2. Introdução
2.1 Os desafios de ensinar e aprender língua inglesa
Os trabalhos aqui espelhados dão orientações sobre a competência comunicativa e a oralidade, nela inserida, dos professores de língua inglesa nas possíveis formas de ensinar, porque, como afirma Almeida Filho (2013, p. 19):
Aprender uma nova língua na escola é uma experiência educacional que se realiza para e pelo aluno como reflexo de valores específicos do grupo social e/ou técnico que mantém essa escola. (E) embora careçamos de mais pesquisas para estabelecer a força relativa de distintas classes de valores na constituição de uma abordagem de ensinar e de uma abordagem de aprender línguas, devemos reconhecer que (há) uma força tributária que condiciona, em parte, o processo de ensinar/aprender14.
Nesse aspecto, para tratar das disposições pessoais, dos valores desejáveis na tradição de ensinar e aprender nas escolas, levo em consideração o relato da experiência e abordagem dos professores que trabalham em escolas públicas do GDF, escolas privadas e na Cooplem. Nessa ocasião, além de observar a oralidade dos professores, permiti-me pousar um olhar atento no comportamento dos alunos, no número, frequência e duração das aulas e no interesse do aluno pelo idioma que estuda, verificando, inclusive, se estes fatores influenciam ou não na abordagem do professor e a consequente possibilidade de aquisição da língua.
Com o surgimento dos primeiros cursos de pós-graduação em pesquisa aplicada no país nos anos 70 e 80, bem como do Movimento Comunicativista, com a proposta alternativa de ensino-aprendizagem não-gramatical de línguas, em 1977, Almeida Filho protagoniza a primeira pesquisa sobre o que Dahlet (2013) chamou de Abordagem Comunicativa Brasileira na Universidade de Manchester, Inglaterra (HELB, 2007). Isso antecede um pouco o surgimento do termo Aquisição de Segunda Língua (doravante ASL), construto esse que
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Conforme veremos nos depoimentos dos professores participantes nesta pesquisa, a força à qual se refere o supracitado autor é a abordagem de cada professor.
18 traduz a natureza e modos pelos quais aprendemos uma segunda língua. Ao descrever os perfis dos professores participantes no ambiente escolar e sua formação, analiso se essas disposições exercem influência, ou não, na aquisição, e identifico alguns dos fatores externos que intersectam o processo do ensino aprendizagem de língua estrangeira.
Diversos autores como Santos (2009), Rinaldi (2006, 2010), Fernández e Rinaldi (2009), Santos e Benedetti (2009), afirmam que a formação do professor de língua estrangeira deve contemplar diversos pontos que atualmente têm sido negligenciados na formação inicial e/ou contínua dos profissionais que atuam no ensino de língua estrangeira. Com o mapeamento dos autores desses perfis de professores estudados, apresento estatísticas referenciais do estudo das competências realizado por Almeida Filho, (1993, 1997, 1999, 2013) que afirmam que o professor ensina uma língua estrangeira orientado por sua abordagem e amparado em suas competências.
Não há como investigar o processo de desenvolvimento da oralidade sem ser reflexivo sobre o perfil e a prática docentes. De acordo com Alarcão (1996) ser reflexivo é ter a capacidade de utilizar o pensamento como atribuidor de sentidos ao quê e como se ensina. Para Almeida Filho (1993), o professor, ao adentrar à sua sala de aula, age sob orientação de uma dada abordagem embasada por conceitos de língua, aprender e ensinar línguas, além das competências que traz consigo àquela altura. Isso equivale a dizer que o professor é possuidor de conhecimentos relevantes a sua prática profissional (sejam eles conscientes ou não), conhece seus deveres, sabe avaliar a importância social do exercício do magistério na grande área da aprendizagem e ensino de línguas (doravante AELin), apresenta desempenho profissional compatível, atua sob atitudes produtivas e se autonomiza aos poucos na grande disposição de favorecimento do processo de aprendizagem de seu aluno.
Dessa forma, trazer dados sobre a competência implícita, que na explicação de Almeida Filho, (2013, p. 34) é a competência mais básica que pode possuir um professor, constituída por intuições, crenças e experiências que se convertem em memórias capazes de amparar o ensino. Nos registros que fiz das observações em escolas, pode-se depreender se essa competência
19 espontânea é dominante ou não. Pela análise dos dados, mostro qual é a representatividade dos laços de sustentáculo do processo inicial de ensino- aprendizagem, adicionando à sua relevância o entendimento dos estudos das teorias de ensino-aprendizagem.
Conforme destacado no capítulo anterior, a opção deste trabalho é pela abordagem direta do ensino sendo produzido nas situações visitadas via contato pessoal entre professor e seus alunos mediado pela língua estrangeira, neste caso, na pessoa do professor de inglês nesta região, e por entender, baseada nas palavras de Almeida Filho (2013, p. 41), que:
Uma aula de língua é um evento estruturado de linguagem produzido por aprendentes e seus professores com a esperança de que ocorra aquisição da língua pretendida. Na aula de língua deve ocorrer muita interação linguageira com qualidade como a de causar e/ou manter interesse ou percepção de relevância, de ser compreensível aos aprendizes e de não pressionar negativamente os participantes mantendo motivações, não trazendo tensões e bloqueios, evitando elevação desnecessária de ansiedade, reforço da autoestima, abertura para experiências culturais, entre outros, conforme hipotetiza Krashen (1982).
Fazendo a comparação com a teoria do autor supracitado, é desejável em uma aula de língua estrangeira como a formação, competência comunicativa e a oralidade do regente. Assim, pude chegar a um consenso a respeito dos perfis destes profissionais aqui no DF, os quais serão apresentados no capítulo IV. Na discussão da abordagem comunicativa, pelo cenário da pesquisa, encontro indícios dos aspectos que podem precarizar e/ou otimizar o ensino de línguas, já que a aquisição ótima de uma LE estaria ainda condicionada ao tempo necessário para o aprendiz iniciar interações num contexto linguístico comunicativo, conforme propõe Almeida Filho (2013, p. 43).