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4. OS CONCURSOS DE ARQUITETURA NO CEARÁ: ENTRE

4.1. OS CONCURSOS CONSTRUÍDOS

Após a vitória no concurso, o escritório do arquiteto Neudson Braga foi contratado para o desenvolvimento e detalhamento da proposta. O projeto foi pensado, conforme o edital, para ser construído em duas etapas distintas. A primeira seria o embasamento para o funcionamento prioritário da agência e posteriormente seria construída a torre administrativa, entretanto o projeto foi construído, mas parcialmente.. Mesmo o concurso resultando na construção do edifício, a segunda etapa teria uma importância simbólica para a sede do BEC como pode ser observado na Figura 45.

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Construído Construído / Parcial Em construção Contratado e não construído Não construído

Figura 45 - Banco do Estado do Ceará comparando a ilustração apresentada na prancha do concurso e uma foto do edifício quando construído parcialmente. Fonte: Acervo pessoal do arquiteto Neudson Braga

Conforme consta no memorial descritivo do projeto apresentado na primeira prancha do concurso, o código de obras previa a construção de doze pavimentos e até 40 metros de gabarito, com taxa de ocupação de 70%. A solução proposta previa a divisão em dois blocos, sendo o primeiro horizontal localizado nos limites o lote e o segundo vertical, recuando frontalmente e lançando mão de uma lâmina mais alta que o gabarito permitido e compensando com uma taxa de ocupação de 42%. Tal decisão, se justifica, em nome da sua função “plástica e representativa (...) que não impediria de confundir a sede do Banco do Estado do Ceará com outros edifícios comerciais” (BRAGA, 1969), confirmando a importância da dimensão simbólica do projeto.

No Código Urbano de 1962 em Fortaleza, a legislação preconizava que a altura das edificações não ultrapassassem a largura do logradouro, o gabarito não poderia ser maior que três pavimentos, com exceção da área central da cidade onde era permitido o gabarito de 12 pavimentos com a última laje de teto a 40 metros acima do nível do passeio. A mudança desta legislação urbana iniciou em 1965 com a criação de uma comissão de estudos para o anteprojeto de modificações do Código Urbano e Zoneamento da Cidade, mas que só veio entrar em vigor na Lei de

Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo de 1975, onde já se permitia ultrapassar o dezesseis pavimentos com a condição de acrescentar 0,30 metros por pavimento em todos os recuos.

O projeto, ao questionar a legislação urbana a favor de um projeto com uma menor ocupação do lote em função de um gabarito maior, respeitando a área máxima construída, reforça que o concurso e a arquitetura são instrumentos urbanísticos de debate da cidade. Essa é a contribuição deste certame para o aprimoramento do exercício da arquitetura na sua relação com o espaço urbano.

A contribuição para o aperfeiçoamento do processo também está pautada na proposta arquitetônica que desafiava a legislação. O resultado, mesmo questionado pelos outros participantes, afinal o projeto não atendia à legislação urbana da cidade, foi mantido pela Instituição Promotora (o BEC) em função da qualidade arquitetônica. Com isso entra o questionamento de que uma decisão arquitetônica prevaleceu sobre as normas urbanas e do próprio concurso, deixando o julgamento mais subjetivo com a escolha menos pautada nas normas do certame e mais baseada na análise da comissão. Essa questão é agravada quando diante da desenvolvimento e construção do edifício, a parte que transgredia a legislação não chegou a ser construída. Com isso, este concurso contribuiu ao alertar que o julgamento deve respeitar o Edital para que o processo continue sendo democrático e justo.

Sede Incra (1972)

O projeto foi construído, em 1974, em um terreno triangular na esquina da Avenida José Bastos com a Rua Monsenhor Furtado possibilita dois acessos ao lote. Sua grande entrada distribui os fluxos de carro e pedestres em níveis diferentes além de interligar as duas vias. O edifício possui uma planta racional e flexível, centralizando a circulação vertical, colocando a circulação nas varandas protegidas e os serviços concentrados nas extremidades norte e sul. (PONCE DE LEON, NEVES, LIMA NETO, 1982)

Figura 46 - Plantas da Sede do Incra no Ceará. Fonte: Cadernos Brasileiros de Arquitetura: Panorama Cearense de Arquitetura Vol. II

A principal contribuição deste concurso para o aprimoramento do exercício da Arquitetura está na solução espacial do segundo e terceiro pavimento junto com a proteção solar do edifício. A planta dos dois últimos pavimentos apresenta uma solução extremamente racional e que permite a flexibilidade das alterações de serviços ao logo do tempo. A solução de proteção solar nas fachadas leste e oeste é uma combinação de brises verticais e uma marquise, ambos de concreto, que com o auxílio de uma circulação horizontal externa resguardam o ambiente de trabalho climatizado. As propostas apresentadas configuram a contribuição arquitetônica desse concurso ao permitir que o prédio permaneça preservado ao longo do tempo e dando um bom exemplo que como fazer um projeto adequado ao clima de Fortaleza.

Figura 47 - Fachada leste com os brises em concreto. Fonte: Acervo do Laboratório de Crítica em Arquitetura, Urbanismo e Urbanização da UFC - LoCAU

A contribuição para o aperfeiçoamento da organização dos concursos nos seus aspectos institucionais e normativos está relacionada com o caráter democrático destes eventos, pois foi um certame que deu a oportunidade para que arquitetos recém egressos da UFC estivessem envolvidos em um projeto de relevância federal. Por isso, os concursos devem ser mecanismos de contratação onde todos os profissionais terão as mesmas oportunidades e chances no que depende as instituições promotoras.

Concurso Sede da Direção Geral do BNB (1977)

O concurso para a sede do BNB foi realizado e após o resultado a equipe vencedora foi contratada pelo banco para o desenvolvimento do projeto. Cabe relembrar que durante o certame um dos competidores entregou uma carta manifesto ficando de fora da exposição, por parte do banco, dos projetos da competição. O projeto contratado acabou sendo alterado de acordo com novas condições por parte do contratante.

Sobre a contratação e as alterações um dos autores do projeto, o arquiteto Antonio Campelo Costa, afirma:

Fomos contratados para o desenvolvimento do projeto e na execução da obra a equipe também se responsabilizou pela a compatibilização dos projetos complementares e o acompanhamento da obra. Esclarecemos que a Direção do BNB por razões administrativas resolveu unilateralmente reduzir o número de pavimentos do projeto inicial, sem prejuízo do resultado final da obra. (COSTA, 2013, apud SUZUKI, 2016)

Ao afirmar que a alteração dos pavimentos não comprometeu o resultado final, Costa (2013, apud SUZUKI, 2016) destaca a contribuição à Arquitetura por parte deste projeto. O sistema modulado de blocos de pavimentos, como pode ser observado na Figura 48, é o elemento base do edifício e que se repete formando uma fachada uniforme sem a percepção clara dos pavimentos dentro desses blocos. A redução alterou o porte do edifício significativamente, que inicialmente seria mais vertical com sete módulos ao invés dos três construídos, mas preservou o partido e os elementos construtivos.

Figura 48 - Imagem comparativa entre o corte transversal e maquete do projeto original e o edifício construído. Fonte: Panorama da Arquitetura Cearense – Cadernos Brasileiros de Arquitetura. Vol.1 e 2 e Acervo do Laboratório de Crítica em Arquitetura, Urbanismo e Urbanização da UFC - LoCAU

São duas as contribuições para o processo de organização e normatização dos concursos por parte deste evento. A primeira é a demonstração que os concursos não necessitam ser organizados pelos IABs, mesmo que eles por tradição sejam a principal entidade sobre o assunto, e podem ser

realizados por gestores independentes desde que preservem um processo democrático e transparente. Neste caso o concurso foi organizado pelo próprio Banco do Nordeste A segunda contribuição é ao fato de a carta manifesto apresentada por um dos concorrentes não ser exposta junto aos outros projetos apresentados, afinal o conhecimento público documento é importante diante do debate do ambiente construído proporcionado pelo concurso tanto quando os projetos.

Sede Social da Associação dos Funcionários da Petrobrás (1984)

O processo de contratação se deu de como o esperado, pois a entidade possuía certa independência e pretendia construir o edifício. O arquiteto Mário Roque50 afirma que não houve problemas durante a contratação e

desenvolvimento, e como na época os arquitetos51 eram bem jovens, essa

vitória foi muito positiva para eles.

Figura 49 - Pavilhões e área de lazer infantil do Clube de Funcionários da Petrobrás. Fonte: Revista Projeto, n. 144, ano 1988.

O projeto não sofreu modificações no seu processo de desenvolvimento desde o concurso, mas ao longo do tempo passou por pequenas reformas

50 Entrevista concedida pelo arquiteto Mário Guerra Roque ao autor no dia 09/10/2019 51 Os arquitetos Mário Roque e Jayme Leitão, autores do projeto.

e manutenções que mudaram algumas poucas coisas, mas segundo o arquiteto52 essas alterações não prejudicam a obra como um todo.

A contribuição para o aprimoramento do exercício da arquitetura está na solução adotada que consiste em pavilhões com uma coberta com a estrutura em treliça espacial com perfil metálico de seção “L”. Esta solução, pouco usual na cidade, de acordo com um dos autores53,

proporciona uma estrutura mais simples e mais barata do que a opção por perfis de seção circular.

No aperfeiçoamento da organização dos concursos nos seus aspectos institucionais e normativos, a contribuição deste certame está na inciativa de uma associação de direito privado, que não tinha obrigação de realizar um concurso, mas buscou a orientação do IAB-CE, mesmo o Instituto não participando da organização. É importante também destacar o comprometimento da associação de não descaracterizar o projeto entre o concurso e o desenvolvimento.

Nova Unidade de Emergência do HGF (1986)

O projeto foi contratado, mas passou por um incremento no programa de necessidades, embora não tenha sido ratificado o valor dos honorários. Segundo Pessoa (2013, apud SUZUKI, 2016), a equipe de supervisão do INAMPS junto dos arquitetos reviram os setores, áreas e equipamentos, provocando uma mudança de mais de 1.000 m² no projeto. Mesmo com solicitação dos projetistas para correção do preço do serviço, o contratante não fez esse reajuste. Essa divergência entre o que foi solicitado no concurso e realizado está diretamente relacionado à uma possível pressa dos proponentes do certame.

A contribuição para o aprimoramento do exercício da arquitetura está na construção de um equipamento público importante para o Ceará. Apresenta uma linguagem modernista íntegra com destaque para a proteção solar das esquadrias. O projeto apresenta brises verticais fixos

52 Entrevista concedida pelo arquiteto Mário Guerra Roque ao autor no dia 09/10/2019 53 Idem.

que protegem as fachadas norte e sul reforçando a importância de projetos adequados climaticamente aos seus contextos, como forma de garantir o melhor conforto aos usuários e um menor consumo energético do edifício.

A situação aqui apresentada sobre o processo de contratação e a ampliação do programa de necessidades sem o ajuste de remuneração é um prejuízo ao processo e a credibilidade destes eventos. Sua contribuição ao aperfeiçoamento dos aspectos institucionais e normativos da organização de concursos está no exemplo a não ser repetido. Ao realizar um certame, a Instituição Promotora lança um edital que é balizador da contratação, no momento que se amplia o escopo do trabalho e não são renegociados os honorários, há uma exploração do acordo pré-estabelecido a partir do resultado do concurso.

TRT-CE em Fortaleza (1993)

O projeto foi contratado sem muitas complicações. De acordo com Muratori54 houve apenas um inconveniente neste processo, pois como a

inscrição pra participação foi através de pessoa física, não foi possível mudar para pessoa jurídica no momento do fechamento do contrato, acarretando uma alta tributação nos honorários. O edifício foi construído em duas etapas, a primeira entre os anos de 1994 e 1996, e a segunda de forma sequencial entre 1996 e 1998. O principal desafio da segunda etapa foi construir a torre interferindo o mínimo possível no funcionamento da base, além de organizar o canteiro de obra na laje de cobertura da mesma. A contribuição para o debate do exercício da arquitetura está na realização do edifício em duas etapas acima citada. Esse hiato de dois anos não foi programado e segundo o autor55 do projeto a execução da segunda etapa,

o volume da torre, não foi satisfatória e apresenta erros, como a falta de chapim na parte curva da torre que permite que a água escorra sujando as fachadas.

54 Entrevista concedida pelo arquiteto Ricardo Muratori ao autor no dia 21/09/2018. 55 Idem.

Figura 50 - Desenho da Fachada Sul do Anexo II do TRT-CE. Fonte: Arquivo do TRT- CE

As contribuições deste concurso no aprimoramento da organização deste evento são divididas em dois pontos. O primeiro é o compartilhamento público dos projeto participantes que foi realizado através de uma exposição organizada pelo IAB-CE no edifício existente do TRT-CE. O compartilhamento dos projetos participantes de um concurso amplia o debate arquitetônico para o público em geral ao invés de ficar apenas entre os concorrentes e a comissão julgadora. O segundo ponto se refere à contratação de pessoa física ao invés de pessoa jurídica. Esse tipo de contratação tem uma interpretação dúbia, pois por um lado permite a participação de profissionais autônomos, mas para a instituição promotora há um custo elevado nesse tipo de contratação em função da carga tributária, que pode refletir em uma baixa remuneração do projeto contratado.

Urbanização da Margem Esquerda do Rio Acaraú – Sobral (2000)

Com a realização do concurso no ano 2000, o projeto foi contratado e a sua construção foi finalizada no ano de 2004. Pode-se considerar que o

certame foi eficiente, pois ao que tudo indica o processo de contratação, desenvolvimento e construção transcorreu dentro do previsto. Aqui cabe destacar que concurso e execução ocorreram dentro de gestões diferentes de um mesmo prefeito, Cid Gomes, garantindo assim uma maior possibilidade na eficiência da seleção. No entanto, o aprimoramento deste processo e a garantia de construção de projetos públicos e privados selecionados por concursos deveriam estar menos dependentes das decisões dos gestores e mais por questões técnicas e do interesse público. A contribuição do concurso para a arquitetura, e urbanismo, está possibilidade de reconectar o lazer da população de Sobral com o Rio. O projeto se encontra em no entorno do Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Sobral, tombado pelo IPHAN em 1999, um ano antes do certame, e garante uma não interferência à esse conjunto e permite a sua contemplação. Convém evidenciar que o projeto apresenta áreas muito amplas que não possuem nenhum tipo de sombreamento arbóreo, não sendo adequado para o clima quente e seco encontrado no interior do Ceará.

Figura 51 - Urbanização da margem do Rio Acaraú e Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Sobral. Fonte: Acervo do IPHAN

A contribuição deste certame para o aperfeiçoamento da organização dos concursos nos seus aspectos institucionais e normativos está em um exemplo a ser evitado em relação ao julgamento e ao anonimato do participantes. Como citado no capítulo anterior, a partir do momento em que a comissão é composta por apenas arquitetos locais, a segunda etapa não anônima e o vínculo de trabalhos anteriores do arquiteto vencedor com membros da comissão abrem margem para o questionamento de se o processo de seleção foi de fato justo e democrático.

Mercado de Sobral (2003)

O concurso para o Mercado foi na mesma gestão do concurso da margem do Rio Acaraú e que ambos foram eficientes ao realizar a construção do projeto vencedor. Cabe ainda destacar que os dois foram construídos fora de Fortaleza. O projeto congrega o uso público e privado de mercado em dois pavimentos que são conectados por uma rampa de inclinação suave e que permite o uso dos comerciantes, proporcionando uma relação de serviço entre os dois pisos.

Figura 52 - Mercado de Sobral: fachada principal e pátio rampado central Fonte: Acervo profissional do Arquiteto Ricardo Muratori.

O mercado contribuiu para o aprimoramento do exercício da arquitetura ao apresentar uma solução que combina área de quiosques e circulação vertical garantindo ampla acessibilidade ao equipamento. O projeto ilustra que a acessibilidade pensada desde o início do processo toma partido na solução e não aparece como um aplique ao edifício. Cabe apontar que o projeto combina uma planta funcional e fachadas com diversidade plástica, garantida pelo eixo central de estrutura que sustenta a coberta liberando as faces de qualquer interferência.

Quanto à contribuição nos aspectos institucionais da organização dos concursos pode-se destacar dois pontos. O primeiro é com relação a baixa participação dos arquitetos, que compromete a realização de novos eventos, pois existe um investimento financeiro da Instituição Promotora e da Organização onde parte desse investimento é retornado através das inscrições. A partir do momento que não há inscritos suficientes, o processo de concurso se apresenta financeiramente desinteressante e os poucos concursos realizados no estado podem ficar mais escassos. É importante apresentar o episódio relatado pelo arquiteto vencedor que o prefeito não havia ficado satisfeito com o resultado mas que a comissão defendeu a avaliação dos projetos convencendo-o a manter a decisão apresentada em Ata.

Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte - CUCA de Fortaleza (2005)

Mesmo o projeto chegando a ser construído e comprovada a eficiência do certame, o processo de contratação contou com algumas adversidades, pois o contrato não era claro com relação ao objeto, como a falta de projeto de paisagismo, climatização e acompanhamento de obra. No caso dos dois projetos complementares foi necessário fazer um novo contrato, enquanto o acompanhamento ficou a sob a responsabilidade do contratante. Sobre este último item, Suzuki (2016, p. 230) afirma que:

“Mesmo a obra contando com a fiscalização da Prefeitura, e em constante contato com os arquitetos responsáveis pelo projeto, o projeto foi executado com diversas alterações que resultaram em um prejuízo da arquitetura final.”

Cabe destacar a contribuição social do concurso e do edifício, que foi implantado em uma área periférica de Fortaleza e serviu de modelo para outros equipamentos culturais construídos na cidade pela Prefeitura.

Figura 53 - Vista aérea do CUCA da Barra junto ao Rio Ceará.

Fonte: http://suzukiarquitetura.wixsite.com/suzukiarquitetura/institucionais/. Acesso: 16/06/2018.

O maior problema foi durante a execução da obra. Como toda obra pública, a contratação da construtora/empreiteira por processo de licitação pelo menor preço, traz problemas de qualidade nos recursos humanos, construtivos e materiais. Como salientei sobre o escopo dos serviços, não foi previsto o nosso acompanhamento e assessoramento técnico durante a obra. Pelo que me lembro fomos solicitados para visitar a obra em duas oportunidades, para elucidações de dúvidas. Mas como a prefeitura tinha limitações de recursos fomos consultados por mensagens e telefonemas para os

esclarecimentos. Por mais detalhado que foram realizados os projetos, verificamos a dificuldade dos executores na leitura e compreensão dos detalhes arquitetônicos e complementares. É claro, também não somos perfeitos, mas foi uma construção coletiva e com boas intenções, face a todas as dificuldades, principalmente técnicas e financeiras. (Eduardo Suzuki – Informação pessoa56l)

A contribuição para o exercício da arquitetura observado neste concursos está nos meios de preservação do patrimônio arquitetônico moderno do Ceará, pois o projeto do CUCA de Fortaleza no antigo Clube de Regatas da Barra do Ceará, expõem a situação de aproveitamento de um edifício modernista que se encontrava totalmente abandonado e que sofreu uma intervenção, embora tenha descaracterizado o projeto original. Fica o questionamento se o certame não deveria proporcionar a recuperação do Clube de Regatas e a criação de edifícios anexos contemporâneos, afim de preservar a sua identidade arquitetônica ao invés de apenas aproveitar a estrutura existente para um novo edifício, afinal parte do programa de necessidade poderia ser aproveitado. Esta questão é fundamental no debate sobre a documentação e conservação do patrimônio moderno, revelando a importância de refletir sobre o projeto, a obra, o uso e a memória no processo de intervenção do patrimônio moderno (JUCÁ NETO; PAIVA, 2018).

A contribuição nos aspectos institucionais e normativos para o aperfeiçoamento da organização de concursos está na atenção da Organização e da Instituição Promotora ao montar o edital e contrato, pois como apresentado anteriormente, estes não estavam claros com relação ao escopo a ser contratado. Neste caso essa diferença foi resolvida com um contrato a parte para o que não estava contemplado no primeiro acordo, mas mesmo assim causou prejuízo público pois foi gerado um custo adicional ao que se havia planejado no início do certame.

Requalificação das Delegacias de Fortaleza e Região Metropolitana (2007)

O projeto de requalificação foi contratado e desenvolvido, mas os arquitetos alegam57 que nunca receberam nada além do valor da

premiação. Foram construídas mais de 40 unidades pelo estado, mas a falta de qualidade de algumas empreiteiras contratadas comprometeram o resultado final de algumas obras.

A solução presente no projeto vencedor contribuí para o exercício da arquitetura ao apresentar uma solução eficiente e economicamente