1 ASPECTOS HISTÓRICOS DA DUALIDADE ESTRUTURAL DA
1.2 O PROEJA NO CONTEXTO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
1.2.2 OS DESAFIOS DA IMPLEMENTAÇÃO DO PROEJA NO CAMPUS ITAPINA
Educação de Jovens e Adultos, o PROEJA contempla os jovens e adultos trabalhadores do campo, sujeitos marcados pelos processos de exclusão social. Segundo o Documento Base (2006) desse programa:
A EJA, em síntese, trabalha com sujeitos marginais ao sistema, com atributos sempre acentuados em conseqüência de alguns fatores adicionais como raça/etnia, cor, gênero, entre outros. Negros, quilombolas, mulheres, indígenas, camponeses, ribeirinhos, pescadores, jovens, idosos, subempregados, desempregados, trabalhadores informais são emblemáticos representantes das múltiplas apartações que a sociedade brasileira, excludente, promove para grande parte da população desfavorecida econômica, social e culturalmente (BRASIL, 2006, p.10).
Do ponto de vista da legislação, o parágrafo segundo do artigo 1º (Decreto nº 5.840/2006) define que as escolas agrotécnicas federais estão incluídas na rede de instituições federais atendidas pelo programa. Segundo o mesmo documento já referido:
Em conformidade com o Decreto nº 5.840/2006, poderão adotar cursos, no âmbito do PROEJA, as Instituições Federais de Educação, instituições públicas dos sistemas de ensino estaduais e municipais, entidades privadas nacionais de serviço social, aprendizagem e formação profissional vinculadas ao sistema sindical e entidades vinculadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Social do Transporte (Sest), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) (BRASIL, 2006, p.45).
Nesse contexto, a então Escola Agrotécnica Federal do município de Colatina/ES, assim como as demais Agrotécnicas do país, conforme decreto citado anteriormente, passou a ter a obrigatoriedade de ofertar curso dentro do Programa Nacional de Educação Profissional Integrado à Educação Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos (PROEJA).
Para tanto, a então Escola Agrotécnica de Colatina publicou três editais para concurso de ingresso em curso do PROEJA. O primeiro edital foi publicado em 2007, com a oferta do curso técnico em Agroindústria, no turno noturno, com duração de três anos e 40 vagas. No entanto, não houve inscrição de alunos para o curso.
Nesse mesmo ano, ocorreu a publicação do segundo edital, sendo que a escola ofertou mais uma vez o curso técnico em agroindústria, turno noturno, com duração de três, anos. Nesse segundo momento, a instituição ofereceu somente 20 vagas e não obteve sucesso novamente.
Após a abertura do segundo edital, foi realizado um levantamento, por profissionais da escola, no entorno da instituição, a fim de se conhecer a demanda por ensino
médio integrado à Educação Profissional na modalidade Educação de Jovens e Adultos e o curso demandado pela população a ser atendida. Após esse levantamento, identificou-se que a maior parte dos sujeitos pesquisados possuía a escolarização inicial em nível de 4ª série do Ensino Fundamental, o que representa uma demanda continuidade da escolarização no ensino fundamental, contrastando com a oferta de ensino médio apresentada pela instituição.
Em 2008, a unidade publicou o terceiro edital do PROEJA. Assim como no segundo edital, a escola ofertou o curso técnico de Agroindústria, com período de três anos, 20 vagas, no ensino noturno. Após a abertura, houve apenas 22 candidatos inscritos, porém o não acesso ao transporte dificultava o acesso à escola. Diante deste quadro, mais uma vez não houve a possibilidade de oferta do curso, uma vez que o número de inscritos foi inferior ao número de vagas abertas e a escola não atendeu às demandas de transporte apresentadas pelos candidatos inscritos.
Dessa forma, apesar da publicação de três editais, a instituição ainda não havia conseguido responder, no ano de 2008, a essa exigência, sendo questionada oficialmente pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) sobre as razões do não cumprimento da exigência legal. Diante desse cenário, no mês de Setembro deste ano, a então Escola Agrotécnica Federal de Colatina (EAFCOL) encaminhou para a SETEC ofício22, justificando formalmente o não cumprimento do
Decreto 5.840/2006, que obrigava as instituições federais de educação profissional a implantar cursos e programas regulares do PROEJA até 2007.
Diante dessa dificuldade, a Escola buscou o apoio do Grupo de Pesquisa PROEJA/CAPES/SETEC/ES para a realização de um estudo relacionado às demandas de educação nas localidades de seu entorno. Após um processo de interlocução inicial, o Grupo de Pesquisa firmou um acordo de cooperação técnica com a Agrotécnica de Colatina, objetivando a realização da pesquisa, com vistas a instrumentar a implementação do PROEJA na instituição, bem como servir de fundamentação para possíveis alterações, reestruturações e propostas para o Plano de Desenvolvimento Institucional da Escola.
Em razão das condições objetivas do Grupo de Pesquisa, no que se refere, principalmente, a escassez de tempo e ao reduzido número de profissionais envolvidos, a pesquisa de campo foi realizada basicamente em dois momentos, durante os meses de setembro e outubro de 2008.
De forma coletiva, envolvendo o Grupo de Pesquisa23, profissionais24 e estudantes25 da EAFCOL e da Escola Municipal Agroecológica26, realizamos a pesquisa de campo27, com a aplicação de 243 questionários e realização de entrevistas em localidades do entorno da Escola, dentro de um raio de 30 quilômetros da instituição, à margem esquerda do Rio Doce.
A tabulação preliminar dos dados produzidos na pesquisa de campo foi encaminhada à Instituição, sendo que o grupo assumiu o compromisso de realizar um tratamento estatístico criterioso envolvendo, cruzamento de dados primários, análises, interpretação, sistematização e elaboração de relatório final.
Tendo como uma das referências os resultados preliminares da pesquisa realizada no entorno, como a identificação da preferência pela realização do curso à noite, o IFES-Campus Itapina abriu em março de 2009, o quarto edital para curso do PROEJA, por meio da oferta do Técnico em Alimentos no turno Noturno, com duração de dois anos e 40 vagas disponibilizadas. Dessa vez, o Instituto obteve êxito, com a abertura de duas turmas em abril desse ano, uma vez que o número de inscritos ultrapassou o número de vagas ofertadas. Embora a tabulação e a leitura inicial dos dados da pesquisa apontassem para a oferta de cursos ligados à agricultura, a instituição escolheu direcionar a oferta do PROEJA para outra direção.
Considerando que a pesquisa realizada pelo grupo do PROEJA em 2008, tenha sido apenas um dispositivo inicial para a compreensão das demandas de escolarização dos jovens e adultos das localidades do entorno desta instituição, esta dissertação
23 Participaram também da pesquisa os estudantes, Custódio Jovêncio Barbosa Filho, Gerliane Martins Cosme, Douglas Luiz Ferreira Pimentel, Mariellen Marim de Souza e Geany Costa Gava. 24 Professores, gestores e outros servidores da instituição.
25 Os estudantes Leonardo Raash Hell, Jhony Detoni, Carlos Eduardo Batista Croner e Fabrício Torezani participaram da pesquisa de campo.
26 A estudante Meury Regiane Peter da Silva também contribuiu na pesquisa do entorno. 27 Realizada em 26 e 27 de Setembro, e 03 e 04 de Outubro de 2008.
aprofunda no estudo das demandas destas localidades, buscando explorar os sentidos da formação profissional para os lavradores.