2.2 A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO
2.2.1 Declaração de Genebra - Carta da Liga Sobre a Criança de 1924
2.2.1.1 A convenção da organização dos direitos internacionais do trabalho
2.2.2.2.3 Os direitos da criança e do adolescente no estatuto da criança e do
de deficiência física sensorial ou mental, com propósito de incluir os menores portadores de deficiência no meio social, criando leis a fim de garantir acesso adequado na construção de edifícios, públicos, ruas, produção de veículos de transporte coletivo.
Também a proibição de menores de 18 anos ao trabalho noturno e de exercer atividades em locais perigosos e insalubres, determinando a idade mínima para o trabalho de 14 anos, como dispõe o artigo da 7º, inciso XXXXIII da CF, além disso, a garantia de que os filhos havidos fora do casamento, ou adotados terão os mesmos direitos, proibindo qualquer discriminação referente à filiação.
Neste sentido Celso Ribeiro Bastos (2002, p 791) traz em sua obra que:
À criança e ao Adolescente é garantida pela Constituição uma série de direitos. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar-lhes, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à educação, à alimentação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de coloca-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência a crueldade e opressão.
Visando o desenvolvimento da criança e do adolescente o legislador constituinte trouxe um contexto apropriado reconhecendo os direitos especiais da criança e do adolescente e a sua vulnerabilidade.
2.2.2.2.3 Os direitos da criança e do adolescente no estatuto da criança e do adolescente.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), lei 8.069, promulgada em 13 de julho de 1990, durante o governo de Fernando Collor, foi criado pouco depois da Constituição de 1988, é o instrumento fundamental a proteção e amparo aos direitos da criança e ao adolescente que vivem no Brasil, é fruto de movimentos sociais como: Meninos e Meninas de Rua, a Conferência
Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), Organização Internacional do Trabalho (OIT), de comunidades, crianças e adolescentes.
Antes de 1988, não havia destinada lei específica tratando do direito da criança e ao adolescente, o Código do Menor disciplinava apenas situações extremas, denominada como situação irregular.
No entanto o Estatuto da Criança e do Adolescente substitui o Código dos Menores de 1979, ano que se comemorou o Ano Internacional da Criança com o compromisso de proteger o menor carente.
O sentido de punir vindo do Código de Menores deixa de existir, a criança e o adolescente passam a ser considerados sujeitos de direitos, neste sentido Paulo Lúcio Nogueira (1998, p.7) explica:
Com o advento do ‘’Brasil Novo’’, surge o Estatuto da Criança e do Adolescente, com terminologia apropriada á Constituição de 1988, que prevê como “dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária além de coloca-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão” (CF, art. 227)
Aplica-se a todas as Crianças, aos menores de 18 anos em qualquer situação, mesmo aos infratores o Estatuto da Criança e do Adolescente, o qual é constituído de normas e princípios, fornecendo segurança e determinando condutas e valores.
Esse Instituto estendeu-se a todas as crianças e adolescentes sem distinções, assegurando-as a proteção, considerando a sua condição de ser humano em evolução e desenvolvimento, considerando eventual risco social, violação ou ameaça dos direitos.
Como ressalta o artigo 98 do Estatuto da criança e do adolescente Lei 8069/ 1990:
Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados: I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável; III - em razão de sua conduta.
(PLANALTO, 2018)
O referido artigo estabelece como será a atuação principalmente do juiz da infância, a finalidade da lei é garantir efetividade a doutrina da proteção integral e previu uma série de medidas do governo.
Dessa forma discorre sobre o assunto Patrícia Silveira Tavares (2010 p. 527):
Quando o Estatuto cita que as ameaças de violações de direitos podem acontecer por ação ou omissão da sociedade ou do Estado, traz uma concepção diferente do Código de Menores que só responsabilizava a própria criança ou o adolescente e a sua família. Neste sentido o legislador compreendeu que tanto a sociedade como o Estado têm violado os direitos destes infanto-juvenis e que agora, devem ser responsabilizados. O Estado ameaça ou viola os direitos desta população, as ações necessárias para esta área, ou quando deixa de deliberar, orçar e implementar políticas sociais e públicas. Da mesma forma, a sociedade, quando se omite diante da violência, crueldade, opressão, dos abusos de toda forma; além de alimentar um processo de exclusão crescente, desenvolvendo até ódio contra alguns agrupamentos, fazendo com que esses sejam vistos como monstros que precisam ser exterminados. A criança e o adolescente não são mais vistos como ameaça à sociedade. Por esta ótica, a sociedade torna-se ameaçadora quando não garante o desenvolvimento pleno da potencialidade desses sujeitos.
Outra circunstância prevista na lei está ligada ao núcleo familiar, onde está colocada a criança ou o adolescente, quando é prejudicado pela falta, omissão, abuso dos pais ou responsável, nos casos de pais falecidos, ausentes ou desconhecidos, a prática abusiva do poder familiar ou irregular por parte do tutor.
Neste sentido ainda Patrícia Silveira Tavares dispõe:
Vale mencionar os exemplos da criança órfã, de adolescente que é vítima de violência intrafamiliar ou de pupilo cujo rendimento escolar não é devidamente acompanhado pelo tutor. Por fim, outro motivo que justifica a aplicação da medida protetiva em favor de determinada criança ou adolescente é a sua própria conduta, quando esta se mostra incompatível com as regras que conduzem a vida em sociedade. O adolescente ou a criança que cometem ato infracional ou que praticam atos capazes de colocá-los em risco, embora não ilícios tais como a ingestão de sistemáticas de bebidas alcoólicas, são exemplos clássicos desta situação. ( TAVARES, 2010, p.528).
Verifica-se que legislador teve cuidado em atingir várias possibilidades no que se refere a violação ou ameaça dos direitos, entre situações que ocasionam a adoção de medidas protetivas.
Da mesma forma, o Estatuto da Criança e do Adolescente traz previsão sobre a proteção da criança e do adolescente em combate a qualquer tipo de violência seja física, psicológica ou sexual, proibindo castigos físicos, maus tratos e tratamentos humilhantes.
Neste sentido vejamos o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente:
Art. 130. Verificada a hipótese de maus-tratos, opressão ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsável, a autoridade judiciária poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum. Parágrafo único. Da medida cautelar constará, ainda, a fixação provisória dos alimentos de que necessitem a criança ou o adolescente dependente do agressor. (PLANALTO, 2019)
O referido dispositivo assegura à criança e o adolescente que sofreu qualquer tipo de violência, o direito de conviver com família, afastando o agressor do núcleo familiar e não a retirada da criança ou adolescente prejudicado.
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece os deveres dos conselheiros tutelares, visto que o conselho tutelar é um órgão público que tem obrigação de cuidar para que os direitos da criança e do adolescente sejam cumpridos, conforme preceitua o artigo 131 do Estatuto da criança e do adolescente:
Art. 131. O Conselho Tutelar é órgão permanente [641] e autônomo [642], não jurisdicional [643], encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, definidos nesta Lei (FEMPAR, 2017).
O Estatuto da Criança e Adolescente é um importante aliado para garantir os direitos e a proteção da infância e adolescência, atende a exigência do artigo 227 da Constituição Federal e dispõe que todas as normas, devem ser seguidas rigorosamente a fim de garantir o desenvolvimento integral, o amparo, proteção e acolhida da criança e do adolescente.