CAPÍTULO 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
3.2. Implementação da metodologia ABRP
3.2.1. Os contextos problemáticos
Para além das características que já foram descritas no capítulo 2, sobre os contextos problemáticos, como diz Vaz (2011), estes devem ainda ser capazes de suscitar o interesse e a curiosidade dos alunos é por isso que, nesta metodologia de trabalho, é muito valorizado o contexto criado para trabalhar o conteúdo que se pretende explorar. Foi assim, que se optou pela construção dos contextos problemáticos em multimédia PowerPoint (projecção associada a fotocópias e a folhas A4 em branco que foram distribuídas para os alunos, e cuja função explicaremos mais à frente). Tendo em conta que estes alunos não costumam ter aulas em que se recorra a projecções, só por si, o uso desta ferramenta já se pode considerar inovador e motivante (oferecendo a vantagem de abarcar a turma toda), combinada com as cópias para quando os alunos queriam pedir esclarecimentos sobre quaisquer assuntos, e contextos de aprendizagem (problematizados) relacionados com o quotidiano dos alunos, mais contextualizada e útil se tornava a aprendizagem e, por isso, mais motivante também.
A projecção PowerPoint, que pode definir-se como um ecrã na parede, fruto de uma projecção emanada de um projector (conhecido por data show), a partir de um computador, é uma componente chave dos seminários e palestras, e comummente usada para o ensino- aprendizagem, especialmente no ensino superior, em que se privilegiam as interacções professor/aluno e aluno/aluno. Ou seja, o PowerPoint, através da utilização de vídeos e imagens, permite criar recursos educativos que tornam as aulas mais criativas, interactivas e motivadoras, sendo que as notas relevantes são previamente apontadas em folhas A4 e distribuídas aos alunos para o efeito. Também as mesmas folhas, em branco, podem ser utilizadas para criar, personalizar e integrar conteúdos de texto, vídeo e áudio, e animações, ou serem usadas para retroceder em casos de dúvidas. Estes folhetos, que substituem manuais, servem de suporte de estudo dos alunos durante e após as aulas.
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O PowerPoint para cada tema, continha não só o apontamento escolar destinado a essa unidade, mas o contexto problemático contendo algumas das etapas do processo de implementação da ABRP, como por exemplo a selecção, hierarquia e distribuição das questões pelos diversos grupos de trabalho, bem como sugestões de fontes de informação e algumas questões para serem resolvidas. Assim, nas primeiras projecções do PowerPoint para o Sistema Reprodutor apresentava-se o contexto problemático constituído por extractos de textos e notícias de revistas e jornais, que foram seleccionados de maneira a que suscitassem a formulação de questões cuja resolução levasse à aquisição das competências cognitivas previstas nas Orientações Curriculares (Escola+2012) para este tema. Igualmente procurou-se antecipar as possíveis questões que os alunos eventualmente viriam a expor a partir do contexto (baseando-se não só nos seus apontamentos, mas na realidade do seu dia-a-dia).
Assim, nas primeiras projecções colocou-se um pequeno texto, que foi discutido e argumentado, com o conceito de saúde sexual, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), extraído de www.fisiobemviver.com.br/links/31/saude-sexual.html
Outros assuntos importantes, que foram também discutidos e clarificados: Orientação Sexual (interpretações, polémicas e tabus); Adolescente e o Corpo (de repente ocorrem transformações físicas intensas e rápidas, corpo infantil - corpo adulto); Auto imagem (como somos fisicamente, o que aparentamos e como os outros nos contemplam); Adulto emocionalmente sadio (auto-imagem corporal estável no sentido de auto-aceitação); Puberdade (estruturação do esquema corporal); Autoconhecimento (olhar, sentir, aprender); Luto pelo corpo infantil (sentimentos de estranheza e desproporção, passividade e impotência); Timidez na Adolescência (as modificações corporais despertam novos desejos, sentimentos, medos e ansiedades).
“Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) Saúde Sexual é a integração dos elementos somáticos, intelectuais e sociais do ser sexual, por meios que sejam positivamente enriquecedores e que potencializem a personalidade, a comunicação e o amor. Apresenta decisiva importância, a partir deste ponto de vista, o direito à informação e ao prazer”. (2010 p.1)
Finalmente há que considerar as grandes questões: Quais as mudanças na adolescência? Que mudanças surgem nas raparigas? Que mudanças surgem nos rapazes? Como é normal, nos adolescentes vão surgindo algumas questões, as quais por
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vezes os pais não estão preparados para responder, ou porque não sabem ou então porque têm vergonha, os piores até se zangam! Então estes (adolescentes) recorrem aos amigos ou à Internet, o que por vezes não é o mais correcto! Então, algumas das questões que surgem, e a que a escola deve ajudar a responder, são: Como se engravida? O que é o período fértil? Qual a idade certa para iniciar a vida sexual activa? O que é ejaculação? O corpo muda após a primeira relação sexual?
Seguidamente introduziram-se alguns ficheiros de diapositivos disponíveis na Internet, como é o caso do trabalho de adolescência e sexualidade realizado por Nanci Brito, visto que esta apresentação aborda quase tudo sobre o sistema reprodutor, mas de uma forma superficial, fala sobre as transformações na adolescência, tanto as físicas como as do comportamento resultantes das mesmas, a interferência das hormonas nestas mudanças (Biológicas e físicas, Psico-emocionais, Cognitivas, Sócio-afectivas), o aspecto da sexualidade, métodos contraceptivos, suas vantagens e desvantagens, se protegem ou não contra as DSTs, sua correcta forma de administração, conceito de contracepção e emergência, as DSTs, gravidez na adolescência, causas e consequências. Também se abordou um pouco sobre saúde materno infantil, utilizando um panfleto do Ministério da Saúde de S. Tomé. Trabalhou-se, ainda, a situação em que os pais são menores (adolescentes), realçando as possíveis vulnerabilidades e riscos que as crianças correm nesse caso. Depois um desafio foi lançado à turma, no sentido de extrair das músicas populares (língua materna: crioulo, foro) destinadas a campanhas de saúde, sobretudo de luta contra HIV, no sentido de se extrair conhecimentos/argumentos válidos. Este desafio permitiu que, de uma forma geral, os alunos apresentassem listas englobando as seguintes mensagens: Não tenha comportamentos de risco; Use sempre o preservativo em relações sexuais de risco; Procure um médico e não contamine os outros caso esteja contaminado; Evite a gravidez na adolescência etc. Para relacionar tais mensagens com os conteúdos escolares os alunos tiveram o desafio de rever o conceito das DSTs.
Depois de criado o contexto, apresentou-se aos outros professores da disciplina de Biologia, tendo-lhes sido solicitado que, a partir dele, fizessem questões. O objectivo deste procedimento era perceber se este suscitaria as questões cuja resolução levaria à aquisição das competências que se desejava desenvolver. O contexto problemático foi também submetido à orientadora desta investigação.
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No que toca ao tema Sistema Digestivo, a mesma metodologia foi utilizada, variando obviamente o tipo de contexto. Assim sendo, preferiu-se a visualização de um filme, com a duração de 3 minutos, extraído da Internet, que abordava brevemente a trajectória do alimento ao longo do sistema digestivo e as acções das enzimas sobre os alimentos. Para melhor concentração no trabalho, associou-se também uma apresentação em PowerPoint sobre a constituição do sistema digestivo, também extraído da Internet. Com ambas as projecções, pretendeu-se reavivar a memória sobre a constituição e as funções dos órgãos do Sistema Digestivo e de todo o processo digestivo de forma resumida.