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Sobre os custos, em especial os relacionados ao projeto e à edificação eficiente energeticamente, faltam análises que demonstrem a relação custo- benefício a médio e longo prazo de determinadas decisões arquitetônicas. Em uma análise superficial, o enfoque é dado aos custos iniciais, ignorando muitas vezes, os custos referentes à fase de utilização do edifício.

Enquanto a escolha dos produtos, geralmente, é realizada após a análise dos resultados de testes comparativos de qualidade e performance de produtos similares — especialmente quanto a custo, durabilidade, manutenção e economia —, a escolha de edifícios/ambientes construídos é determinada, fundamentalmente, pela sua aparência, custo inicial e novidade da tecnologia embarcada, dissociados de qualquer relação com as consequências custo-benefício — lógica de curto prazo (RHEINGANTZ, 1995, p. 222).

Pardini (2009) afirmou que as construções que possuem metas de sustentabilidade não apresentam necessariamente um maior custo em relação às construções tradicionais, podendo inclusive, caso as metas sejam integradas ao processo de entrega do empreendimento, chegar à redução de custos.

A grande maioria das edificações desperdiça relevantes

efetiva, desde o projeto arquitetônico, passando pela construção até a utilização final, de importantes desenvolvimentos nas áreas de

novos conceitos arquitetônicos, materiais, equipamentos e tecnologias construtivas vinculados à eficiência energética, dentro

do entendimento menor de que seus custos são mais elevados, o que raramente é verdadeiro.

Na realidade, novos conceitos de projetos sustentáveis indicam hoje que há numerosas oportunidades para a integração de

elementos naturais com materiais e técnicas construtivas, com eficiência energética e menor custo. Quando se concebe um

projeto integrado da edificação, ganhos significativos em sustentabilidade podem ser atingidos, tornando extremamente favorável a relação benefício/custo. Da mesma forma, técnicas de restauração de edificações ("retrofits") permitem aumentar substancialmente a eficiência energética de prédios existentes (INEE, 2002, p. 3, grifo nosso).

Johnson (1990 apud Pardini, 2009) concluiu que os custos de construção de um edifício no contexto dos Estados Unidos, com vida útil de 40 anos, representam apenas 18% do custo total do seu ciclo de vida. A falsa percepção dos custos iniciais serem mais elevados ocorre devido ao valor desembolsado em um relativamente curto período de tempo, correspondente à etapa de construção.

De acordo com os estudos apresentados por Mascaró (1985), uma edificação residencial de dez pavimentos com uma boa orientação solar em Porto Alegre/RS consome em média 1,3 kWh/m², ao passo que em uma edificação com uma orientação desfavorável - com as fachadas principais expostas a maiores cargas térmicas - o consumo médio passa para 1,9 kWh/m².

Para Yudelson (2013), o objetivo de todos os esforços por edificações sustentáveis é construir prédios de alto desempenho utilizando um orçamento igual ou próximo aos de edificações convencionais. Segundo o autor, as edificações de alto desempenho economizam de 25 a 50% (ou mais) em relação ao consumo de energia de construções convencionais ao incorporar sistemas extremamente eficientes e medidas de conservação em suas vedações, equipamentos de climatização e sistemas de iluminação. Sharp (2013) afirmou que um projeto integrado efetivo é capaz de produzir simultaneamente inovações significativas e redução de gastos.

Nesse âmbito, o sistema de certificação ambiental Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) vem apresentando resultados que comprovam que é possível ter um projeto eficiente energeticamente obtendo retorno financeiro. Segundo Yudelson (2013), o LEED classifica todas as edificações em cinco categorias, incorporando uma grande variedade de ―melhores práticas‖ em arquitetura, engenharia, projeto de interiores, paisagismo e construção.

Um exemplo de certificação LEED Platinum e comprovação de economia energética com retorno financeiro é o projeto dos Escritórios Centrais da Alberici em Saint Louis, Missouri – Estados Unidos, projetado por Mackey Mitchell Architects (Figura 4). Concluído em 2004, o edifício de escritórios de 10.000 m² abriga a sede da empresa Alberici Corporation. De acordo com Yuldelson (2013), o projeto teve custo total de 20,1 milhões de dólares e retorno financeiro no período de 7,5 anos. O objetivo era atender no mínimo 60% das exigências de eficiência energética, através da utilização de fontes renováveis de energia como turbina eólica, painéis solares e captação da água pluvial.

Figura 4: Escritórios Centrais da Alberici - Saint Louis

Fonte: YUDELSON, Jerry. Projeto Integrado e Construções Sustentáveis, 2013, p.13

Kats (2003) relatou que nos Estados Unidos um projeto elaborado com preceitos LEED acarreta um aumento de 0,66% de custo para obtenção do nível mais baixo de certificação, 2,11% de aumento de custo para o nível prata, 1,82%

para obter o nível ouro, e 6,50% de custo adicional para obtenção da certificação platina, em comparação a um projeto convencional. Kats (2003) também apresentou um estudo da California’s Sustainable Building Task Force de 2003, que demonstrou que o investimento inicial de 2% no projeto de um edifício sustentável, pode ocasionar economias na ordem de 20% nos custos de operação. Caso considere-se um período de vinte anos, a economia obtida representa mais de dez vezes o investimento inicial. Miller et al. (2008) apresentaram um estudo realizado em 2007, onde os preços para locação ou venda do metro quadrado de edifícios energeticamente eficientes podem ser até 10% maiores se comparados aos preços dos edifícios convencionais. Barros (2012) também identificou os benefícios e dificuldades do processo de certificação ambiental LEED e Processo de Alta Qualidade Ambiental (AQUA). Nessa pesquisa, a autora destacou a necessidade do estudo sobre a aplicabilidade desses processos no contexto brasileiro.

Kurnitski et al. (2014 apud Parada, 2014) em seus estudos recentes sobre edifícios na Estônia, revelaram que o investimento para a reabilitação de edifícios comerciais e industriais é baixo, uma vez que o m² possui um custo entre 20 e 100€. A reabilitação de edifícios residenciais compreende um investimento maior, de aproximadamente 200 €/m², sendo que em edifícios mais antigos o custo é elevado para 300 €/m².

Sobre o retrofit de sistemas de iluminação, Dubois (2016) ponderou que o potencial de economia varia muito, de acordo com o contexto e a edificação, pois estudos diversos mostram diferentes economias de energia, o que leva a dificuldades no cálculo do tempo de retorno de ações de retrofit de iluminação. Williams et al. (2012 apud Dubois, 2016) tentaram superar essa dificuldade através de uma análise baseada na revisão de 88 artigos científicos e relatórios que incluíam as potenciais economias dos sistemas de controle de iluminação. Os autores classificaram as diferentes estratégias e as principais características de cada estudo. Com a utilização de parâmetros cada vez mais restritivos, os autores concluíram que existe um potencial de economia de energia de 24 a 38% para diferentes sistemas de controle de iluminação.

Fontoynont et al. (2016) observaram que os custos para renovação do sistema de iluminação se situam entre 30 e 50 €/m². Esse investimento permite a

redução dos custos com eletricidade para iluminação entre 2 a 7 €/m² ao ano. Além disso, a modernização permite elevar o valor de aluguel em 10 a 30 €/m² ao ano, devido à combinação da redução dos custos operacionais com a melhoria na qualidade do espaço interior.

Lopez-Paleo e Negron (2013 apud Dubois, 2016) apresentaram um estudo de caso para uma auditoria energética em conjunto com os resultados da verificação pós-instalação. O estudo fazia parte do projeto de eficiência energética para o Colégio Profissional de Engenheiros e Agrimensores de Puerto Rico (CIAPR) de San Juan - Porto Rico. Com base na auditoria energética realizada, foi verificado que a iluminação representou cerca de 15,5% do consumo de energia da instalação. Logo, os controles de iluminação de acordo com a ocupação foram instalados em alguma áreas. Assim, economias no consumo anual de iluminação foram previstas em 39,4 MWh (27,7%). Para o sistema de condicionamento de ar, foi proposto um sistema de fluxo refrigerante variável (VRF) em todo o edifício. A economia anual total prevista foi de 235,1MWh e 55,50 dólares. O payback simples das medidas de modernização combinadas (HVAC e iluminação) foi calculado para 6,25 anos. O monitoramento pós-instalação através das contas de consumo mensais revelou uma maior economia do que o previsto, que reduziu ainda mais o período de retorno do investimento. Assim sendo, os custos de energia apresentaram-se em torno de 55% mais baixos do que as despesas de energia anteriores.

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