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Os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais

Fifura 13- Fachada da escola

1.3 Os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais

Os quatro pilares da educação estão fortemente entrelaçados às categorias de conteúdo que adoto na Sequência Didática descrita e analisada nesta pesquisa (capítulos 2 e 3), a saber: conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais. Esses conteúdos são salientados na

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apresentação dos PCN e mantêm uma estreita correlação com os eixos temáticos10 propostos nesse documento oficial.

Habitualmente, o conteúdo é compreendido apenas como sendo um conjunto sequencial de assuntos ou uma listagem de temas que integram uma determinada disciplina. No entanto, é bastante perceptível por meio dessas categorias que o entendimento de conteúdo de maneira alguma pode se restringir a “fatos e conceitos” ou teorias, mas amplia seu território, abrangendo conhecimentos diversificados, habilidades e competências, valores, atitudes, atuação social, prática de vida, etc.

Conforme preconizam os PCN,

o projeto educacional expresso nos Parâmetros Curriculares Nacionais demanda uma reflexão sobre a seleção de conteúdos, como também exige uma ressignificação, em que a noção de conteúdo escolar se amplia para além de fatos e conceitos, passando a incluir procedimentos, valores, normas e atitudes (BRASIL, 1997, p.51).

Assim, os conteúdos são categorizados conforme características específicas. Exponho a seguir uma definição para eles e uma interligação com os pilares da educação, tendo como referência os PCN (1996) e as teorias de Zabala (1998), que abordam os conteúdos em três categorias.

Os conteúdos conceituais (aprender a conhecer) são de base teórica e abrangem diversos setores do conhecimento (científico, intelectual, filosófico, calculista, etc.). Eles fornecem uma base da descoberta do saber e produzem estímulo e curiosidade para o aprendiz, estando associados ao desenvolvimento cognitivo e relacionados a aspectos como o raciocínio, a dedução, a memória e a percepção, que possibilitam a aquisição do conhecimento (ZABALA, 1998).

O conceito, então, é um recurso para a construção do conhecimento, por meio dele conseguimos desenvolver nossa compreensão de mundo e potencializar a construção do pensamento. É dessa maneira que aprendemos a reconhecer o real e o abstrato (ilusório); as dúvidas se inserem nessa construção e estimulam o prosseguimento da busca do conhecimento,

10 Conforme os PCN, “os conteúdos de Língua Portuguesa articulam-se em torno de dois eixos básicos: o uso da

língua oral e escrita e a reflexão sobre a língua e a linguagem [...]. De maneira mais específica, considerar a articulação dos conteúdos nos eixos citados significa compreender que tanto o ponto de partida como a finalidade do ensino da língua é a produção/recepção de discursos. Quer dizer: as situações didáticas são organizadas em função da análise que se faz dos produtos obtidos nesse processo e do próprio processo. Essa análise permite ao professor levantar necessidades, dificuldades e facilidades dos alunos e priorizar os aspectos que serão abordados. Isso favorece a revisão dos procedimentos e dos recursos lingüísticos utilizados na produção e a aprendizagem de novos procedimentos/ recursos a serem utilizados em produções futuras” (BRASIL, 1997, p. 34, grifo meu)

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produzindo novas dúvidas que tornam essa busca incessante e com infindas possibilidades de descobertas e aprendizagens, pois “o conhecimento é múltiplo e evolui infinitamente [...], o processo de aprendizagem do conhecimento nunca está acabado” (DELORS, 2001, p. 33).

Simplificando, os conteúdos conceituais estão associados ao “aprender a conhecer”, referindo-se à capacidade intelectual que proporciona a compreensão de símbolos, imagens, ideias e representações em geral e que permite a organização da realidade em nossas mentes. Caberia então estender e interligar o pilar “aprender a conhecer” à pergunta “aprender a conhecer o quê?” (ZABALA, 1998).

A segunda categoria se refere aos conteúdos procedimentais (aprender a fazer) que se ligam aos conceituais na medida em que equivalem a colocar em prática o aprendizado obtido. Assim, toda produção ou reprodução do aluno é estabelecida pelos conteúdos procedimentais. Escrever um texto, produzir um gênero digital, construir uma paródia, ler e estabelecer relações entre multissemioses, toda essa prática se antecede, assim, de conceitos, de um “aprender a conhecer” que objetiva o alcance de procedimentos “corretos” para desembocar em resultados a serem analisados.

Dessa maneira, esses conteúdos perpassam o estudo de estratégias, esquemas e técnicas que investigam o progresso do conhecimento através da “experiência do fazer”, além de apresentarem um caráter profissionalizante, pois o aprendizado prático está relacionado com o ofício de profissões, desenvolvendo a cognição, o que implica aspectos como a memória, o raciocínio, a dedução, e outras particularidades (ZABALA, 1998).

Percebe-se que um conteúdo se interliga ao outro, pois nenhum conhecimento se constrói sozinho, “assim como aprender a conhecer é base do aprender a fazer, aprender a fazer também se torna base de aprender a viver juntos” (ZABALA, 1998), dado que muitas tarefas, processos, projetos e procedimentos só poderão ser executados mediante uma colaboração mútua e não produzidos por um único indivíduo. É suficiente pensar que um prédio não se ergue sozinho e que várias pessoas estão envolvidas na publicação de um livro. E, apesar de ser natural que, em um determinado grupo, haja muitas disparidades, é possível “viver juntos”. Aliás, acredito que é justamente nessa construção conjunta e colaborativa do conhecimento que, em especial, a heterogeneidade se ergue positiva.

Portanto, adentramos agora nos conteúdos atitudinais, que se relacionam aos pilares “aprender a viver juntos” e “aprender a ser”. Referem-se às experiências e à vivência do indivíduo em seu contexto social, político, cultural e familiar e preconizam o aprendizado de valores e normas a serem processados, desenvolvidos e efetuados em sua prática cotidiana. Entretanto, vale ressaltar que, apesar de o ser humano ser construído e “moldado” em

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conformidade com suas vivências e experiências, não significa que não possua a flexibilidade e autonomia para estar sempre em mutação, sendo um ser questionador e reflexivo.

Os conteúdos atitudinais estão intrinsecamente relacionados ao convívio com o outro, à vivência em grupos, em comunidades de todas as esferas que fazem parte do contexto do indivíduo. E, para essa realidade, é essencial a apreensão de regras e valores que circulam em torno de conceitos como a solidariedade, o respeito, a humildade, o espírito colaborativo, a honestidade e diversos outros.

No universo escolar, esses são valores que devem ser trabalhados continuamente e ininterruptamente e, como professora-pesquisadora, sou responsável em proporcionar esse “viver juntos” por meio de estratégias metodológicas que envolvem indubitavelmente, também, e, constantemente, os conteúdos conceituais e procedimentais. Pretendo com o entrelaçamento inevitável desses conteúdos conduzir o aluno a reflexões, questionamentos, tomada de posição, proporcionando a habilidade de solucionar problemas com autonomia, mas também fazendo com que ele consiga se enxergar inserido em um grupo como um ser ativo capaz de provocar mudanças em seu contexto.

Permeando esses conteúdos, encontra-se o aspecto da motivação que, conforme atuais teorias cognitivas, exerce importância salutar para os processos de ensino-aprendizagem, pois o envolvimento dos alunos depende de diversos fatores ligados à individualidade e ao contexto, envolvendo suas crenças, valores e emoções, que

[...] são mediadores do comportamento e exercem forte influência no processo motivacional. [Pesquisas nesse âmbito permitem constatar que a relação entre o processo de aprendizagem e a motivação é mútua] e, dessa forma, a motivação pode produzir um efeito na aprendizagem e no desempenho, assim como a aprendizagem pode interferir na motivação (LOURENÇO; PAIVA, 2010, p.28).

Esta reflexão é de suma importância para as escolhas metodológicas, exercidas por nós, professores.

1.4 A sociedade contemporânea e a multiplicidade de signos: a pedagogia dos