércio
Segundo Padoveze (2003) os sistemas de custeio são os critérios, sistemas ou instrumentos utilizados para registrar e acumular os registros das informações referente a produção na empresa.
Vieira (2010, p. 7) relata que:
Custeio é o método para apropriação dos custos. Método significa a maneira pelo qual se chega a um determinado resultado. Sendo assim, a Contabilidade de Custos se utiliza de diferentes métodos de custeio para apropriar seus custos, conforme a necessidade e os objetivos de cada usuário. Podemos citar, como exemplo, o Custeio por Absorção, Variável ou Direto, ABC, RKW e o Custeio Padrão. Neste estudo, vamos abordar o Custeio por Absorção e o Custeio Variável ou direto.
Segundo Crepaldi (2008) o custeio variável ou direto é o custeamento que considera como custo de produção apenas os custos variáveis incorridos, não considerando os custos fixos, pois os mesmos existem sem haver produção, sendo tratados, portanto, como despesas e encerrados diretamente contra o resultado do período.
Leone (2000) descreve que o custeio variável considera apenas os custos variáveis dos produtos vendidos, o que possibilita calcular a margem de contribuição e por isso é um custeio muito utilizado para pó gerenciamento.
O custeio variável não é aceito pela legislação brasileira pelo fato de alocar todos os custos fixos como despesas no período em que incorrem. Assim, quando o volume produzido não for igual ao volume vendido o resultado do exercício é distorcido. Porém, para fins gerenciais, é um método muito utilizado, pois a partir dele obtém-se a margem de contribuição, o que permite e viabilizada o gerenciamento e a tomada de decisão.