Considerações Finais
184 Os desafios a serem vencidos para que se construa definitivamente um argumento
pela preservação deste legado passam principalmente pelo reconhecimento da Arquitetura Moderna como um produto cultural de um tempo passado, e por ser passado, passível de proteção.
Os caminhos que desenhamos ao longo da análise dos casos estudados neste trabalho infelizmente apontam para outra direção. Nota-se uma tendência simplificadora de afastar o tema da preservação do moderno do campo teórico crítico da restauração. Intervenções de retrofit, repristinação, modificações internas radicais, reposição de superfícies, correções de tecnologias, completamentos, são alguns exemplos que tem se tornado comuns na revitalização de edifícios modernistas.
A percepção por parte do mercado imobiliário das vantagens econômicas destas operações de retrofit tem levado à preferência por este tipo de operação ao invés do investimento em novas construções. Este dado abre um campo enorme de trabalho para as construtoras e configura um grande risco de perda dos exemplares modernistas.
Somado ao pequeno reconhecimento e proteção legal destas edificações o que se desenha é um cenário preocupante. O Brasil, embora se destaque como pioneiro, a partir da década de 1940, na implantação de medidas para preservação de edifícios do Movimento Moderno, representadas pelos tombamentos do edifício sede do Ministério da Educação e Saúde (Edifício Gustavo Capanema), da Igreja de São Francisco da Pampulha, da Estação de Hidroaviões, do Catetinho, do Aterro do Flamengo e da Catedral de Brasília, as ações legais para a preservação do Patrimônio Construído Moderno caminharam de forma lenta ao longo das décadas seguintes e até hoje ainda são esparsas, perto do universo de edifícios e sítios existente.
Reafirmar que estes edifícios devem ser encarados como Patrimônio Cultural Brasileiro e que sua proteção é imprescindível é o primeiro passo para tentar garantir a transmissão deste passado para as gerações vindouras em toda sua complexidade e autenticidade.
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