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5 PERCURSO METODOLÓGICO

5.1 OS CURSOS DA ÁREA DE ENGENHARIA

A base de dados disponibilizada para a realização dessa pesquisa da Universidade Federal da Bahia contém os estudantes ingressantes nos cursos de progressão linear, no período de 2004 a 2016.1 Nessa instituição os cursos de graduação são agregados em cinco grandes áreas do conhecimento, a seguir: Área I - Ciências Físicas, Matemática e Tecnologia; Área II - Ciências Biológicas e Profissões da saúde; Área III – Filosofia e Ciências Humanas; Área IV – Letras, e Área V - Artes. Os cursos de graduação são divididos em dois tipos de regimes curriculares diferentes: o de Progressão Linear, em que o estudante ingressa em uma única escolha de curso até a conclusão do mesmo; o segundo regime envolve dois ciclos, o primeiro com o ingresso do estudantes nos Bacharelados Interdisciplinares em uma das quatro modalidades (Humanidades, Ciência e Tecnologia, Artes e Saúde) e o segundo ciclo com a realização das disciplinas e demais atividades previstas para integralizarem a sua formação adequando as demandas curriculares previstas para a formação em uma determinada área (CONSEPE, 2008).

A UFBA é a primeira universidade pública federal do estado da Bahia e permaneceu sendo a única por mais de 60 anos. A instituição considerada como uma das pioneiras e referência na discussão, formulação e implementação de políticas de ações afirmativas, inicia-se suas discussões em torno da temática em 2002, com o levantamento de propostas e discussões nos espaços da universidade. No entanto, somente em 2004 é aprovada a reservas de vagas (45%) para estudantes cotistas com a aplicação do sistema de cotas no vestibular de 2005, através da Resolução nº 01/04 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Federal da Bahia

137 (CONSEPE, 2004) (Anexo A). A modificação no ingresso de estudantes por reservas de vagas para cotistas, que ganhou maior visibilidade, é somente uma das ações da política de ações afirmativas da UFBA. Essa política tem quatro grandes eixos (ALMEIDA FILHO et al., 2005):

(a) Preparação: com a criação de parcerias entre a UFBA e entidades que atuem na preparação para o vestibular de estudantes com perfil socioeconômico baixo, negros e/ou pardos oriundos de escolas públicas nos cursinhos preparatórios com liberação de espaços da universidade para realização das aulas; participação em programas voltados para a educação continuada para docentes do Ensino Fundamental e Ensino Médio.

(b) Ingresso: criação do sistema de cotas; redução das taxas de inscrição do vestibular; aumento do número de isenções da taxa de inscrição e ampliação do número de vagas.

(c) Permanência: modificação da grade de horário de aulas, criação de cursos noturnos, tutorial, reforço escolar e acompanhamento acadêmico, aumento na capacidade de apoio a assistência estudantil. Como programas de permanência tem-se o Programa Permanecer, o Programa Conexão de Saberes: diálogos entre as universidades e as camadas populares e o Programa Qualificando a permanência de estudantes cotistas na UFBA (SANTOS, 2009).

(d) Pós- permanência: com o apoio e financiamento de pesquisas étnico- raciais, bolsas na pós-graduação.

Com a aprovação da Lei 12.711/ 2012 (BRASIL, 2012) o percentual de reserva de vagas modificou de 45% para 50% atendendo a nova legislação e destes percentual uma reserva de 50% para estudantes com renda per capita de até 1,5 salários mínimos (CONAE, 2015) (Anexos B e C).

Atualmente, a UFBA tem 10 cursos de Bacharelado em Engenharia, sendo que 4 cursos com entrada de estudantes a partir de 2009, os cursos de Engenharia da Computação, Engenharia de Produção e, Engenharia de Controle e Automação de Processos e o curso de Engenharia de Agrimensura e Cartográfica com entrada a partir de 2010. Os cursos da área de Engenharia possuem um tempo de conclusão mínimo de 5 anos e o tempo máximo pode ser de 8 a 11 anos, sendo que os cursos noturnos com relação aos diurnos há um aumentado de um ano. De todos os cursos

138 os que se diferem com relação ao tempo máximo de conclusão são os cursos de Engenharia Química e Engenharia de Computação com o máximo de 8 e 11 anos, respectivamente. De acordo com os projetos pedagógicos dos cursos, a criação dos novos cursos ocorre dentro do processo de expansão e interiorização das instituições federais de ensino superior através do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) criado em 2007 (BRASIL, 2007).

A escolha dos cursos de engenharia da UFBA se justifica por serem cursos que, historicamente no Brasil, apresentam uma baixa participação feminina sendo inferior a 30% de acordo com os dados do Censo do Ensino Superior (INEP, 2013). Além da baixa participação feminina, há poucos estudos com enfoque na discussão da relação entre desempenho acadêmico e gênero, quando aparecem informações sobre a referida temática articulando a área de engenharia são dados secundários das pesquisas, sem apresentar informações mais detalhadas.

Outro motivo que justifica a escolha desse recorte populacional é que a área I- Ciências Físicas, Matemática e Tecnologia possui a maior diferença no desempenho entre os estudantes verificadas nos estudos32 de Peixoto et al. (2016) e Lago et al. (2014), com dados por área da instituição investigada. Os estudantes não cotistas apresentam melhor desempenho do que estudantes cotistas.

Segundo Queiroz (2001), os cursos tidos de maior prestígio social são cursos que possuem melhores condições de trabalho e remuneração dispondo de maior inserção no mercado de trabalho. Para conhecer o prestígio das carreiras dos cursos ofertados pela UFBA para a comunidade, a autora realizou uma pesquisa em empresas de consultoria de recursos humanos no município de Salvador, a qual elencavam uma pontuação de acordo com que consideravam o prestígio de cada carreira. Com base nessas respostas a autora criou cinco categorias: Alto, Médio alto, Médio, Médio baixo e Baixo.

Dos nove cursos considerados de alto prestígio social seis são da área I- Ciências Físicas, Matemática e Tecnologia, sendo quatro cursos de engenharia: Engenharia Elétrica, Engenharia Civil, Engenharia Mecânica e Engenharia Química e dois cursos no grupo de Médio Alto prestígio social com os cursos de Engenharia Sanitária e Ambiental e Engenharia de Minas. De acordo com trabalho realizado por

139 Queiroz (2001), todos os cursos da área de engenharia foram considerados de alto e médio alto prestígio social, os demais cursos de engenharia não aparecem em sua pesquisa pois, são cursos novos criados a partir do ano de 2009 (Tabela 8).

Tabela 8 - Concorrência dos Cursos da Área I- Ciências Físicas, Matemática e Tecnologia da

UFBA.

Curso* Ano de 2012

Turno Concorrência

Arquitetura e Urbanismo Diurno 10.5

Arquitetura e Urbanismo Noturno 8.0

Engenharia Civil Diurno 13.4

Engenharia de Agrimensura e Cartográfica Noturno 3.0

Engenharia da Computação Noturno 9.3

Engenharia de Controle e Automação de Processos Noturno 8.9

Engenharia de Minas Diurno 8.1

Engenharia de Produção Noturno 11.3

Engenharia Elétrica Diurno 7.9

Engenharia Mecânica Diurno 11.6

Engenharia Química Diurno 11.4

Engenharia Sanitária e Ambiental Diurno 8.8

Física (licenciatura e bacharelado) Diurno 3.4

Física (licenciatura) Noturno 2.3

Geofísica Diurno 5.4

Geologia Diurno 8.7

Química Industrial (bacharelado) Diurno 3.9

Química (Licenciatura) Noturno 3.9

Ciência da Computação Diurno 4.9

Computação (licenciatura) Noturno 1.8

Estatística Diurno 2.1

Matemática (licenciatura e bacharelado) Diurno 2.4

Matemática (licenciatura) Noturno 2.3

Sistema de informação (bacharelado) Noturno 5.4

*Cursos de Progressão Linear alocados em Salvador.

Fonte: Elaborada pela autora a partir dos dados do Manual do Vestibular da UFBA 2013.

Para essa pesquisa utilizamos os dados disponibilizados pela Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (Prograd) da UFBA, responsável por acompanhar, registrar e realizar a gestão das informações e dados da graduação e do Serviço de Seleção, Orientação e Avaliação (SSOA), órgão da Prograd responsável pela realização e