O ICM não encontrou facilidades para se manter funcionando. Segundo o Jornal “O Nordeste”, do dia 27 de agosto de 1959. A manchete desse jornal trazia que o Juizado de Menores era a última esperança da família cearense. Esse jornal noticiava que era precária a situação em que se encontrava o Juizado de Menores, sem poder atender aos inúmeros casos que se apresentam diariamente. O Juiz de Menores, dr. Cândido Couto afirmava que os institutos Carneiro de Mendonça e Bom Pastor, além do Núcleo de Menores, estavam superlotados, não havendo possibilidades de o juiz encaminhar para ali um só menor que estivesse necessitando das vistas e dos cuidados das autoridades judiciais. Em entrevista ao Jornal o Nordeste, dr. Cândido Couto dizia mais:
O Governo tem tido a melhor boa vontade em amparar a causa do Menor Abandonado. Dada, no entanto, a crítica situação por que passa o Estado, sem meios para solucionar os mais graves problemas da sua administração, quase que nada pode fazer, até esta data, em benefício desse grave problema, que há muito aflige a população.
Perguntado pela reportagem se o Instituto Carneiro de Mendonça ainda continuava sob a égide da Secretaria de Polícia, ou se já passara para o controle do Juizado, ao que ele respondeu negativamente, acrescentando:
Encontra-se o mesmo com 397 menores quando tem capacidade para receber apenas 250 delinquentes, o que torna aquele estabelecimento impossibilitado de admitir ao menos um candidato. Para exemplificar, direi apenas que há pouco encaminhei um menor ao instituto, e lá chegando, foi cientificado, pelo padre diretor, da falta de acomodações dados o excesso já existente.
Devido à falta de recursos para tratar o problema do menor no Ceará, o juiz Cândido Couto, na entrevista, afirmava que era intenção dele enviar à Capital da República, elementos do Juizado de Menores, para tratar, junto ao deputado cearenses, de assuntos referentes ao Menor Abandonado. A intenção era expor ao Ministro a situação em que o Juizado se encontrava, sem a menor ajuda dos poderes públicos, que possa contribuir para dar à juventude abandonada uma vida mais humana aumentando as instituições existentes ampliando suas dependências, a fim de que possa o Juiz de Menores executar o seu plano de ação.
No início da década seguinte, o Jornal Gazeta de notícias, do dia 28 de janeiro de 1961, noticiava sobre o problema do menor abandonado, e com a manchete, dizendo que o problema deveria ser solucionado com justiça, não pela justiça. A reportagem do jornal tinha procurado
o então diretor do ICM. Tendo sob seus cuidados 452 menores, Pe. Giovanni Saboia32 esclarecia
que estaria no Instituto Carneiro de Mendonça até o dia em que seus superiores achassem que lá devesse permanecer e até que indivíduos ou grupos apresentassem fórmulas e métodos que possam realmente solucionar o problema do menor abandonado ou delinquente, dizendo que não teria a pretensão de resolvê-lo e, sim, boa vontade no sentido de vê-lo solucionado por quem quer que seja capaz para tanto. Prosseguindo em suas declarações ao Jornal, disse o sacerdote dirigente do ICM não acreditar no milagre de a simples transferência da questão da órbita do Poder Executivo para o Poder Judiciário vir a resolver o problema em toda a sua complexidade pelo fato de ficar livre das “interferências políticas”. E comentou:
Primeiramente, seria uma anomalia, pois o poder judiciário tornar-se-ia simultaneamente Poder Executivo, o que constituiria, também, uma intromissão indébita. Além do mais seria muito dizer que a velha política, como dizem, respeitaria o Judiciário no problema do menor. A política é irreverente, cavilosa e contagiante. Além do mais a questão do menor abandonado ou delinquente já está estudado e o que falta é pôr em prática o que foi planejado. Os que vivem fazendo críticas destrutivas apresentando projetos de efeitos talvez duvidosos, deviam atentar para o que escreveu o des. Saboia Lima, autêntico, apóstolo da assistência à infância desamparada no Brasil. ‘Em São Paulo, diz aquele Desembargador, está acertando no problema do menor. Tudo está confiado à direção de um Conselho Técnico e administrado por pessoas de competência, sem interferência do Juizado de Menores. Este julga, não executa. O problema deve ser resolvido com Justiça, mas não pela Justiça.
O sacerdote ainda afirmou que o maior problema do ICM era a falta de recursos suficientes para manter o trabalho no instituto. Segundo o diretor da Escola, Padre Giovanni Saboia de Castro:
Entre nós o assunto caminha para melhores dias. Com a situação decidida e dedicada do Secretário do Interior e Justiça dr. Antônio Paes de Andrade, tudo indica que o problema terá, dentro em breve equacionamento preciso, capaz de levar a uma solução que, quando não seja perfeita e completa, representará avanço substancioso sobre tudo o que se tem feito até então. A maior dificuldade é de ordem financeira. E graças aos esforços do sr. Secretário do Interior e Justiça, vem, aos poucos, sendo superada. À frente do Instituto Carneiro de Mendonça temos tido, de Sua Excia. Todo o apoio e ajuda, e o Instituto já tem conseguido enviar menores para a Marinha, para o Exército, para empregos e até para o Seminário, tonando úteis a sociedade muitos anteriormente julgados irrecuperáveis.
Como se pode perceber, as dificuldades enfrentadas pela escola para manter a sua administração e também o seu financiamento público era um grande desafio. Nas décadas
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Segundo o Jornal Gazeta de Notícias, de 12 de julho de 1960, o ICM estava recebendo inúmeras melhoras graças à atuação de seu diretor Padre Giovanni de Castro Saboia. As casas dos funcionários, em sua quase totalidade foram limpas; a enfermaria foi bastante melhorada; novos e modernos bebedouros foram adquiridos.
seguintes, o ICM ainda encontrava dificuldades para se manter funcionando, conforme mostrava o Jornal “O Nordeste”. Em reportagem do dia 12 de fevereiro de 1963, o jornal noticiava que o dr. Wilson de Norões Milfont, Juiz de Menores, e o sr. Ananias Frota Vasconcelos, diretor do Departamento de Proteção ao Menor, continuavam em “SOS” às voltas com a terrível miséria social da infância e da juventude marginais da capital, sem meios para a providência inadiável de sua reeducação. Os estabelecimentos a eles destinados, como o Núcleo de Menores, o Instituto Carneiro de Mendonça e o Bom Pastor permaneciam superlotados e com as verbas “estouradas”.