Fonte: autoria da pesquisadora
Dialogar sobre os fundamentos dos direitos humanos na educação é adentrar nas
camadas profundas da diversidade. Dito isto, importa ressaltar que a diversidade cultural é
inerente ao contexto escolar. Artefato que merece atenção e consideração pedagógica,
sobretudo, tendo em vista que, legalmente, temos o discurso jurídico que legitima a promoção
dos direitos humanos em meio a diversidade no sistema educacional.
Os sujeitos de direito são plurais em sua diversidade. Operar com processos contra
hegemônicos de sujeição dos sujeitos nos processos educativos é necessário. Para tanto, é
preciso, antes de tudo, fomentar o combate à desigualdade social que está ensejada no
contexto educativo. A desigualdade social, muitas vezes é um artefato que se mantém em
evidência constante, pois numa dimensão hegemônica os sujeitos de direito em sua
diversidade são percebidos e considerados como de menor valor.
Isto resulta na importância da educação em direitos humanos para superar os processos
de violação dos direitos que historicamente os sujeitos foram e são vitimados. Dito isso,
implica reconhecer que no contexto escolar a cultura que impera é a eurocêntrica. Motivo que
alude a cultura erudita, destituindo as culturas dos processos sociais em que os sujeitos de
direito são oriundos, ou seja, a cultura popular. Movimento que tenciona a cultura de dentro
da escola com a cultura de fora da escola, isto é, parece que existem dois mundos distintos e
que não se retroalimentam, dialogam, convergem, se fundem, logo culturas antagônicas.
O paradoxo existente entre a cultura de dentro e a de fora da escola, faz com que se
tenham adversidades, conflitos e violação dos direitos fundamentais dos sujeitos, ou seja,
processos de exclusão social. Dessa forma, na escola existe a farda, o horário, a grade
curricular, os mestres, a hierarquia. Artefatos que emparedam todos os sujeitos a um só molde,
forma, padrão de ser e de estar, ou seja, a hegemonia.
A diversidade cultural que está fora da escola não entra. Ou seja, os sujeitos em sua
diversidade pluricultural devem se ajustar a um único modelo que segue regras e limites
estabelecidos pela hierarquia da escola. Entretanto, existe uma coisa que não tem como ficar
de fora, cuja é a diferença dos sujeitos. A diferença diz muito dessa diversidade, que muitas
vezes é daltônica ou míope no cotidiano escolar. Neste sentido, está escrito no Parâmetro
Curricular Nacional – pluralidade cultural (BRASIL, 1997, pp. 96-97) que:
[...] a educação escolar deve considerar a diversidade dos alunos como elemento essencial a ser tratado para a melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem. [...] A escola, ao considerar a diversidade cultural, tem como valor máximo o respeito às diferenças - não o elogio à desigualdade. As diferenças não são obstáculos para o cumprimento da ação educativa; podem e devem, portanto, ser fator de enriquecimento.
Neste caso, importa dizer que são os educadores responsáveis por imputar em suas
práticas pedagógicas artefatos que enalteçam a diversidade cultural. São igualmente os
educadores responsáveis por tratar a pluralidade cultural existente em sua sala de aula
mediante processos educativos inclusivos socialmente. Respeitar as diferenças que são
inegáveis no contexto escolar é uma atitude advinda das relações sociais estabelecidas
dialogicamente entre educadores e alunos. As diferenças são em última instância o norte para
se perspectivar atitudes de valorização e reconhecimento da diversidade cultural que está
arraigada na escola como um todo. Elidindo com a discriminação e preconceitos que estão
arraigados nas entranhas de outros sujeitos, que talvez se sintam superiores.
O respeito a toda e qualquer diferença no contexto escolar é essencialmente uma
atitude ética, um compromisso social de sua inclusão. Importa mencionar que a diferença não
significa desigualdade, mas sim riqueza cultural, racial, étnica, geracional sexual, física,
biológica e mental (CANDAU, 2008). Ou seja, há uma complexidade variável no que
concerne as diferenças no contexto educacional, que devem ser postas em evidência para
promover a inclusão social. Para tanto “[...] a educação escolar deve considerar a diversidade
dos alunos como elemento essencial a ser tratado para as melhorias da qualidade de ensino e
aprendizagem (BRASIL, 1997, p. 97).
A educação em direitos humanos prima pelo reconhecimento das diferenças que
atravessam os sujeitos de direito em sua singularidade. Desta maneira, implica dizer que os
direitos fundamentais devem no contexto escolar ser essencialmente necessários para a
promoção da igualdade de oportunidades. Assim, Nancy Fraser (2001, p. 245) ressalta que há
demandas por reconhecimento desde o fim do século XX. Neste sentido, implica dizer que as
Demandas por “reconhecimento das diferenças” alimentam a luta de grupos mobilizados sob as bandeiras da nacionalidade, etnicidade, raça, gênero e sexualidade. Nesses conflitos “pós-socialistas”, identidades grupais substituem interesses de classe como principal incentivador para a mobilização política. Dominação cultural suplanta a exploração como a injustiça fundamental. E o reconhecimento cultural desloca a redistribuição socioeconômica como remédio para injustiças e objetivo da luta política. (Grifos da autora).
Neste caso, os movimentos sociais em sua diversidade lutam politicamente pelo
reconhecimento de suas diferenças para serem respeitadas, com intuito de combater as
injustiças sociais.
A complexidade que está no entorno dos direitos humanos carece uma ressignificação
conceitual e territorial. Tendo em vista que Santos (2003, p. 45) menciona que “os direitos
humanos são uma construção ocidental e moderna e hoje necessitam ser ressignificados numa
perspectiva multicultural, para que tenham relevância social e política”, isto é, têm de
incorporar as questões relacionadas à diversidade cultural. Desta maneira, a educação em
direitos humanos assim como a interculturalidade incorporam as questões relacionadas a
diversidade cultural.
A igualdade na diferença é essencial no que tange aos direitos humanos. Nesta lógica,
não devemos abordar igualdade distintamente da diferença, pois uma não deve supervalorizar
a outra. Neste caso, importa ressaltar o que está posto nessa assertiva “temos o direito de ser
iguais, sempre que a diferença nos inferioriza; temos o direito de ser diferentes sempre que a
igualdade nos descaracteriza” (SANTOS, 2006, p. 462). Ou seja, igualdade na diferença faz
com que os grupos sociais diversos busquem pela igualdade de oportunidade.
Neste entendimento dialético entre igualdade e diferença corrobora dessa assertiva
Flavia Piovesan (2006, p. 24) ao expor que:
A efetiva proteção dos direitos humanos demanda não apenas políticas universalistas, mas específicas, endereçadas a grupos socialmente vulneráveis, enquanto vítimas preferenciais da exclusão. Isto é, a implementação dos direitos humanos requer a universalidade e indivisibilidade desses direitos, acrescidos do valor da diversidade (...). Ao lado do direito à igualdade, surge, também, como direito fundamental, o direito à diferença. Importa o respeito à diferença e à diversidade, o que lhes assegura um tratamento especial.
A universalidade e indivisibilidade dos direitos fundamentais aos grupos socialmente
diversos deve primar pelo direito duplo: direito a igualdade e a diferença, esta última requer
igualmente o respeito a ela mesma e à diversidade.
Quando na educação se propõe a dar ênfase aos direitos humanos é para pôr em
evidência a necessidade ontológica do ser humano em sua formação integralmente humana.
Desta feita, corrobora com esta assertiva Sergio Haddad (2004, p. 01) ao enunciar que:
Conceber a Educação como Direito Humano diz respeito a considerar o ser humano na sua vocação ontológica de querer “ser mais”, diferentemente dos outros seres vivos, buscando superar sua condição de existência no mundo. Para tanto, utiliza-se do seu trabalho, transforma a natureza, convive em sociedade. Ao exercitar sua vocação, o ser humano faz História, muda o mundo, por estar presente no mundo de uma maneira permanente e ativa.
A condição de sujeito histórico é inegável na perspectiva da promoção dos direitos
humanos para os sujeitos de direito que estão organizados em movimentos sociais, como o
camponês que busca o acesso as políticas educacionais na perspectiva de galgar a condição de
‘ser mais’, ou seja, a igualdade em meio as suas diferenças. Neste sentido, Haddad e
Graciano, (2006, p. 5) explicam que:
O movimento da sociedade civil nos últimos anos vem produzindo e constituindo novos direitos, na defesa e no respeito às diferenças e pela superação das desigualdades. Quando estudamos e trabalhamos do ponto de vista educacional, dos seus indicadores, as desigualdades estão claramente marcadas, no tratamento desigual destinado às faixas etárias, nas questões de gênero, de etnia e raça, nos grupos vulneráveis, o rural, o urbano. Temos que mostrar que o educando, o estudante, tem cor, tem sexo, um lugar social em que ele está inserido, além de sua condição de classe social.
Ao abordarmos a dimensão dos direitos humanos afirmamos serem dinâmicos
conforme as demandas que emergem da sociedade civil organizada em seus movimentos
sociais, a qual enseja novos direitos. Estes corroboram com a promoção do respeito as
diferenças e a superação da desigualdade. Esta última é advinda do tratamento desigual que se
dá aos sujeitos com diversidade cultural distinta. Por isso que falar em direitos humanos é em
última instância defender a igualdade de oportunidade.
Ressaltamos que a educação em direitos humanos é uma rede discursiva da
interculturalidade, quando em seus princípios evidenciados nas Diretrizes Nacionais dos
Direitos Humanos (BRASIL, 2012, p. 02), estão assim definidos:
Art. 3º - A Educação em Direitos Humanos, com a finalidade de promover a educação para a mudança e a transformação social, fundamenta-se nos seguintes princípios:
I – Dignidade humana; II - Igualdade de direitos;
III - Reconhecimento e valorização das diferenças e das diversidades; IV - Laicidade do Estado;
V - Democracia na educação;
VI - Transversalidade, vivência e globalidade; e VII - Sustentabilidade socioambiental. (Grifos nosso).
Como podemos visualizar, tais princípios aproximam-se da interculturalidade, quando
esta é posta como unidade na diversidade, daí a importância do reconhecimento e valorização
das diferenças e das diversidades em prol da igualdade de direitos de forma democrática, ou
seja, mediante a colaboração de todos neste proposito.
Assim, a educação em direitos humanos torna-se essencialmente necessária no
contexto escolar, pois é neste território que as diferenças estão bastante presentes, conforme a
diversidade cultural que ensejam os sujeitos de direitos. Nesta lógica, a assertiva de Candau
(2012, p. 724) ressalta que a:
Tensão igualdade-diferença está presente tanto no desenvolvimento do direito à educação, quanto nos processos de educação em direitos humanos. Estes dois campos, que tiveram diferentes origens e desenvolvimentos autônomos, hoje se entrelaçam, constituindo uma teia em que a educação em direitos humanos se configura como um componente básico do direito à educação.
O direito à educação em direitos humanos deve corroborar para atenuar a tensão
existente entre a igualdade-diferença que devem se entrelaçar para que a sua promoção,
perspective a igualdade de oportunidade aos sujeitos de direito que estão na escola. Sendo
assim, através do reconhecimento de suas especificidades de gênero, raça, etnia,
territorialidade, etapa de vida, orientação sexual, opção religiosa, características
sensório-motoras, aspectos psicológicos, de classe social, entre outras (CANDAU, 2012). Tais
especificidades atravessam os sujeitos que estão localizados nas escolas do campo.
Diante do pressuposto que enseja os direitos humanos numa perspectiva inclusiva,
assinalamos a assertiva de Monteiro (2013, p. 47) ao preconizar que:
Os Direitos Humanos, do ponto de vista histórico, carregam e traduzem na realidade uma utopia. Nesse sentido, se convertem numa plataforma emancipatória em reação e em repúdio às formas de exclusão, desigualdade, opressão, subalternização e injustiça. A Educação em Direitos Humanos
combina sempre o exercício da capacidade de indignação com o direito à esperança e admiração da∕pela vida, a partir do exercício da equidade que nasce da articulação dos princípios de igualdade e diferença.
A utopia que atravessa a promoção dos direitos humanos enseja na equidade da
articulação dos princípios de igualdade e diferença, ou seja, a partir da simetria existente no
contexto escolar na promoção da diversidade cultural.
Os direitos humanos emergem como dispositivo normatizador dos direitos sociais,
políticos, sociais e culturais que atravessam os sujeitos de direito em sua diversidade étnica e
racial. Pois historicamente foram negados os direitos fundamentais, por isso aludimos ao fato
de que
A história dos direitos humanos no Brasil passa pela negação do projeto colonial e construção de comunidades livres de preconceito racial, escravidão e exclusão social de todo tipo, que caracterizaram os quilombos como importantes territórios de resistência e de alternativa real e utópica (MOURA, 1996).
Romper com o projeto colonial que oprimia, silenciava, subalternizava e escravizava
os demais seres humanos fora uma luta constante dos povos que se encontravam neste lugar
social, por isso que a comunidade do Quilombo de União dos Palmares/Alagoas se destaca
como um movimento resistente a toda opressão que sofrera, sobretudo, os negros para
escaparem da escravidão e da exploração de seus corpos.
3.3.1 A diversidade cultural na perspectiva dos direitos humanos
A declaração universal da diversidade cultural alude aos direitos humanos, como
promotora da cultura de paz. Deste modo, a diversidade cultural que está supracitada nas
fontes primária desta investigação (PNLD/Campo- 2013 e 2016) fazem jus ao reconhecimento
e ao respeito das diferenças que atravessam os sujeitos do campo. Salientamos que “o respeito
pela diversidade das culturas, a tolerância, o diálogo e a cooperação, num clima de confiança
e de entendimento mútuos, estão entre as melhores garantias da paz e da segurança
internacionais” (UNESCO, 2002, p. 2). Desta forma, a diversidade das culturas, a tolerância,
o diálogo e a cooperação se dá entre os sujeitos em sua diversidade permeados pela confiança
e entendimento mútuos, o que corrobora para a garantia da paz. Assim, acontece nos
movimentos sociais que tencionam a lei do mais forte em busca da realização do projeto de
sociedade defendido pelos sujeitos diversos em suas diferenças, mas que tem um objetivo em
comum.
Para tanto, é pertinente haver o reconhecimento da diversidade cultural, na consciência
da unidade do gênero humano e no desenvolvimento dos intercâmbios culturais (UNESCO,
2002). A unidade do gênero e o desenvolvimento de intercâmbios culturais atravessam as
práticas sociais que aludem a causa pela qual se luta no que concerne aos processos
reivindicatórios dos direitos humanos. Tendo em vista que o pluralismo cultural constitui a
resposta política à realidade da diversidade cultural (UNESCO, 2002). Deste modo,
compreendemos que a diversidade de gênero e a pluralidade cultural suscitam políticas
públicas educacionais.
As séries de signos sobre a dimensão dos direitos humanos no que tange a diversidade
cultural diz respeito às diferenças culturais que devem ser mantidas, pois a defesa dessa
diversidade cultural é um imperativo ético, inseparável do respeito à dignidade humana. Ela
implica o compromisso de respeitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais, em
particular os direitos das pessoas que pertencem às minorias e os dos povos autóctones
(UNESCO, 2002). Neste caso, é fundamental garantir os direitos das pessoas que pertencem a
minorias e os direitos dos povos autóctones, pois são sujeitos igualmente de direito.
Os direitos culturais são plurais e devem ser respeitados em sua diversidade. Diante
desta assertiva, compreende-se que o desenvolvimento de uma diversidade criativa exige a
plena realização dos direitos culturais (UNESCO, 2002). A diversidade criativa atravessa os
direitos culturais que são igualmente diversos. Desta feita são muitas as formas de se
vivenciar a cultura com criatividade, sobretudo, quando esta está acionada aos processos de
superação dos processos de aculturação que se dera entre os colonizadores e os colonizados
que tentaram resistir as violações que sofreram como as pessoas pertencentes a minorias e os
povos autóctones.
A diversidade cultural também diz respeito a diversidade linguística, inclusive dos
povos autóctones. O que também é defendido na declaração universal da diversidade cultural,
pois assim está predito que a diversidade linguística - respeitando a língua materna - em todos
os níveis da educação, onde quer que seja possível, e estimular a aprendizagem do
plurilinguismo desde a mais jovem idade (UNESCO, 2002). Daí que emerge no campo da
produção do material didático que possa fazer jus a esta demanda. Tendo em vista que os
sujeitos de direitos são oriundos de diversas etnias e que assim a língua materna é considerada
na produção do material didático, por exemplo.
No que tange a diversidade cultural aludimos ao multiculturalismo que se faz presente
no campo de domínio dos direitos humanos. Pois, as múltiplas culturas constituem e são
constituintes da promoção dos direitos humanos. Os direitos humanos garantem o direito a
diversidade cultural que assim se faz presente. Nesta perspectiva assinala Santos (2019, p. 30,
grifos nosso) quando menciona sobre o multiculturalismo presente nos direitos humanos, eis o
fragmento:
Os direitos humanos têm que ser conceptualizados como multiculturais. O multiculturalismo, tal como eu entendo, é precondição de uma relação equilibrada e mutuamente potenciadora entre a competência global e a legitimidade local, que constituem os dois atributos de uma política contra hegemônica de direitos humanos no nosso tempo. Na medida que todas as culturas possuem concepções distintas de dignidade humana, mas são incompletas, haver-se-ia que aumentar a consciência dessas incompletudes culturais mútuas, como pressuposto para um diálogo intercultural. A construção de uma concepção multicultural dos direitos humanos decorreria desse diálogo multicultural.
Os direitos humanos são multiculturais e na diversidade cultural os diferentes grupos
culturais possuem culturas diferentes com concepções distintas de dignidade humana, o que
acarreta a necessidade de processos educativos para que se possa aumentar a consciência das
incompletudes culturais mútuas por meio do diálogo intercultural, logo a unidade na
diversidade, fazendo jus ao projeto comum permeado pelo diálogo multicultural. Respalda-se,
portanto, a dimensão específica da complexidade que é acionada no campo da cultura
necessariamente para formulação de políticas públicas inclusivas voltadas para os diferentes
grupos culturais.
Diante da complexidade da cultura, “são as culturas que se tornam evolutivas, por
inovações, absorção do aprendido, reorganizações; são as técnicas que se desenvolvem; são as
crenças e os mitos que mudam [...]” (MORIN, 2007, p. 35). Assim, não há como definir uma
identidade cultural. Pois a evolução cultural suscita identidades que transcendam a
subjetividade do sujeito, ou seja, “o homem constitui-se na complexidade da organização
biológica e da integração sociocultural onde as instâncias biológica, cerebral, individual,
social, cultural, ecológica e política estão em contínua interação” (MARTINAZZO, 2014,
p.76). Há todo um complexo holístico sobre a cultura que permeia a interação sociocultural.
Sendo assim, não há como ter uma identidade determinada, pois
[...] a importância do reconhecimento foi-se modificando e aumentando com a nova compreensão da identidade individual que surgiu no final do século
XVIII. Podemos falar de uma identidade individualizada, ou seja, aquela que é especificamente minha, aquela que eu descubro em mim. Esta noção surge juntamente com um ideal: o de ser verdadeiro para comigo mesmo e para com a minha maneira própria de ser (TAYLOR, 1994, p. 48).
O reconhecimento da identidade individual não promove a unidade na diversidade,
tendo em vista que os sujeitos são plurais e singulares. Com isso a concepção sobre a
dimensão identitária também foi se ampliando para comportar as mudanças inerentes tanto a
individualidade do sujeito quanto aos seus grupos sociais, afetados pela alteridade. Desta
forma, apreende-se que
As identidades nacionais, (...) representam vínculos a lugares, eventos, símbolos, histórias particulares. Elas representam o que algumas vezes é chamado de uma forma particularista de vínculo ou pertencimento. Sempre houve uma tensão entre essas identificações e identificações mais universalistas – por exemplo, uma identificação maior com a “humanidade” do que com a “inglesidade” (english-ness) (HALL, 2006, p. 76).
Ao abordar as identidades nacionais em sua diversidade permeiam as particularidades
e pertencimentos de forma universalista, o que implica nos processos educativos da
modernidade/colonialidade que corrobora com a visão universalista da produção do
conhecimento sem considerar tais particularidades e pertencimentos identitários por causa dos
artefatos de aculturação que comumente atravessaram as identidades dos sujeitos dos
diferentes grupos culturais, portanto, identidade universal/nacional. Deste modo, elucida
Caldera (2003, p. 335, grifos nosso) que:
A identidade, por outra parte, é condição da universalidade. Identidade e universalidade são termos indissociáveis. Somente se tem identidade na medida em que as expressões particulares se integram na universalidade das culturas. Somente se alcança a universalidade quando esta se forma pela
convergência de múltiplas determinações, pelo que chamamos de unidade na diversidade.