A partir de 1930, começou o processo de industrialização no Brasil
e, como conseqüência a necessidade de formação de cientistas e tecnólogos
para atender à demanda da sociedade industrial, o que gerou a criação
de instituições novas de ensino superior.
De acordo com Dourado (2001, p. 34), “as tentativas de inserção do
Estado Brasileiro no cenário competitivo dos países centrais
impulsionaram o país para a modernização das suas estruturas. A defesa
da expansão da escolarização passou a ser assumida no discurso do
Estado como uma das bandeiras prioritárias”.
Assim que Vargas assumiu o poder, em 1930, foi criado o
Ministério da Educação e Saúde, órgão governamental encarregado de
coordenar e planejar toda educação no país. O seu primeiro ministro foi
Francisco Campos elaborou o Estatuto da Universidade Brasileira,
em 1931. A partir desse momento, o Estado máximo de Getúlio
Vargas tomou para si a responsabilidade de legislar sobre todos os
níveis de ensino (ROSSATO, 1998, p. 117).
Conforme Dourado (2001, p. 35), “a estruturação e a expansão do
ensino superior efetivam-se, nesse período, de modo heterogêneo, em
razão das condições objetivas de inserção dos diferentes estados da
federação no processo de modernização do País”.
Romanelli (1985, p. 133) assim apresenta o Estatuto da
Universidade Brasileira:
O decreto nº 19 851, de 11 de abril de 1931, que institui o regime universitário no Brasil e se constituiu o regime universitário no Brasil e
se constituiu no Estatuto das Universidades Brasileiras, fixou os fins do ensino universitários da seguinte forma:
Art. 1º- O ensino universitário tem como finalidades: elevar o nível da cultura geral;
estimular a investigação científica em quaisquer domínio dos conhecimentos humanos; habilitar ao exercício de atividades que requerem preparo técnico e científico superior; concorrer, enfim,pela
educação do individuo e da coletividade pela harmonia de objetivos entre professores e estudantes e pelo aproveitamento de todas as
atividades universitárias, para a grandeza das nações e para o aperfeiçoamento da Humanidade.
A formulação de tão vastos e pretensiosos objetivos denuncia claramente uma visão distorcida, tanto da realidade educacional brasileira de então,
quanto dos limites que comporta toda e qualquer instituição escolar. A investigação cientifica e o preparo para o exercício profissional têm sido,
na verdade, os reais objetivos da Universidade moderna A falta de tradição de pesquisa deve-se, (...) a fatores tais como a estratificação social, a herança cultural, a forma como tem evoluído a economia e,
sobretudo, como se tem processado a industrialização.
Além da reorganização da Universidade do Rio de Janeiro, a
Universidade de São Paulo (USP), em 1934, foi a primeira a ser criada e
organizada segundo as normas do primeiro Estatuto das Universidades
Brasileiras. Ela apresentava uma Faculdade de Filosofia Ciências e Letras
(FFCL) cujo objetivo era formar professores para o magistério
secundário e realizar pesquisas.
Na USP, o curso de Matemática integrava a Faculdade de Filosofia
Ciências e Letras, acontecendo o mesmo, em 1939, na Faculdade Nacional
de Filosofia no Rio de Janeiro, e nas demais faculdades do país, até a
reforma universitária de 1968.
A criação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da
Universidade de São Paulo (USP) teve um significado especial para o
ensino universitário de Matemática no Brasil, pois o curso de Matemática
tinha professores vindos, primeiro da Itália e depois da França, centros
de ensino e pesquisa elevados, além de ter sido a primeira universidade do
Brasil a formar professores de Matemática.
Silva (1992, p. 82) afirma:
A década de 1930 é considerada pelos pesquisadores em história da Matemática no Brasil, como sendo um marco na formação de uma escola Matemática brasileira. É a partir de 1934 que se observa a preocupação mais forte pela pesquisa matemática em nossa pátria. Percebe-se, a partir daquela data, a preocupação dos pesquisadores na formação de discípulos e, portanto, continuadores de seus conhecimentos especializados e informações científicas.
Um fato novo no ambiente universitário brasileiro.
Nesse período, além da expansão de instituições superiores, cresceu
também o número de faculdades particulares, com destaque para as
católicas. A partir de 1946, algumas delas passaram à condição de
Pontifícias Universidades Católicas (PUCs)
5.
Na década de 1940, os professores franceses, contratados pela USP
para ensinarem Matemática, foram os responsáveis por colocar os
professores e alunos brasileiros em contato com as principais correntes de
ensino e pesquisa dos grandes centros desenvolvidos de Matemática,
além de despertar nos alunos o gosto pelos estudos avançados, conforme
registra Silva (1992, p. 85):
Dessa forma, somente a partir da década de 1940, com a chegada do matemático francês André Weil, o qual foi contratado para a disciplina Análise Superior, no período de 1º de setembro de 1945 a 30 de setembro de 1947, e posterior chegada
de Jean Dieudonné, contratado que fora para ministrar um curso de especialização em Álgebra Moderna, de 22 de abril de 1946 a 31 de dezembro de
1947, ambos na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, é que o chamado grupo de São Paulo foi posto em contato com as principais correntes de desenvolvimento da Matemática da época. Relembramos que, a partir da década de 1940, iniciaram-se, na USP, os doutorados em Matemática. Ressaltamos que A. Weil e J. Dieudonné, além de serem considerados matemáticos de primeira linha, estavam a par das principais linhas de desenvolvimento e pesquisa matemática da
época, que acontecia na Europa e nos Estados Unidos da América do Norte
.
Segundo Silva (1992, p. 83), a Faculdade de Filosofia Ciências e
Letras da USP foi, por mais de vinte anos, a principal fonte de formação
e estudos matemáticos no Brasil, o que faz que ela seja considerada o
berço da Matemática superior no Brasil, ao passo que a Academia Real
Militar foi a pioneira do ensino da referida ciência.
Paralelamente à criação da USP, foi criada, na cidade do Rio de
Janeiro, a Universidade do Distrito Federal, idealizada por Anísio
5 Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Pontifícia Universidade Católica do Rio de